Artistas, ambientalistas e indígenas fazem ato no Congresso em defesa da Amazônia

Um grupo de artistas, representantes de grupos indígenas e entidades de proteção ao meio ambiente realizaram nesta terça-feira (12), no Congresso Nacional, um ato em defesa da preservação da Amazônia.

Entre os artistas que participaram da manifestação no salão verde da Câmara estavam os atores Alessandra Negrini, Luiz Fernando Guimarães, Christiane Torloni, Susana Vieira e Arlete Sales, os cantores Maria Gadú, Tico Santa Cruz e Rappin Hood e a produtora cultural Paula Lavigne.

O encontro foi organizado para a entrega de mais de 1,5 milhão de assinaturas de brasileiros, recolhidas pela internet, pedindo a proteção da Amazônia e de seus povos.

O grupo também leu no ato uma carta na qual manifestam posicionamento contrário a propostas que possam significar ameaça ao meio ambiente. O documento foi encaminhado aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

De acordo com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que acompanhou o grupo de celebridades e ambientalistas, o principal objetivo do ato é a revogação do decreto presidencial que extingue a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), localizada entre os estados do Amapá e do Pará.

No fim de agosto, o governo publicou um decreto extinguindo a Renca sob o argumento de que a reserva “não é um paraíso” e que existe garimpo ilegal na região. O decreto, contudo, foi alvo de críticas no Brasil e no exterior.

A repercussão negativa do caso levou o governo, na semana seguinte, a anunciar a edição de um novo decreto presidencial, consolidando trechos de outras leis da área ambiental. No entanto, o novo texto também passou a ser alvo de críticas de especialistas e de contestações judiciais.

Diante da escalada de críticas contra a decisão, o Ministério de Minas e Energia acabou publicando uma portaria para suspender por 120 dias os efeitos do decreto para que, neste período, houvesse um “amplo debate” sobre o tema.

Rodrigo Maia – Após se reunir com o grupo de artistas e ambientalistas, Rodrigo Maia defendeu que o governo revogue de vez o decreto que extinguiu a Renca para ampliar o debate com a sociedade e depois reavaliar se há viabilidade para a decisão.

“Acho que o ideal nesses momentos, quando se gera tantas dúvidas, é um passo atrás, reorganizar essa discussão, para que se possa, no futuro, ter uma posição mais sólida”, ponderou o presidente da Câmara.

Entre os pontos criticados pelo grupo está a discussão na Câmara de mudanças no licenciamento ambiental. Para Maia, há “muita informação truncada” sobre o assunto.

“Licenciamento ambiental está sendo negociado com o Ministério do Meio Ambiente e vai avançar, se avançar, em acordo com o meio ambiente. Têm pontos de vista diferentes de como se preserva a floresta amazônica, mas não tem ninguém aqui querendo sair desmatando”, disse Maia.

Senado – Depois de organizarem o ato na Câmara, os artistas, indígenas e ambientalistas se reuniram com Eunício Oliveira no gabinete da presidência do Senado.

Segundo a atriz Alessandra Negrini, os artistas solicitaram a Eunício urgência na votação de um projeto que revoga o decreto que extingue a Renca.

“Ele [Eunício] se comprometeu em colocar em votação, em regime de urgência, a revogação do decreto da extinção da Renca. Houve um comprometimento. Vamos cobrar”, relatou a atriz.

O ator Victor Fasano, a atriz Arlete Salles e a cantora Maria Gadú afirmaram que a classe artística “está unida em defesa da Amazônia”. Na avaliação deles, a sociedade está “mobilizada” nessa causa.

‘Pesadelo’ – O coordenador de políticas públicas do Greenpeace, Márcio Astrini, classificou como “pesadelo” o quadro atual do meio ambiente no Brasil e disse que mudanças em regras ambientais são “moeda de troca” entre governo e Congresso.

“O número de assinaturas entregues não é o importante. O importante é que a população está se mobilizando, porque o meio ambiente no Brasil vem sendo um pesadelo”, afirmou.

A atriz Suzana Vieira disse que o ato mostra que a causa ambiental une toda a sociedade. Para ela, é importante que essa mensagem seja levada ao Congresso.
“Enquanto o brasileiro não se der conta que não é possível que essa meia dúzia de pessoas que dirigem este pais achem que são maiores que nós… A gente pode ser um grão de areia, mas nós viemos colocar o nosso grão de areia aqui dentro do Senado e da Câmara”, disse.

Leia a íntegra da carta divulgada pelos artistas e ambientalistas:

Brasília, 12 de setembro de 2017
Exmo. Deputado Rodrigo Maia
Exmo. Senador Eunício Oliveira

Representamos milhares de brasileiros que uniram suas vozes para dizer que NÃO ACEITAREMOS a destruição da floresta e nem os ataques aos direitos dos povos indígenas e populações tradicionais.

Juntas, as petições do Greenpeace, 342Amazônia e Avaaz já reúnem mais de 1,5 milhão de assinaturas de pessoas indignadas com o conjunto de medidas propostas pelo governo e pelo Congresso Nacional contra a Amazônia e o meio ambiente brasileiro: o decreto que extingue a Renca (Reserva Nacional de Cobre e Associados), a flexibilização das regras de mineração, o desmonte do licenciamento ambiental, a redução das áreas protegidas, a liberação de agrotóxicos, a facilitação da grilagem de terras, o ataque aos direitos indígenas e a venda de terras para estrangeiros, entre outras.

A Amazônia pode ser considerada o coração pulsante do nosso planeta, regulando o clima global. Ela também armazena bilhões de toneladas de carbono. Mais água doce do que em qualquer outro lugar do mundo. E uma incrível variedade de plantas e animais. Também é o lar de milhares de povos indígenas e comunidades. Com a Amazônia não se brinca!

É por isso que milhares de pessoas se uniram para formar uma rede de proteção ao redor da Amazônia e seus povos. Cada assinatura recolhida – e entregue aqui, hoje – representa a voz de um brasileiro e de uma brasileira, que se erguerá e se somará a milhares de outras sempre que uma nova ameaça contra a floresta surgir. Porque a Amazônia é de todos. E somos #TodosPelaAmazonia.

Assinam:
Artistas, cidadãs e cidadãos (Fonte: G1)

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