Para proteger o meio ambiente, empresa investe em parques

A inauguração de um memorial sobre o Rio Iguaçu no Parque da Imigração Japonesa, em Curitiba, na esteira das comemorações do aniversário da cidade, é parte de um panorama maior de investimentos da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) em proteção ambiental, com foco maior na conscientização. A construção inacabada e até então inutilizada na Avenida das Torres será inaugurada na semana que vem e custou cerca de R$ 900 mil aos cofres da empresa.

“O parque abrigará um conjunto de atividades para sensibilizar, mobilizar e promover a reflexão da sociedade sobre a problemática ambiental, a preservação dos recursos hídricos e o papel de cada cidadão neste cenário”, explicou o presidente da Sanepar, Mounir Chaowiche. Nesta semana, teve início a limpeza dos lagos localizados na área.

Entre 2015 e 2017, de acordo com balanços anuais disponíveis no Portal da Transparência, a Sanepar investiu R$ 7,7 milhões em proteção ambiental – metade apenas no ano passado. Os manejos em parques acontecem simultaneamente em Guarapuava, Quatro Barras, Colombo, Campina Grande do Sul, Itaperuçu, Campo Largo, Araucária e na própria capital.

Parque da Imigração Japonesa foi planejado para comemorar o centenário da imigração daquele país. Foto: Giuliano GomesParque da Imigração Japonesa foi planejado para comemorar o centenário da imigração daquele país. Foto: Giuliano Gomes

Segundo o Departamento de Meio Ambiente e Ação Social da companhia, os investimentos em grandes áreas verdes e espaços compartilhados nos municípios dobraram depois da implementação do Sistema de Gestão Ambiental Corporativo, em 2014.

Glauco Requião, diretor do Departamento, afirma que os investimentos fazem parte de um novo conceito dentro da empresa. “É uma nova postura da Sanepar em relação às questões ambientais, principalmente para uma empresa vocacionada para o saneamento. Nós devemos atuar extramuros, parar de olhar para dentro e olhar o ambiente como fonte dessa matéria prioritária. Por isso a preocupação com os mananciais, com ações conjuntas com a sociedade”, pondera.

Os parques de Quatro Barras e Campina Grande do Sul, por exemplo, serão construídos em áreas desocupadas da própria Sanepar. Os projetos pretendem preservar os rios que desembocam na Represa do Iraí, que abastece boa parte de Curitiba e região metropolitana. Em Colombo, a companhia investe na construção de um parque sobre o Rio Palmital, que tem bacia bastante prejudicada em função da erosão, segundo Glauco Requião. O projeto ainda prevê a despoluição na área.

“A linha de investimentos em parques dentro da empresa é incentivada em parcerias com as prefeituras. Nós também ajudamos na concepção e projeto de parques abandonados. É um modelo ambiental de durabilidade”, completa Requião.

Importância dos parques

De acordo com Luiz Carlos Balsevick, agrônomo, mestre em Ciências Florestais e professor da PUCPR, a Sanepar (braço do poder público de atuação na área) e a sociedade “têm uma dívida” com a natureza. Nesse sentido, ele comemora os investimentos. “Sempre é tempo de realizar a recuperação das áreas desflorestadas, portanto sempre é benéfico para as comunidades (urbana e rural) o plantio de árvores, principalmente as nativas”, afirma.

Balsevick ressalta que o Paraná ainda tem problemas sérios em relação aos seus recursos hídricos: erosão, rios com pouca mata ciliar (das margens), bastante assoreados e com grande volume de argila. Esse panorama favorece as elevações dos níveis dos rios em períodos muito chuvosos, e, consequentemente, as enchentes, principalmente em cidades menos estruturadas. Para o especialista, esse cenário é fruto de decisões irresponsáveis de alguns agricultores, principalmente em relação a plantios “morro abaixo” para facilitar o tráfego de grandes máquinas. “Isso leva material orgânico para o leito dos rios”, completa.

“Estamos devendo para os rios. Não existem incentivos para os produtores de água, que são aqueles que conservam nascentes, protegem o solo, controlam a erosão e fazem o cultivo sustentável sem a camada compactada, sem trabalho de revolvimento do solo, sem danos ao meio ambiente e biodiversidade”, afirma o especialista. “Esse recurso natural é indispensável para a nossa sobrevivência, por isso todo o ato de plantio tem um caráter educativo, pode ser implementado com boa repercussão para as gerações mais novas, leva com que as próprias crianças fiquem mais antenados e contrários ao desmatamento, perdas de biodiversidade”.

