Buraco maior que o estado da Paraíba se abre na Antártida

Camadas de gelo de inverno cobrem o Mar de Weddel, na Antártida, enquanto gigantescos ciclones extra-tropicais pairam sobre o Oceano Antártico nesta imagem de satélite de 25 de setembro de 2017. As linhas azuis representam as margens do gelo. A polínia é a região escura de água aberta no meio da banquisa.
FOTO DE MODIS-AQUA VIA NASA WORLDVIEW; CONTORNOS DO GELO MARINHO DE AMSR2 ASI VIA UNIVERSITY OF BREMEN

Um misterioso buraco maior que o estado da Paraíba foi observado na cobertura de gelo de inverno da Antártida.

A abertura foi descoberta por cientistas há um mês. A equipe, composta por pesquisadores da Universidade de Toronto e do projeto Observações e Modelagens de Carbono no Oceano Antártico (SOCCOM, na sigla em inglês), monitorava a área por satélite depois que um buraco semelhante se abriu no último ano.

A linha azul representa as margens do gelo. A polínia é a região escura de mar aberto no meio da plataforma de gelo.
FOTO DE MODIS-AQUA VIA NASA WORLDVIEW; SEA ICE CONTOURS FROM AMSR2 ASI VIA UNIVERSITY OF BREMEN

Conhecido como polínia, o buraco deste ano tinha cerca de 78 mil km2 (a Paraíba tem 56 mil km2) no tamanho máximo – a maior polínia observada no Mar de Weddel, na Antártida, desde a década de 1970.

“No auge do inverno, por mais de um mês, tivemos essa área de água aberta”, diz Kent Moore, professor de física na Universidade de Toronto. “É impressionante que essa polínia desapareceu por 40 anos e voltou.”

O rigoroso inverno antártico dificulta encontrar buracos como esse – estudá-los é uma tarefa complicada. É o segundo ano seguido que uma polínia é formada, mas o buraco do ano passado não era tão grande. Alertados pela descoberta do último ano, cientistas já monitoravam a área em busca de polínias.

As águas do fundo do Oceano Antártico são mais quentes e salgadas que as da superfície. Correntes oceânicas empurram as águas quentes para cima, derretendo camadas de gelo formadas sobre a superfície do oceano. O derretimento criou a polínia.

Como o buraco expõe a água à atmosfera, é mais difícil que novas camadas de gelo se formem. Quando em contato com o ar frio, a água mais quente resfria e, consequentemente, afunda. Depois, reaquece nas profundezas e reinicia o ciclo.

Moore diz que a equipe trabalha para entender o que está causando a formação desses buracos depois de tantos anos. Ele acha provável que mamíferos marinhos estejam usando a abertura para respirar.

O resfriamento das águas mais quentes ao atingir a superfície pode ter amplo impacto na temperatura do oceano. No entanto, para Moore, além dos efeitos no clima local, os cientistas ainda não tem certeza do significado que a polínia pode ter no clima e nos oceanos da Antártida. Ele também não sabe dizer se o evento está relacionado com as mudanças climáticas.

“Nós realmente não entendemos o impacto a longo prazo da polínia”, diz.

Fonte: National Geographic

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