No Fórum Econômico Mundial que começa semana que vem, temas recorrentes sobre o futuro da humanidade

Na próxima terça-feira (23) vai começar o World Economic Forum (WEF) em Davos, pequena cidade nos Alpes Suíços. Durante três dias, líderes de corporações multinacionais vão se misturar a líderes de nações para debater sobre tópicos considerados por eles importantes para o futuro da humanidade. Economia global, preços de commodities e questões ambientais estão nessa lista. Tem sempreum discurso de abertura e um fechamento, que este ano está reservado para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

E Mr. Trump já vai chegar à bela cidade suíça enfrentando críticas severas sobre sua abordagem com relação às mudanças climáticas. Em comunicado, a equipe que organiza o encontro, liderada pelo idealizadorKlaus Schwab, destacou que o “unilateralismo do Estado-nação” (sim, evitaram dar nome aos bois) torna bem mais difícil combater o aquecimento global e seus danos ao meio ambiente e às pessoas.

Alguns eventos marcam sempre os dias que antecedem o Fórum, e geralmente são protagonizados por organizações não-governamentais que aproveitam a ocasião para dividir os holofotes com as celebridades e, assim, fazer chegar à opinião pública questões sérias. A Oxfam, por exemplo, focada em pobreza, tem assento garantido nas mesas de debates e busca sempre atualizar os dados sobre desigualdade social no mundo. No ano passado, sob o título “Uma economia para o 1%”, a organização lançou um relatório denunciando que os indivíduos mais ricos do mundo escondem 7,6 trilhões de dólares das autoridades em paraísos fiscais. Um privilégio usado para distorcer o sistema econômico, aumentando a distância entre os mais ricos e o resto da população.

Para este ano, a Oxfam Brasil já está nas redes sociais com uma provocação usando a hashtag “Assim não,Davos!”. Sim, o mundo tem produzido muita riqueza, diz o texto que prenuncia um próximo relatório, mas a maior parte dela, ou seja, quase sua totalidade, tem ficado com uma parte mínima da população, o famoso 1% mais rico. Enquanto isso, milhões se confinam numa luta eterna para tentar sobreviver com alguma dignidade.

Andei buscando informações sobre o evento, que foi realizado pela primeira vez em 1971. Descobri algumas reflexões interessantes em sites atuais, que compartilho com vocês. Foi feita uma pesquisa global de percepção de riscos entre os participantes do Fórum deste ano, por exemplo, segundo o site do jornal “The Sun”, e o resultado mostrou que  mais de nove em cada dez especialistas têm uma grande preocupação com a pegada de Donald Trump como administrador da nação mais rica. O fato de ele procurar se mostrar sempre como o “homem forte” para a América tem provocado uma certa onda de outros “homens fortes”. Virou quase uma tendência, advertem eles, seguida por China, Japão, Rússia, Turquia, Filipinas e outros lugares.

A questão é que isso pode causar um agravamento do confronto econômico ou político entre as potências mundiais. Quatro entre cinco entrevistados esperam risco de guerra e temem, verdadeiramente, um conflito nuclear entre Estados Unidos e Coreia do Norte. Não se pode criticá-los, diante dos últimos acontecimentos.

A pesquisa mostrou ainda que a chegada de Trump à Casa Branca em 2017 coincidiu com um aumento acentuado da preocupação com o meio ambiente entre os especialistas entrevistados pela organização suíça. O ano foi caracterizado por furacões de alto impacto, temperaturas extremas e o primeiro aumento nas emissões de CO2 por quatro anos. E a perda de biodiversidade ocorreu a taxas de extinção em massa, observando que as populações de espécies de vertebrados diminuíram em 58% estimado entre 1970 e 2012.

A questão dos refugiados certamente vai ser um dos temas também bastante debatido no encontro, já que 65 milhões de pessoas em todo o mundo estão nessa situação atualmente.

“Quase 1 em cada 110 pessoas está fugindo de guerra ou perseguição. Isso não pode ser gerenciado por uma única nação, órgão de governo ou organização multinacional sozinho”, diz um texto escrito esclusivamente para o site do World Economic Forum.

Assinado por Erik de Castro, da Reuters, o texto conta que há um movimento interessante mundo afora, unindo empresas multinacionais que trabalham junto com os governos para acolher pessoas que fogem de seus países por conta de pressões políticas ou climáticas.

“Os refugiados são o tecido das nações. Eles fizeram e continuam a fazer grandes contribuições para sociedades, governos e economias”, lembra Castro.

No texto há uma entrevista com Madeleine Albright, ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, ela própria uma imigrante e refugiada. Albright lembra ainda que 40% das maiores empresas norte-americanas foram fundadas por imigrantes e refugiadosou seus filhos. Com este apelo, o chamado é forte para que as multinacionais passem a ajudar no processo de acolher os refugiados, parar de vê-los como pobres coitados e entender que ali pode haver excelentes potenciais para ajudar na construção de economias fortes. Por que não?

O discurso de abertura do Fórum será feito por Naredra Modi, o primeiro ministro indiano. Espera-se que Modi vá até lá para dizer às autoridades competentes que a Índia está aberta a investimentos globais, já que é uma economia aberta. Mas, além de Trump, o discurso mais esperado é o do presidente da França Emmanuel Macron. Ultimamente o francês tem falado muito sobre uma integração real da União Europeia, e já vem se posicionando como uma liderança também nas questões climáticas.

Ainda tendo o clima como linha de debate, os participantes do Fórum vão poder assistir ao mais recente filme do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore,chamado “One Inconvenient Sequel: Truth to Power”. É um chamado para que se intensifique a luta contra as mudanças climáticas.Malala Yousafzai será outra das celebridades que certamente vai trazer holofotes mundiais para o encontro. A mais nova Prêmio Nobel da Paz vai intensificar seu discurso a favor do acesso igualitário das meninas às salas de aula em todo o mundo.

E assim, com temas recorrentes sobre o estado do mundo, durante três dias alguns assuntos que costumamos abordar aqui neste espaço serão debatidos por pessoas capazes de tomar decisões para tentar mudar, realmente, alguma coisa. Vamos acompanhar.

Fonte: Amelia Gonzalez  G1

Esta entrada foi escrita emClipping e tags ,