Canudos de vidro, copos reutilizáveis e etiquetas plantáveis: Práticas sustentáveis no Recife

O sustentável deixou de ser uma ideia distante e se tornou real, uma tendência crescente no Brasil e no mundo. Além de produtos voltados para a higiene e copos, a moda também ganhou práticas sustentáveis com o decorrer dos anos. Em celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado nesta terça-feira, conversamos com alguns empresários pernambucanos que adotaram medidas sustentáveis para suas marcas e se destacam no mercado.

A marca pernambucana Maria Pijama, comandada pela empresária Patrícia Frias, entrou na linha slow fashion.Além de se preocupar com a beleza e a comodidade das peças, o selo especializado em lingeries e roupas íntimas, distribui, cerca de 40kg de retalhos (por mês) para diversas instituições que reaproveitam e desenvolvem fuxicos, bonecas de pano, colchas e cobertura de botões. Cláudia Renda, Co Founder da Viva Yemanjah, resolveu ousar e criou uma etiqueta plantável para suas peças de roupas, a maioria em linho.

Crédito: Revista Artesanato/Divulgação

O processo de transformar materiais que iriam para o lixo em produtos de qualidade e até maior valor comercial, chamado upcycling, também foi adotado pelo estilista pernambucano Melk Z-Da. Na sua última coleção desfilada no Dragão Fashion, em Fortaleza, ele utilizou restos de tecidos das produções de vestidos de noiva para criar novas t-shirts. Nessa linha de reaproveitamento, Melk também já reutilizou papéis e tubos de papelão para confecção de roupas e acessórios. O projeto pernambucano socioambiental DaTerra Project, que desenvolve produtos e tecidos sustentáveis a partir do reaproveitamento de resíduos têxteis oriundos da produção de jeans em confecções do Agreste, já ganhou os holofotes nacionais na Moda Limpa, plataforma online criada pela empresária paulista Marina De Luca, que reúne 180 fornecedores do país focados em produzir moda ética e sustentável.

Na última segunda-feira, a Comissão Europeia propôs a proibição de produtos de plástico, com a intenção de reduzir o lixo dos mares e oceanos. As medidas foram tomadas pelo excesso de plástico nos utensílios de pesca e pelos produtos encontrados com maior frequência nas praias e mares da Europa, atrapalhando a vida marinha. “O plástico pode ser um material fantástico, mas temos de usá-lo de uma maneira mais responsável”, afirmou o vice-presidente do Executivo comunitário, Jyrki Katainen. “A cada dez embalagens de vidro disponíveis no mercado, quatro são recicladas, quatro são do tipo retornáveis e duas serão reutilizadas pelos consumidores”, destaca Reinaldo Kühl, gerente de Marketing Americas South da Owens Illinois, marca especializada na fabricação de embalagens de vidro, em entrevista recente.

Manu Tenório Café utiliza canudos de vidro há seis meses. Crédito: Reprodução/Instagram

Pensando no meio ambiente, a empresária Manuela Tenório resolveu inovar. No Manu Tenório Café, um canudo de vidro é que vai à mesa. “Dois meses após a abertura do café, descobri o canudo de vidro e já trabalhamos com ele há mais de seis meses. É uma proposta que diminui o uso do plástico e gera menos lixo. Além disso, as embalagens, o jogo americano e o porta talher são feitos com papel reciclado”, revelou Manuela. No espaço, o público também pode adquirir copos de silicone retráteis para que não ocorra a utilização de copos descartáveis e em breve os canudos de vidro também serão comercializados.

Os copos do projeto Menos um lixo podem ser adquiridos no Manu Tenório Café. Crédito: Reprodução/Instagram

O restaurante Orgânico 22, comandado por Elizabete Cardeal e Richelline, também aboliu os canudos de plástico do estabelecimento e há pouco mais de um mês, o local passou a oferecer canudos de aço inoxidável. Além disso, o restaurante vegano utiliza jogos americanos de tecido semiimpermeável e filtro de barro para servir água aos clientes. Elizabete e Richelline também investem em sua própria horta no local, mas ainda não a utilizam. “Compramos alguns produtos na Feira Orgânica das Graças e além de fortalecer o comércio local e apoiar os pequenos agricultores, favorecemos a redução de poluentes com redução de deslocamento”, comentou Elizabete.

Forneiro Pizza Bar tem sua própria horta para a montagem dos pratos. Crédito: Reprodução/Instagram

Fabio e Bruno Catão, à frente do Forneiro, resolveram criar a charmosa hortinha em frente ao restaurante, de onde saem os ingredientes utilizados nas receitas feitas pela equipe da cozinha. Hortelã, manjericão, salsa e alecrim são alguns dos produtos que não podem faltar no espaço. Com técnicas que vão desde separar o óleo de cozinha até a preferência por fornecedores com embalagem retornável, o restaurante Ca-Já, que tem entre os sócios Alan Machado, terá uma novidade sustentável em breve. O espaço, que já opta por não fornecer canudos aos clientes sem o pedido ser realizado, vai passar a oferecer canudo em inox. Além disso, a casa procura sempre reutilizar pó de café para adubagem, adquiriu uma composteira para incrementar a fertilização das flores e plantinhas do local e os sócios procuram dar preferência em comprar insumos em produtores agroecológicos em feiras próximas ao restaurante.

Os recipientes utilizados para armazenar as plantinhas espalhadas pelo Ca-Já são reutilizáveis. Crédito: Reprodução/Instagram

Da moda aos restaurantes, a sustentabilidade também passa pelo setor de construção civil com modelos que permitam ao mercado enfrentar e propor soluções aos principais problemas ambientais de nossa época, sem renunciar à moderna tecnologia e a criação de edificações que atendam as necessidades de seus usuários. Com fachada termowall, um tipo de isolamento térmico que reduz a transmissão de calor, tornando o ambiente interno mais ameno, gerando economia de energia, a terceira unidade do Hospital Geral Unimed Recife, localizada na Ilha do Leite,  prevista para inaugurar no segundo semestre deste ano, também aposta em técnicas sustentáveis. O novo hospital também terá um tanque de termoacumulação, que permitirá confiabilidade operacional do sistema de climatização, reduzindo gastos de energia, além do reaproveitamento da água condensada dos condicionadores de ar.

Unimed inova no Recife e faz fachada termowall. Crédito: Voz Comunicação/Divulgação

Localizado às margens do Rio Capibaribe, o Capibar é um ótimo lugar para quem deseja curtir uma tarde com os amigos em um barzinho, mas o lugar em si é totalmente sustentável. O bar é a sede da ONG Recapibaribe, idealizada pelo casal de ambientalistas Maria do Socorro e André Luiz Cantanhede, que se dedica à revitalização do rio e um de seus maiores objetivos é reintroduzir a paisagem de mangue no imaginário da população. Além de fazer eventos voltados à limpeza do rio, como o Agosto pelo Capibaribe, todo mês a ONG realiza palestras de educação ambiental para até 500 alunos de colégios públicos e privados.

A maior parte do Rio Capibaribe está poluído e o projeto visa a revitalização dele. Crédito: Paula Paiva / DP

Fonte: João Alberto, Yasmim Nascimento

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