Rajada de vento pode ter causado naufrágio no rio Xingu, diz coordenador do Inmet

Valtinho Moreira, subcomandante do navio Capitão Ribeiro, que naufragou no rio Xingu, entre Porto de Moz e Senador José Porfírio, sudoeste do Pará, na noite da última terça-feira (22), sobreviveu ao naufrágio e relatou que a embarcação foi atingida por uma tromba d’água. Entretanto, o coordenador do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) José Raimundo Abreu de Sousa, diz que tromba d’água não foi a causa do naufrágio. De acordo com ele, é mais provável a ação de uma rajada de vento.

José Raimundo explica que a tromba d’água se assemelha a um tornado e se diferencia dele apenas no fato de ocorrer na água. “A tromba acontece geralmente no período do final da tarde. Ela vem de cima para baixo, se origina na base da nuvem. Tem um movimento circular e se assemelha a uma tromba de elefante ou um funil”, explica.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup), o número de mortos chega a 23, há 28 sobreviventes e duas pessoas permanecem desaparecidas.

Rajadas de vento – Segundo ele, é normal a tromba d’água acontecer com altas temperaturas. “Com a umidade, formam-se, em um curto período, nuvens cumulonimbus (as mais perigosas nuvens da terra)”, explica José Raimundo. Segundo ele, naquela noite havia aglomerados dessas nuvens que se formaram a partir das 17h, uma evolução grande de sudeste para noroeste do Pará. Essas nuvens podem ter originado uma tempestade, com rajadas de ventos no local do naufrágio.

“Ventos girando em torno de 60 km por hora, é mais provável. Esses ventos podem ter provocado grandes ondas”, explica o coordenador. Segundo ele, foi constatada, nos dados das estações do Instituto Nacional de Meteorologia em Altamira e em Porto de Moz, uma tempestade naquele dia com ventanias que derrubaram árvores e destelharam casas.

“O volume de chuvas foi de 17.8 milímetros naquele horário. A velocidade do vento chegou a 25 km por hora conforme registro. Em Porto de Moz também ocorreram chuvas. Ou seja, em todo o Xingu. Em Porto de Moz foi registrada chuva até as duas da madrugada com ventania de mais fraca intensidade. Pode ter ocorrido uma rajada de vento”, diz.

De acordo com o Sipan, se os ventos da noite do acidente tivessem ocorrido em terra, seriam suficientes para destelhar casas. As imagens do órgão feitas por satélite identificam muitas nuvens na região do acidente, conhecida como Ponta Grande do Xingu.

“O que a gente consegue perceber é que eram nuvens bastante carregadas. Essas nuvens cumulonimbus estão sempre associadas a pancadas de chuva com trovoadas e também fortes rajadas de vento, que estão associadas a correntes de ar intensas que saem de dentro da nuvem”, explica a meteorologista do Sipan Daniele Nogueira.

O doutor em Engenharia Naval Hito Braga explica que o acidente aconteceu em uma área do Xingu que tem cerca de 10 km de distância de uma margem a outra, ou seja, de grande extensão. “Onde tem muita largura, pista para geração de vento, a possibilidade de tempestade e geração de ondas é muito grande. Esse pode ter sido um fator que tenha feito a embarcação balançar sem ter condições de voltar á posição vertical”, explica.

Relato do subcomandante – Na versão do subcomandante do barco, “veio uma tromba d’água, um redemoinho muito forte, e pegou a embarcação de surpresa”. “Não houve nada que a gente pudesse fazer. A embarcação tombou. Depois de virar, as pessoas vinham boiando de dentro da embarcação. Quem boiava primeiro já vinha ajudando as pessoas que gritavam por socorro”, relata.

Ainda segundo o subcomandante, muita gente tentava trazer as boias para perto da embarcação a fim de que as pessoas não se afastassem do barco. “Aquelas pessoas que não tinham muita condição de colocar colete e nadar, a gente colocava em cima da boia e colocava o colete nela e assim a gente tentava controlar a situação”, diz. (Fonte: G1)

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