Parque fica ao lado do Rio Iguaçu, na RMC. Foto: Reprodução/Google MapsParque fica ao lado do Rio Iguaçu, na RMC. Foto: Reprodução/Google Maps

É uma nova postura da Sanepar em relação às questões ambientais, principalmente para uma empresa vocacionada para o saneamento. Nós devemos atuar extramuros, parar de olhar para dentro e olhar o ambiente como fonte dessa matéria prioritária. Por isso a preocupação com os mananciais, com ações conjuntas com a sociedade

Para o presidente da Sanepar, Mounir Chaowiche, o intuito é de construir um legado ambiental. “Nós temos que ter essa preocupação de não só investir na infraestrutura de captação, se não tivermos água de qualidade em nossos mananciais. Então, esses investimentos em parceria com prefeituras para a construção de parques contribuem para a preservação de muitos mananciais e para a educação ambiental, porque quem frequenta um parque desperta em si a questão do cuidar do meio ambiente”, afirmou durante a inauguração do Jardim Europeu do Parque Natural Municipal das Araucárias, em Guarapuava, no começo do mês.

Os parques

Parque da Imigração Japonesa

O Parque da Imigração Japonesa foi inaugurado em 2012 pelo ex-prefeito Luciano Ducci (PSB), mas nunca foi aberto à população. No ano passado, a Sanepar assumiu os custos da manutenção (cerca de R$ 30 mil por mês) e a gestão completa da área, que fica sobre o Rio Iguaçu, um dos mais importantes do Paraná.

O espaço vai contar com o memorial sobre o Rio Iguaçu, um mapa interativo dos recursos hídricos do estado, auditório para 130 pessoas, campo de futebol para moradores da região e ainda uma ciclovia de sete quilômetros que vai ligar o museu ao Parque Náutico – no aniversário de 325 anos da cidade, será entregue o primeiro trecho, de quase três quilômetros.

O espaço também receberá alunos dos ensinos fundamental e médio, entre terça a sexta-feira, das 9h às 17h. Aos sábados e domingos, o espaço estará aberto a toda comunidade, com visitas mediadas em horários específicos no período em que ficar aberto ao público.

O espaço também conta com apoio da Associação Cultural e Beneficente Nipo-Brasileira de Curitiba (Nikkei Curitiba), fruto das comemorações de 110 anos da chegada dos imigrantes ao Paraná.

Parque das Araucárias

Parque das Araucárias fica em Guarapuava, na região central do estado. Foto: Prefeitura de GuarapuavaParque das Araucárias fica em Guarapuava, na região central do estado. Foto: Prefeitura de Guarapuava

O Jardim Europeu do Parque Natural Municipal das Araucárias recebeu investimento R$ 889 mil da Sanepar. O parque é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, área protegida por lei por causa da abundância de recursos naturais. O espaço foi criado em julho de 1991 e tem 104 hectares, com cerca de 4 mil araucárias.

Parque Linear do Timbu

O Parque Linear do Timbu será construído em uma área da própria Sanepar, com investimentos de R$ 2,5 milhões da empresa. A prefeitura de Campina Grande do Sul e a Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar) também participam da ação. Pelo terreno onde será o futuro parque corre o Rio Timbu, que desemboca na Represa do Iraí. O terreno tem 590 mil metros quadrados. O conjunto de investimento do parque ultrapassa R$ 10 milhões, a ser concretizado em três anos. A área verde terá espaços de lazer, esporte, eventos e educação ambiental, além de área gastronômica e estacionamento.

Parque Ferraria-Passaúna

A construção do Parque Ferraria-Passaúna faz parte do contrato assinado entre a Sanepar e a prefeitura de Campo Largo em fevereiro deste ano. A construção será possível com a antecipação de recursos do Fundo Municipal de Saneamento Básico e Ambiental. O projeto prevê a conservação do cenário dos pinheiros e dos demais ecossistemas locais. O parque contará com uma trilha de caminhada, praça comunitária, prédio para a administração, setor de informações, posto policial, academia ao ar livre, playground, ciclovia, redário, pergolados e estacionamento.

Fonte: Eriksson Denk, Gazeta do Povo

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