Pesquisadores alertam população de Benjamin Constant sobre doenças causadas pelo Aedes Aegipty

Para falar sobre os mosquitos vetores da malária (anofelinos), dengue, chikungunya e zika (Aedes Aegipty) e levar ao conhecimento do público a situação atual dessas doenças e as principais ações de controle, os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), Wanderli Tadei e Rosemary Roque, fizeram palestra, na tarde de terça-feira (7), para os moradores de Benjamim Constant.

A atividade, que aconteceu na Biblioteca Municipal de Benjamin Constant, contou com a presença do diretor do Inpa Luiz Renato de França e fez parte da programação do Amazonlog, exercício multinacional do Exército Brasileiro, que acontece em Tabatinga. A mesma programação do Inpa acontece em Tabatinga nesta quarta-feira (8), no Colégio GM3. Na quinta-feira (9), a atividade continua, mas com oficinas e exposições no ginásio do mesmo colégio.

“O Inpa sente-se honrado em trazer grandes pesquisadores para falar para a população de suas áreas de conhecimento e pesquisa”, destacou o diretor do Inpa.

De acordo com Tadei, a malária este ano teve um comportamento atípico no Brasil, sendo que em alguns lugares o número de casos aumentou. Em 2015, houve 168.123 casos, em 2016 foram notificados 91.480 casos e, em 2017, 129.388 casos. No Amazonas, foram 36.488 casos (2016) subindo para 58.269, em 2017.

Para o pesquisador, isso precisou ser colocado como um tema para se discutir com a plateia e para que a população entenda como se dá a transmissão, a forma de controle, como esses mecanismos são feitos e quais os efeitos esperados.

“Assim, a população fica conscientizada, passando a exigir dos órgãos controladores atividades dessa natureza, voltadas especificamente para esse vetor, tendo em vista que a malária aumentou praticamente no país todo”, diz Tadei.

Já a pesquisadora Rosemary Roque, vinculada ao Laboratório de Malária e Dengue, liderado pelo pesquisador Tadei, falou sobre a biologia e o comportamento do Aedes Aegypty, vetor de três doenças de grande importância (arboviroses), a dengue, a chikungunya e a zika.

O mosquito tem hábitos diurnos (se alimenta durante o dia) e uma biologia reprodutiva que favorece a sua proliferação e consequentemente a transmissão dessas doenças. O ovo desse mosquito pode permanecer seco até aproximadamente um ano e meio quando volta a eclodir (nascer mosquitinhos).

Segundo a pesquisadora, em 2015, o país teve a maior epidemia de dengue registrada chegando a 1,6 milhão de casos com 854 mortes. Em 2016, situação continuou quando foram registrados um grande número de casos, chegando a 1,485 milhão de notificações com 686 óbitos. Em 2017, a situação melhorou com uma redução das doenças (zika, chikungunya e dengue) em todo o país.

Com referência ao vírus chikungunya, em 2016, houve 277.882 notificações e 207 óbitos. Em 2017, houve uma redução com 180.430 notificações com 123 óbitos e ainda estão em investigação 146. No Amazonas, em 2016, foram 721 casos, em 2017, 254. Quanto à zika, no Amazonas, foram 721 notificações (2016) reduzindo para 254 casos (2017).

“O vetor que transmite a doença é o mesmo, embora os vírus sejam diferentes”, diz Roque ao acrescentar que o vetor está presente em todo território nacional. “Uma vez que tenha uma pessoa infectada com essa doença, o mosquito se alimenta do sangue dessa pessoa, se contamina e, a partir daí, contamina outras pessoas também”, destaca.

Outros assuntos também foram discutidos por pesquisadores do Inpa, no auditório da Biblioteca Municipal de Benjamin Constant, como a “Incidência de Doenças Negligenciadas no Estado do Amazonas (DTN): vulnerabilidade e redução do risco” pela pesquisadora Antonia Franco.

A pesquisadora explica que as epidemias, em particular, muitas vezes são ocasionadas por grandes desastres naturais ou pela relação que existe na tríade ecológica entre as doenças. “As epidemias representam um tipo de desastre biológico, mas para ser considerado como tal é preciso que haja pelo menos a morte mínima de dez pessoas ou afetar cem ou mais indivíduos, motivando uma declaração de emergência naquela região devido à ocorrência deste desastre”.

As Tecnologias Sociais no Inpa também foram destacadas pela coordenadora da área, Denise Gutierrez. Segundo ela, a Coordenação de Tecnologia Social tem a missão de desenvolver tecnologias relevantes para a sociedade amazônica para promover a inclusão social e o desenvolvimento sustentável.

“Quando se fala de ciência e Tecnologia Social se parte do princípio de que a ciência já tem conhecimento e várias repostas que se bem aplicadas são efetivas, podem ser de baixo custo e de baixa complexidade para resolver problemas reais”, diz.

A coordenadora citou entre as tecnologias sociais desenvolvidas pelo Inpa os produtos verdes para construção civil, como as placas para forro e divisórias de resíduos florestais não madeireiros, e o equipamento de desinfecção solar de água, que é um arranjo tecnológico inovador para acesso à água potável testado com sucesso em aldeias remotas na região amazônica. Cerca de 50 unidades do equipamento já foi instalada em diversos lugares na Amazônia e dois na África.

Sobre o Amazonlog

O exercício militar multinacional, o AmazonLog em Tabatinga, mobiliza cerca de dois mil pessoas de 23 países, entre participantes e observadores. Teve início na última segunda-feira (6) e prossegue até o próximo dia 13, no município de Tabatinga, na tríplice fronteira entre o Brasil, Peru e Colômbia.

Participaram do Workshop do Inpa, em Benjamin Constant, secretários municipais de saúde e turismo, representante da secretaria de educação e de gabinete. Também compuseram a mesa de abertura a professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Ivanilce Castro e a enfermeira da secretaria de saúde de Benjamin Constant e integrante da ONG Fundación Caminos de Identidad (Fucai).

Fonte: Inpa

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