Países atuam em defesa das aves migratórias

Neste sábado (12) é comemorado o Dia Mundial das Aves Migratórias. O tema escolhido para permear as discussões, “Unificando nossas vozes para a Conservação das Aves”, busca chamar a atenção para a importância de se trabalhar em rede pela conservação de aves migratórias e seus habitats. A data volta a ser celebrada no dia 13 de outubro.

“A unificação de duas datas, o Dia Internacional e o Dia Mundial das Aves Migratórias é uma ótima novidade neste ano, pois mobiliza um maior número de pessoas em torno do tema e amplia as atividades realizadas pelo mundo capazes de promover a importância das aves migratórias, sensibilizar sobre as ameaças e a necessidade de conservação. No Brasil, essas datas também coincidem com as migrações de algumas espécies”, diz a analista ambiental Krishna Barros Bonavides, do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

As aves migratórias têm morfologia e fisiologia perfeitas para voos rápidos e longas distâncias. Elas percorrem centenas e até milhares de quilômetros em busca das melhores condições ecológicas e habitats para alimentação, reprodução e criação de filhotes.

Na viagem, atravessam fronteiras, diferentes políticas ambientais, legislação e medidas de conservação. Unem países, continentes e hemisférios. Para garantir sua sobrevivência, ameaçada por atividades humanas que implicam, principalmente, na perda de habitats, a cooperação internacional e acordos ambientais multilaterais são importantes para estabelecer medidas comuns em defesa das espécies, muitas delas em risco de extinção.

No Brasil, o Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão vinculado à pasta, realizam esforços para fazer do país um ponto de passagem seguro para as aves. Estão no Brasil algumas das principais rotas migratórias de espécies que cruzam os continentes nesse período do ano e no final do segundo semestre em busca de abrigo e alimento. Algumas são endêmicas e outras visitantes.

O ministério coordena a Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS) no Brasil e conta com o ICMBio na implementação dos Planos de Ação Nacionais para a Conservação da Biodiversidade, que inclui o Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação das Aves Limícolas Migratórias. O país também participa dos Conselhos da Rede Hemisférica de Reservas das Aves Limícolas Migratórias (WHSRN em inglês) e da Iniciativa Pró-Aves Limícolas Migratórias na Rota Atlântica.

LAGOA DO PEIXE

Com cerca de 20% de seu território composto por áreas úmidas, o Brasil possui registro de mais de 40 diferentes espécies, diversos sítios de invernada (onde fogem do frio rigoroso) de aves que se reproduzem no Ártico (neárticas) e ao sul do país (Patagônia) e três rotas reconhecidas: a do Brasil Central, da Amazônia e a Atlântica.

“Essas aves passam a maior parte do ano nos sítios de invernada, fugindo do frio rigoroso. Aqui realizam mudas de penas, descansam e repõem a energia requerida para as longas migrações”, explica a coordenadora do PAN, Danielle Paludo.

De acordo com pesquisas realizadas no âmbito do Plano, o Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul, é um dos principais sítios de invernada de aves limícolas migratórias no Brasil e algumas espécies também se reproduzem na região. A unidade de conservação é titulada pela Convenção de Ramsar como Zona Úmida de Importância Internacional ou Sítio Ramsar.

“As áreas úmidas brasileiras, entre praias, manguezais, banhados, rios, lagoas e suas margens e florestas inundáveis são ambientes riquíssimos e de grande importância para a biodiversidade e para as populações humanas. São também preferidas pelas aves migratórias como pontos de parada e invernada ao longo das rotas”, completa Paludo.

FESTIVAL

A Lagoa do Peixe já começa a organizar a XIV edição do Festival Brasileiro das Aves Migratórias, previsto para acontecer em no final do segundo semestre. No período, a área recebe as aves migratórias que chegam do Canadá, Estados Unidos, Chile e Argentina em grandes bandos, em busca de abrigo e alimentação. O espetáculo proporcionou o registro de mais de 270 espécies de aves, como os maçaricos, talhamares, cisnes-de-pescoço-preto, cisnes-branco e flamingos.

“O Parque reúne não apenas esse grupo de aves, mas outras espécies costeiras e marinhas migratórias e residentes, sendo um verdadeiro oásis para as aves. Grupos muito grandes e de espécies ameaçadas dependem da área do Parque para o seu ciclo de vida. É importante considerar sua a importância ou abrangência”, diz Danielle.

A Lagoa do Peixe também é o lugar escolhido para receber os recursos alocados por uma campanha mundialcriada pela organização BirdLife International com o objetivo de auxiliar a Iniciativa Pró-aves Limícolas Migratórias na Rota Atlântica. A Save Brasil é parceira da iniciativa, junto ao Parque, ao Cemave/ICMBio e universidades locais.

CÚPULA

O trabalho desenvolvido no Parque foi apresentado aos participantes da Cúpula Global para as Rotas de Aves Migratórias, que aconteceu na última semana de abril, em Abu Dhabi, Emirados Árabes. O evento reuniu representantes de 100 organizações de 70 países e discutiu como as aves migratórias podem ser mais bem protegidas em todos os pontos de suas rotas. A cúpula culminou com a publicação de Declaração de intenções no enfrentamento às ameaças das aves.

AVISTAMENTO

Nas celebrações pelo Dia Mundial das Aves Migratórias, o avistamento de aves torna-se um atrativo para pesquisadores e público em geral. Um dos eventos em que a observação das aves é um dos pontos altos da programação, é o Avistar Brasil, que promove o registro, conservação, e conhecimento da avifauna brasileira. Este ano, de 18 a 20 de maio, no Instituto Butantan, em São Paulo (SP), o encontro anual de observadores de aves oferece oficinas, feira, congresso, atividades culturais e educacionais.

Fonte: MMA