O que precisamos saber sobre o barulhento vulcão de Bali

Moradores da ilha indonésia de Bali estão prendendo a respiração enquanto esperam pela erupção iminente do Monte Agung, um vulcão ativo que ameaça cobrir parte da ilha de cinzas, lava e fluxos de lama. Abalos sísmicos foram detectados no final de setembro, e indicavam que o barulhento vulcão está prestes a despertar, mas cientistas não estavam certos de quando esses estrondos se concretizariam.

Agora, dois meses depois, parece que o vulcão cumprirá sua promessa. Pequenas erupções iniciaram-se na terça-feira, 21 de novembro, e no sábado, 25, elas começaram a acelerar. Vulcanologistas dizem que uma grande erupção pode ser iminente.

Leia a seguir cinco coisas que você precisa saber sobre esse perigo em evolução.

1. As pessoas correm perigo?

Na noite de domingo, o governo indonésio emitiu uma ordem de evacuação para 100 000 pessoas que vivem no nordeste de Bali. Este número soma-se aos quase 40 000 habitantes que já haviam sido deslocados no país desde setembro.

Milhares de turistas também fugiram da popular ilha da nação.

A última vez que o Monte Agung entrou em erupção foi em 1963, e quase duas mil pessoas morreram.

Ainda não se sabe exatamente quando a erupção do Agung pode acontecer – erupções vulcânicas são notoriamente imprevisíveis –, mas a atividade recente sugere que mais “fogos de artifício” são possíveis.

2. Aliás, o que é o Monte Agung?

Para entender o que torna o Monte Agung tão poderoso, é importante saber um pouco sobre seu histórico geológico.

Nas 13 mil pequenas e grandes ilhas que compreendem a Indonésia, existem 78 vulcões ativos. De acordo com o Programa Global de Vulcanismo, da Instituição Smithsonian (em inglês), apenas o Japão ultrapassa a Indonésia em números de erupções. Mas, de longe, a Indonésia tem visto o maior número de mortes causadas por vulcões, porque as pessoas vivem bem próximas das regiões vulcanicamente ativas. Um estudo de 1600 a 1982 estima que 160 000 mortes foram causadas por um vulcão indonésio em erupção.

3. Bali está no Anel de Fogo do Pacífico?

A Indonésia situa-se ao longo de uma região em formato de U invertido, chamada Anel de Fogo. Essa área, que forma um arco do leste da Austrália, ao norte no Alasca e até a costa oeste da América do Sul, é a mais sismicamente ativa do mundo. E onde há atividades sísmicas existem vulcões. Na verdade, cerca de 90% dos vulcões ativos situam-se no Anel de Fogo.

O Agung, por sua vez, fica em uma região do Anel de Fogo chamada Arco de Sonda, que se curva pela metade inferior da placa tectônica de Sonda. Ao sul, a placa indo-australiana está aos poucos sendo forçada para baixo. Essa zona de subducção convive com um atrito considerável entre as duas placas, e, com o tempo, a pressão estala e gera terremotos. Parte da placa subduzida derrete no calor interno da Terra, e isso pode criar o magma. Menos denso do que as pedras ao redor, esse magma sobe para a superfície e, consequentemente, resulta em erupções.

4. Como a erupção tem progredido?

Em uma entrevista ao veículo de notícias RTE News at One, Mark Tingay, vulcanologista da Universidade de Adelaide, disse que o magma nessa parte do mundo é altamente viscoso. Isso pode fazer com que mais bolhas de gás fiquem presas nele, o que cria condições mais explosivas.

Tingay também observou que, desde sábado, 25 de novembro, o vulcão tem evoluído de uma erupção freática – explosões caracterizadas por vapor, água e cinzas – para uma fase magmática na qual o magma quente explode por baixo.

5. O que esperar a seguir?

O centro de monitoramento vulcânico MAGMA Indonesia (em inglês) tem atualizado localmente os residentes sobre a atividade do vulcão ao longo dos últimos meses. Eles observaram que, baseado na erupção de 1963, há quatro perigos em potencial em relação ao Monte Agung: fluxos piroclástico e de lava, lançamento de cinzas e deslizamentos de terra.

De acordo com o Observatório Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), fluxos piroclásticos são caracterizados por um fluxo quente de cinzas, gás, blocos de lava aquecidas e pedras-pomes que correm em alta velocidade pelo declive do vulcão. Esses fluxos normalmente possuem fragmentos grossos que fluem ao longo de sua metade inferior e gás cinzento aquecido flutuando na superfície. Além de carregar fragmentos quentes, fluxos piroclásticos são velozes. Alguns podem chegar a 80,5 quilômetros por hora e são conhecidos por destruir tudo que encontrarem pelo caminho.

Por outro lado, fluxos de lava viscosa movem-se muito mais devagar e têm o potencial de prender bolhas de gás que explodem.

Janine Kippner, vulcanologista da Universidade de Pittsburg, apontou no Twitter que o lançamento de cinzas espessas, de 1,6 metros, podem cobrir tudo a um raio de 14,5 quilômetros do pico do Monte Agung. Mover-se através dessa nuvem de cinzas sem máscaras protetoras pode implicar às pessoas complicações respiratórias.

Quando combinado com chuvas, observou Kippner, a queda de cinzas pode criar uma avalanche de lama chamada lahar. Como apontou Tingay em sua entrevista, lahars às vezes são mais perigosos do que a erupção inicial. O USGS informa que lahars geralmente iniciam-se pequenos, mas crescem em volume e velocidade conforme movem-se ladeira abaixo. Como inundações feitas de concreto em movimento, lahars são extremamente destrutivos e impossíveis de escapar.

Fonte: National Geographic Brasil

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