Como ancestrais das aves sobreviveram a queda de meteoro que extinguiu dinossauros

Ilustração simula momento da queda do asteroideDireito de imagemPHILLIP KRZEMINSKIImage caption

Ilustração simula momento da queda do asteroide

Os ancestrais das aves modernas podem ter sobrevivido à queda de um asteroide gigante que acabou com as demais espécies da classe animal no planeta. E só teriam sobrevivido porque habitavam o chão das florestas.

A nova teoria, baseada no estudo de plantas fossilizadas e em estudos ornitológicos, ajuda a explicar como as aves acabaram por dominar o planeta.

Há 66 milhões de anos, a queda de um meteoro de entre cinco e dez quilômetros de diâmetro em uma região que hoje é conhecida como a costa da Península de Yucatán, no México, causou grande destruição na Terra e é vista como uma das principais causas da extinção dos dinossauros.

Ancestrais das aves que viviam no solo conseguiram resistir e ocuparam as árvores quando a flora se recuperou.

“Parece claro que ser uma ave de pequeno porte capaz de viver num mundo sem árvores teria proporcionado uma vantagem substancial para a sobrevivência após a queda do asteroide”, diz Daniel Field, do Milner Centre for Evolution da Universidade de Bath, na Inglaterra.

Já sabemos que os antigos ancestrais das aves modernas eram provavelmente capazes de voar e relativamente pequenos.

Os cientistas agregaram evidências para entender como os ancestrais dessa ave, semelhante a um perdiz, conseguiram evitar a extinção num momento particularmente sombrio da história planetária.

“Esclarecer essas histórias a partir de registros em rochas é um desafio quando a ação ocorreu há 66 milhões de anos, num período relativamente curto”, diz Field, que lidera uma equipe de pesquisadores britânicos, americanos e suecos.

Tinamiformes são um grupo moderno de parentes voadores dos avestruzesDireito de imagemDANIEL J FIELDImage caption
Tinamiformes são um grupo moderno de parentes voadores dos avestruzes

Os fósseis botânicos mostram que o asteroide causou o desflorestamento e a extinção da maioria das plantas com flores, destruindo o habitat de animais que viviam em árvores.

Aves não voltaram às árvores até que as florestas se recuperaram, milhares de anos depois.

“A regeneração de árvores que formavam copas, como palmeiras e pinheiros, aconteceu muito depois, o que coincide com a evolução e explosão na diversidade de aves habitantes de árvores”, diz Antoine Bercovici, do Smithsonian Institution, em Washington.

Os pesquisadores descobriram que, depois que as florestas ressurgiram, as aves começaram a se adaptar à vida em árvores, desenvolvendo membros mais curtos que ancestrais de habitat terrestre e características para agarrar galhos e ramos.

Elas eventualmente se diferenciaram, dando origem a avestruzes, galinhas, patos e outros grupos de aves.

“Talvez os melhores representantes das linhagens de aves sobreviventes sejam os tinamiformes – esse é um grupo moderno de parentes voadores dos avestruzes: são relativamente pequenos e vivem no chão”, diz Field.

A “impressionante diversidade das aves atuais remonta a esses sobreviventes antigos”, ele acrescenta.

Fonte: BBC

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