Dado de redução de desmatamento citado por Temer na ONU é preliminar, diz Imazon

Nesta terça-feira (19), o presidente Michel Temer discursou 72ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e apresentou um dado de mais de 20% da redução do desmatamento da Amazônia. A organização Imazon, autora do estudo citado por Temer, no entanto, diz que o “dado é impreciso” e que a redução tem uma relação com a queda nos preços no gado, não com uma política aplicada pelo governo.

“O desmatamento é questão que nos preocupa, especialmente na Amazônia. Nessa questão temos concentrado atenção e recursos. Pois trago a boa notícia de que os primeiros dados disponíveis para o último ano já indicam diminuição de mais de 20% do desmatamento naquela região. Retomamos o bom caminho e nesse caminho persistiremos”, disse o presidente em Nova York.

O levantamento publicado pelo Imazon se refere ao período entre agosto de 2016 a julho de 2017, feito por meio do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD). Há quase um mês, o G1 adiantou o dado e mostrou a queda de 21%, o que interrompe uma curva de crescimento após cinco anos.

De acordo com Barreto, o estudo é importante porque ajuda a ter uma sinalização mais frequente da intensidade do desmatamento. O pesquisador conta que, antes, o número apresentado era anual, o que dificultava um acompanhamento e uma resposta mais rápida de proteção.

Porém, Barreto explica que o número é criado por meio de uma análise de imagens com resolução de 250 metros por 250 metros, o que não garante uma alta precisão sobre o que realmente está sob risco ambiental — só consegue filtrar áreas com mais foco de desmatamento.

“É um dado preliminar. Este número mensal é bom porque você consegue responder a casos de desmatamento com mais rapidez. O que nós contestamos é usá-lo como se fosse a taxa final, como se fosse um número preciso”, disse.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) faz um levantamento mais preciso, com resolução de 30 metros por 30 metros, com números divulgados anualmente. De acordo com o Imazon, há a expectativa de que este dado oficial também mostre uma redução do desmatamento no Brasil, mas não necessariamente resultado de uma ação do governo.

“Temer não pode atribuir uma eventual queda à política pública, porque o preço do gado caiu 15% entre 2015 e 2017, o que certamente influencia a redução do desmatamento. Eles [fazendeiros/produtores] ficam menos interessados em desmatar quando o preço está baixo”, disse Barreto.

O presidente recentemente recebeu uma série de críticas e de ações na Justiça devido a decreto para extinguir uma antiga reserva na Amazônia, a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca). A decisão do governo foi contestada por organizações não-governamentais, ambientalistas e celebridades. Segundo o governo, a extinção da reserva não torna irrestrita a exploração mineral na área.

Além disso, em julho deste ano, a Noruega anunciou o corte de metade do repasse ao Fundo Amazônia. Seriam R$ 200 milhões a menos para a proteção da floresta brasileira. Vidar Helgesen, ministro de Clima e Meio Ambiente da Noruega, disse, no entanto, que o valor exato do corte só vai ser definido no final deste ano.

“De acordo com as regras que foram desenhadas pelas próprias autoridades brasileiras, se o desmatamento aumenta, haverá menos dinheiro saindo da Noruega”, disse. “Se o desmatamento diminuir, o dinheiro volta”, ele garantiu. (Fonte: G1)

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