Aves migram por milhares de quilômetros para economizar energia

  • Aves migratórias voam acima de um homem remando um barco nas águas do rio Yamuna, durante o início da manhã em Nova Déli, na Índia

Por que algumas aves optam por uma vida de migração constante – buscando climas temperados para se alimentar quando o inverno chega, apenas para retornar meses depois para se reproduzir? Paradoxalmente, o comportamento é impulsionado por uma busca pela eficiência energética, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira (7).

Os pesquisadores descobriram que as aves que migram ganham mais energia no menu do local de destino do que gastam para chegar lá e voltar, ou do que poderiam encontrar sem fazer a jornada.

E por que elas não ficam no lugar quente? Porque há muita competição por comida com outras espécies, disse o estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution. Em vez disso, retornam à sua fria casa no hemisfério norte, onde não precisam lutar com os outros pela comida que há.

O estudo “fornece um forte apoio à hipótese de que as aves se distribuem da melhor forma em termos de energia“, disse à AFP o coautor do estudo Marius Somveille, do departamento de zoologia da Universidade de Oxford.

Farooq Khan/EFE

Aves migratórias sobrevoam Hokersar, a 16 km ao norte de Srinagar (Índia)

Embora se soubesse que as aves migram em busca de comida, continuava sendo um enigma o motivo pelo qual adotam esse estilo de vida exigente. O novo estudo explica o comportamento não apenas das aves migratórias, mas também das sedentárias ou “residentes” (que se reproduzem no lugar onde vivem), disseram os autores.

Estas também pesaram os alimentos disponíveis contra as “pastagens mais verdes” e chegaram a uma conclusão diferente. A maioria das aves residentes é encontrada nos trópicos, onde a comida é mais fácil de se obter.

Voar ou morrer

O estudo usou um modelo teórico para analisar por que algumas aves migram – cerca de 15% do total – enquanto outras não. Começou com um mundo modelo com diferenças climáticas entre as regiões semelhantes às do nosso mundo real.

Os pesquisadores então acrescentaram aves virtuais e a quantidade estimada de “energia”, ou alimento, disponível em diferentes regiões.Dadas essas entradas, as aves modelo se dispersaram de maneira muito semelhante ao que aconteceu na vida real.

As aves começaram nos trópicos ricos em alimentos, mas a competição crescente forçou algumas a começarem a se mover para mais longe. “Em nosso mundo virtual cada vez mais lotado, as espécies progressivamente começaram a explorar bolsões mais extremos de fornecimento de energia sazonalmente disponível, muitas vezes migrando distâncias maiores”, escreveu a equipe.

O modelo traz contribuições para nossa compreensão de como as plantas e os animaisda Terra chegaram a sua distribuição atual, acrescentaram os pesquisadores. Também poderia ser útil para prever os movimentos futuros de outros animais – para determinar como eles poderiam migrar em resposta ao aquecimento global, por exemplo.

Fonte: Reuters