Botânico clona árvore mais antiga de SP e planta no Parque Villa-Lobos

Um botânico clonou uma Figueira das Lágrimas, árvore mais antiga de São Paulo que se tem registro, que possui cerca de 300 anos, e plantou no Parque Villa-Lobos, na Zona Oeste, nesta quinta-feira (21), Dia da Árvore. A ação contou com o apoio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Havia milhares de Figueiras na Mata Atlântica, que foram sumariamente derrubadas para o avanço com o avanço da vila de São Paulo. Entre todas as espécies documentadas, o exemplar da Figueira das Lágrimas sobreviveu. Ele germinou por volta de 1780 e sabe-se que Dom Pedro I descansou sob sua sombra quando estava a caminho da declaração da Independência, em 1822.

A árvore nativa vive na região do Ipiranga e da Rodovia Anchieta, na Estrada das Lágrimas, antiga estrada para o porto de Santos, e também há registro documental de que foi ponto de despedidas de famílias, daí o nome Figueira das Lágrimas.

O botânico Ricardo Cardim decidiu clonar a espécie, que vive cerca de 300 anos, para garantir a perpetuação de sua importância histórica e cultural. “A Figueira das Lágrimas é um monumento vivo, que precisa ser valorizado. Além de ser a única paulistana que presenciou a Independência do Brasil, sabe-se que pelo menos até 1950 ela ainda era venerada pelas pessoas, que faziam piquenique junto a ela”, afirma.

Clonagem – Em 2015, sem ajuda do poder público, o cientista foi atrás de recursos para desenvolver o trabalho. O artista Hugo França doou um trabalho para leilão e o artista Lauro Andrade promoveu o evento.

O dinheiro arrecadado permitiu o contrato do laboratório de Biologia Celular da Universidade de São Paulo (USP) para o procedimento da clonagem.

O botânico explica que um galho da árvore foi submetido a aplicação de hormônios especiais, que permitiu que a muda crescesse e criasse raízes no mesmo galho. Em outras palavras, o galho virou uma árvore.

“Clonamos 30 mudas da Figueira das Lágrimas, mas sobreviveram duas. Foi um processo muito trabalhoso. Deixei algumas mudas no terraço da minha própria casa para garantir todo o cuidado possível”, conta Ricardo Cardim, que esperou que as mudas alcançassem 1,60 m de altura.

Plantio – A primeira muda foi plantada em agosto, na Praça da Paz do Parque Ibirapuera. Apesar do espaço ser gerido pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, o clone já está secando, segundo Ricardo. “A muda do Ibirapuera secou, mas está viva. Minha mãe tem ido regá-la, pra você ter uma ideia do emprenho do poder público”, relata.

A segunda muda foi plantada na tarde de quinta-feira (21), no Parque Villa-Lobos, com o apoio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

“Aqui em São Paulo deram preferência para árvores estrangeiras, em detrimento de espécies nativas. Hoje, 90% das árvores aqui são estrangeiras, vindas da Bolívia, na Ásia, da África”, explica o botânico Ricardo Cardim.

“O exemplar mais antigo da Figueira das Lágrimas continua vivo, espremido entre as construções, e atualmente luta contra uma árvore estrangeira que plantaram ao lado dela. A ideia é trabalhar para que os clones prosperem, e também conseguir recursos para restaurar a antiga árvore”, completa. (Fonte: G1)

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