Técnica britânica pode recuperar bacias hidrográficas da Amazônia e Pantanal em MT

Destaque na terceira e última audiência pública sobre políticas públicas de revitalização das bacias hidrográficas, o projeto ReNaturalize propõe a restauração fluvial por meio de materiais naturais como troncos, galhos e folhas de árvores. A técnica britânica, que pode recuperar serviços ecossistêmicos em rios brasileiros degradados, foi apresentada na Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado Federal para embasar o relatório do senador mato-grossense José Aparecido – Cidinho Santos (PR).

O debate sobre as políticas públicas de revitalização das bacias hidrográficas, registrou êxito acima do esperado e deve servir como referência para futuras discussões. No caso do ReNaturalize, do Instituto Aplysia, a eficácia já foi comprovada na bacia do Rio Mangaraí, no Espírito Santo. Assim, o debate parte agora para a exploração sustentável das bacias da Amazônia Legal e do Pantanal de Mato Grosso.

O Estado é o único brasileiro que  possui três ecossistemas: Pantanal, Cerrado e Amazônia. A Bacia do Pantanal é a que inspira maiores cuidados, pois recebe parcela considerável de dejetos da região metropolitana de Cuiabá. O rio Cuiabá é o amior afluente da Bacia do Paraguai, que forma a histórica  Bacia do Prata, desde Cáceres até Montevidéu (Uruguai).

Dentre os resultados positivos apresentados pela presidente do Instituto, Tatiana Heid Furley, estão a melhoria da qualidade da água, aumento da diversidade hidromorfológica do canal, estabilização das margens, reabastecimento do lençol freático e a integração da comunidade.

“Precisamos trabalhar na causa do problema, não esperar chegar na calha principal do rio, com técnicas simples e de baixo custo. A impressão que eu tenho é que o Brasil ainda não acordou que precisamos da água. Assim como acontece em outros países, vamos ter que adotar os rios”, afirma Tatiana.

O professor Apolo Heringer Lisboa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), corroborou com a adoção de medidas descentralizadas e simples, que são adotadas pela comunidade. “As grandes obras têm um impacto ambiental grande. É melhor estações de tratamento de esgoto pequenas espalhadas pela cidade do que uma superestação. Na natureza tudo não é pequenininho?”, explicou o professor da UFMG.

Apolo defendeu a “ecologização” da economia, ou seja, subordinar as práticas econômicas às possibilidades de sobrevivência do ecossistema.

“Pequenos danos ao meio ambiente, feitos de maneira planejada, subordinados a regras ambientais, são aceitáveis. O meio ambiente vai gerar mais renda, mais postos de trabalho. O que não podemos é fazer tudo errado e depois tapar buracos como o que está acontecendo no Nordeste e em vários estados”, afirmou Apolo Heringer Lisboa.

Fonte: Olhar Direto ( Ronaldo Pacheco)

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