Proteger meio ambiente é última desculpa da China para perseguir negócios de Taiwan

As empresas e empreendedores taiwaneses que operam e investem na China enfrentam muitos riscos: serem enganadosintimidados e espancados pela máfia local e enredados nas lutas políticas internas locais; tudo isso sem qualquer tipo de recurso legal.

O último obstáculo vem sob a forma de regulamentos restritivos de proteção ambiental que sufocam os negócios, forçando-os a fechar.

Desde que a China promulgou leis para abrir o comércio e negócios com Taiwan na década de 1990, muitas empresas da ilha do outro lado do estreito aproveitaram a oportunidade do grande mercado da China.

No entanto, para alguns, os investimentos não tiveram benefícios.

No final do ano passado, um documento vazado online revelou que a cidade de Kunshan, na província de Jiangsu, um centro para as empresas de Taiwan, ordenou que 270 fábricas parassem sua produção de 25 de dezembro a 10 de janeiro porque a qualidade da água potável local não era padrão. Cerca de metade das empresas afetadas eram taiwanesas, de acordo com a BBC.

A diretiva foi emitida por um escritório do governo local dedicado à implementação do projeto “263” das autoridades provinciais para melhorar a qualidade do ar e da água, que incluiu medidas a serem atingidas com metas numéricas específicas até o ano 2020.

As autoridades chinesas são conhecidas por executarem zelosamente políticas em nome de atingir metas e ganhar pontos políticos: desde reduzir a poluição do ar, forçando os cidadãos a usarem gás natural em vez de carvão, fazendo com que aqueles em áreas sem infraestrutura adequada vivam sem aquecimento durante períodos congelantes do inverno, até exagerar os números da receita local para parecer mais economicamente produtivos. O projeto 263 também inclui metas para minimizar a queima de carvão na região.

A cidade de Zhuhai, na província de Guangdong, também anunciou no final de dezembro que, devido às condições climáticas antecipadas e à probabilidade de poluição do ar, o departamento provincial de proteção ambiental solicitou 75 empresas, quatro das quais são taiwanesas, que limitassem a produção de 26 a 29 de dezembro, de acordo com o jornal taiwanês United Daily News.

Em 4 de janeiro, a mídia taiwanesa informou que uma fábrica pertencente à fabricante de móveis taiwanesa Lacquer Craft na cidade de Dongguan, província de Guangdong, emitiu um aviso anunciando seu encerramento.

A empresa disse que os severos regulamentos ambientais causaram grandes perdas financeiras, levando à decisão de parar a produção em 1º de fevereiro. Cerca de dois mil funcionários da fábrica foram demitidos com indenização, de acordo com a emissora taiwanesa Sanlih Television.

A fábrica começou a operar em 2005. De acordo com o jornal taiwanês Liberty Times, um desenvolvedor imobiliário local queria que a fábrica fosse removida porque a área próxima estava se tornando um bairro residencial. Ele delatou repetidamente a Lacquer Craft ao escritório de proteção ambiental de Dongguan, afirmando que a fábrica estava produzindo resíduos com um cheiro estranho. No entanto, o escritório não encontrou qualquer problema após inspeções.

O escritório disse que, de acordo com seus registros, a fábrica se registrou em outubro de 2014 e foi bem-sucedida numa inspeção em janeiro de 2016, informou o Liberty Times.

A mídia taiwanesa Central News Agency informou que, apesar da inspeção aprovada, as autoridades locais classificaram a empresa como uma das “10 principais empresas poluidoras ambientais em Dongguan” em 2015 e 2016.

As empresas taiwanesas não são estranhas às malversações do governo que resultam em perdas comerciais. Kao Wei-pang, fundador da Associação de Vítimas Taiwanesas de Investimento na China, contou sua própria história de um empreendimento chinês em que ele outrora investiu. O vice-gerente-geral não apenas o expulsou do empreendimento, mas conspirou com os funcionários de um banco local para estabelecerem uma empresa rival.

A organização de Kao divulga os casos de empresários taiwaneses que foram enganados, erroneamente presos e até mesmo mortos enquanto conduziam negócios na China. Há mais de 60 mil casos de vítimas registradas na China, com perdas de investimentos totais estimadas em US$ 30 bilhões, de acordo com a associação.

Fonte: Epoch Times

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