Palestra sobre reprodução de peixes para alunos de pós-graduação divulga simpósio internacional

Transplante de células-tronco germinativas e transgênese em peixes foi o foco da palestra ministrada pelo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), o doutor em Biologia Celular, Luiz Renato de França. A atividade aconteceu no Auditório da Ciência, na segunda-feira (16), para pesquisadores e alunos de pós-graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior (Badpi/Inpa). Na ocasião, o diretor também divulgou o 11º Simpósio Internacional sobre Fisiologia da Reprodução de Peixes (ISRPF), que acontecerá em Manaus (AM), em junho de 2018.

“Esta é uma oportunidade de mostrar a ciência e os trabalhos desenvolvidos na área de reprodução de peixes para os alunos do curso de pós-graduação”, diz França, um dos integrantes do grupo de pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que realiza estudos sobre a biologia da reprodução de vertebrados, que vai de peixes até o homem. “Atualmente, nossos trabalhos estão focados em duas vertentes principais: mamíferos e peixes”, acrescenta.

Durante a palestra, França apresentou como um dos resultados do grupo de pesquisa o transplante/enxerto que é a introdução de células e fragmentos testiculares na região subcutâneas do dorso de camundongos imunodeficientes para a produção de espermatozóides férteis. “Esta técnica está bem estabelecida em mamíferos, mas já existem alguns trabalhos com peixes”, explica o pesquisador.

Para ele, as técnicas apresentadas, principalmente o transplante de espermatogônias-tronco, apresentam enorme potencial, especialmente em espécies de peixes que servem como modelos experimentais usados em laboratório, a exemplo da tilápia que ao mesmo é uma das principais espécies de produção mundial em aquicultura.

No Inpa, trabalhos nesta importante linha de pesquisa já vêm sendo realizados com pirarucu, que é o peixe símbolo do Simpósio, em colaboração com o grupo de pesquisa liderado pela pesquisadora Elizabeth Gusmão. Também há em parceria com o pesquisador Jansen Zuanon a possibilidade de se preservar espécies de peixes amazônicos em perigo de extinção.

Conforme França, além de estabelecer o modelo, um dos principais aprendizados, nesses quase 15 anos de pesquisas, é que quando se cria ou preserva células germinativas-tronco, as células germinativas de mais alto potencial para colonizar os testículos (aquelas quiescentes) sobrevivem melhor.

“Assim, a técnica de criopreservação não deixa de ser um bom critério de seleção de células-tronco”, diz. A criopreservação faz parte de um conjunto de técnicas que permite conservar células a temperaturas muito baixas (196º C negativos) e por tempo em tese ilimitado com o uso de nitrogênio líquido.

França explica que os estudos desenvolvidos na UFMG passaram por várias etapas. A primeira foi a padronização de todas as técnicas de preparação e seleção das células do doador e de preparação das gônadas dos peixes receptores; a segunda, o transplante propriamente dito de espermatogônias-tronco em tilápias; a terceria, foi a padronização das técnicas de criopreservação.

“Outra etapa importante foi o conhecimento da biologia das células-tronco com marcadores para selecionar estas células e depois o seu cultivo e modificação com lentivírus para o transplante e assim a produção de peixes transgênicos”, explica.

ISRPF

Presidido por França, o Simpósio será realizado de 03 e 08 de junho de 2018, no Hotel Tropical, pela primeira vez na América Latina, e contará com a participação de renomados especialistas da América do Norte, Europa, Ásia e outros países da América Latina além do Brasil. A expectativa é reunir em Manaus cerca de 300 a 400 acadêmicos, especialistas e profissionais de diversos continentes.

O objetivo do Simpósio é estimular a discussão e o aprendizado sobre as mais recentes descobertas científicas na área de fisiologia reprodutiva em peixes com enfoque nas novas fronteiras em diversidade reprodutiva num ambiente em mudança. O evento é realizado a cada quatro anos.

Para França, a expectativa dos organizadores do evento é realizar um simpósio com a expressiva presença da comunidade internacional e brasileira. “E como o evento será realizado em Manaus, seria interessante também ter a participação da comunidade científica local com pesquisadores e alunos de pós-graduação da região Norte, principalmente, de Manaus”, diz. “Portanto, o simpósio é uma oportunidade imperdível de se interagir com pesquisadores internacionais”, ressalta.

O simpósio internacional, pelo lado brasileiro, já conta com o apoio do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/Manaus), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Nilton Lins (Manaus/AM), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Amazônia Ocidental (Embrapa/Manaus, AM), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade Estadual Paulista (Unesp/Botucatu), Universidade de São Paulo (USP) e Centro de Aquicultura da Unesp (Caunesp/Jaboticabal).

Fonte: Inpa

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