Cientistas alertam para danos ao meio ambiente de muro entre EUA e México

AUSTIN, Texas — O presidente americano, Donald Trump, voltou a defender a construção de um muro na fronteira dos EUA com o México em mensagens publicadas em sua conta no Twitter nesta segunda-feira, mas cientistas alertam: erguer uma barreira física na divisa ameaça espécies de plantas a animais ameaçados, além de afetar a crescente indústria do ecoturismo no Texas.

Em artigo publicado no periódico “Frontiers of Ecology and Environment”, os pesquisadores Norma Fowler e Tim Keitt, do Departamento de Biologia da Universidade do Texas, em Austin, afirmam que a construção de um muro que se estenda pelos 2 mil quilômetros da fronteira do estado com o México irá contribuir para a destruição e fragmentação do habitat, provocando sérios danos ambientais. Os cientistas chamam atenção para o plano de construção do muro no Refúgio Nacional de Vida Selvagem Vale do Baixo Rio Grande.

— Até agora, o muro já foi construído em cidades e desertos. O que estamos falando aqui é o do Rio Grande. É totalmente diferente — afirmou Fowler. — Nós temos uma grande biodiversidade por causa do rio e porque o Texas se estende muito ao sul. Eu e outros biólogos do Texas estamos muito preocupados sobre o impacto no nosso rico patrimônio natural.

Com base na revisão de 14 publicações sobre o tema, incluindo alguns que examinaram os efeitos dos muros e cercas já construídos, os pesquisadores expressaram preocupação com a possível destruição do habitat, principalmente à “Tamaulipan thornscrub“, um tipo de vegetação semiárida que dominava todo o sul do estado, mas foi destruída pelo avanço de plantações e centros urbanos. As plantas e animais que dependem desse ecossistema se tornarão vulneráveis com a construção do muro.

O vale do Rio Grande atrai observadores de pássaros, que deixam anualmente US$ 300 milhões no estado - Andrew Morffew

A flor silvestre Zapata bladderpod cresce exatamente onde as barreiras serão construídas, assim como o cacto Coryphantha ramillosa. Ambas as espécies estão ameaçadas de extinção. A subespécie texana da jaguatirica, Leopardus pardalis albescens, está seriamente ameaçada, com menos de 120 indivíduos na natureza. A construção do muro pode reduzir ainda mais esse número.

A fragmentação do habitat provocada pelo muro pode impedir que as jaguatiricas, assim como os ursos negros, encontrem parceiros da mesma espécie, tornando as populações muito pequenas para sobreviverem. O muro também pode impedir o acesso desses animais à fonte de água do Rio Grande.

Do ponto de vista econômico, o ecoturismo está seriamente ameaçado caso o muro seja erguido. A região do Baixo Rio Grande atrai muitos observadores de pássaros, que geram mais de US$ 300 milhões anualmente à economia do estado. Para evitar os danos, os cientistas recomendam que as barreiras físicas tenham extensão limitada , com corredores para a vida selvagem, ou sejam limitadas por técnicas menos invasivas, como sensores eletrônicos.

Fonte: O Globo

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