Sumaré trata 12% do esgoto, aponta relatório Atlas, da Agência Nacional de Águas

Com 12% tratados, Sumaré (SP) tem um dos índices mais baixos de tratamento de esgoto no estado, segundo levantamento do Atlas Esgotos, divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA) no final de setembro. O município alega que são 30%.

E como consequência do baixo tratamento, o Consórcio das Bacias PCJ aponta a mortalidade de peixes e reflexos na captação de água para a população.

Sumaré é cortada pelo Ribeirão Quilombo, que recebe esgoto de seis cidades da região. A situação é tão às claras que do alto é possível ver manchas pretas no Rio Piracicaba, em Americana (SP), que recebe águas do Quilombo

“Temos sim todo impacto da fauna e da flora”, destaca o gerente executivo do PCJ, Francisco Carlos Lahóz.

Para o presidente da Associação Brasileira de Saúde Pública,Gastão de Souza Campos, o despejo de esgoto no Ribeirão Quilombo leva a proliferação de mosquitos, o que explica as epidemias de dengue, chikungunya e zika, transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Pode ainda significar na urbanização da febre amarela.

Em um dos pontos de despejo in natura em Sumaré, o cano fica perto de uma passarela, que une dois bairros.

O cheiro é tão ruim, que moradores levam panos para colocar na frente do nariz para amenizar o odor ao cruzar a ponte.

“É insuportável passar por aqui porque tem esgoto fedendo”, disse a dona de casa Daniela da Silva.

De acordo com dados do governo federal, Sumaré recebeu entre os anos de 2007 e 2011 R$ 107 milhões para a construção de três estações de tratamento.

Nenhuma delas saiu do papel. Apenas a Estação Tijuco Preto teve parte da terraplanagem feita.

Até o ano de 2015, o município era o responsável pelo saneamento. Depois, a Odebrecht Ambiental ganhou uma licitação para explorar o setor na cidade.

Durante investigações da Operação Lava-Jato, um dos delatores da empresa disse aos investigadores que a ex-prefeita Cristina Carrara (PSDB) recebeu R$ 600 mil para a campanha eleitoral de 2012. E logo em seguida, a empresa ganhou a licitação. A ex-prefeita nega irregularidades.

Um relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal concluiu que houve favorecimento à empresa.

Depois do escândalo a Odebrecht vendeu a participação para a BRK Ambiental. A Prefeitura diz não reconhecer este contrato e quer o gerenciamento do saneamento de volta.

A BRK informou esperar um acordo com o Poder Público e que irá investir R$ 300 milhões até o ano de 2022 no saneamento da cidade.

Nos últimos 20 anos, três Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) foram assinados com o Ministério Público, mas nenhum deles foi cumprido.

Em consequência disso, no Jardim Jatobá, uma rua inteira é margeada por esgoto á céu aberto. “Pagamos impostos como um ser humano qualquer, mas convivemos com isso aí”, disse o morador Marcos de Souza.

Sobre a situação do Ribeirão Quilombo, a BRK disse que até 2018 a Estação de Tijuco Preto estará completa.

Desta forma a cidade passará a ter 65% de esgoto tratado. E que segue em negociações com a Prefeitura para cumprir o acordo de 100% tratados até 2022.

Fonte: G1

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