A fúria dos vulcões: 10 erupções com maior número de mortes na História

Apesar de alguns dos vulcões mais destruidores da história da humanidade terem adormecido após grandes erupções ou mudanças nos ciclos geológicos da Terra, seu poder destrutivo ainda constitui um pesadelo e um desafio ao controle do homem sobre a natureza. Mesmo com toda a tecnologia existente para monitorar emissões de gases e explosões, os vulcões são capazes de deixar grande rastro de destruição e morte, como na mais emblemática erupção registrada até hoje, a do Vesúvio, na Itália, em 79 d.C., que soterrou as cidades de Pompeia e Herculano, motivando uma série de estudos e até adaptações para o cinema. O mítico Etna, maior vulcão da Europa, tornou-se personagem do romance de Susan Sontag, “O amante do vulcão” (1992).

Entre os mais de mil vulcões considerados ativos em todo o planeta, cientistas estimam que cerca de 70 entram em erupção todos os anos, colocando em ameaça mais de 500 milhões de pessoas. Nessa lista estão os temidos Kilauea, no Havaí, Tungurahua, no Equador, Rabaul, em Papua Nova Guiné, Sakurajima, no Japão, e Etna. Além disso, estudos como o publicado no GLOBO em 27 de fevereiro de 2000 comprovam atividades em sistemas vulcânicos de efeito destrutivo equivalente ao choque de um asteróide com a Terra, como o do Parque Nacional Yellowstone, nos Estados Unidos.

Os vulcões são aberturas em montanhas geralmente situadas no encontro de placas tectônicas, que quando se chocam ou se afastam movimentam o material presente sobre elas e deixam “canais” para o extravasamento de substâncias das camadas mais profundas da Terra. A região do planeta que concentra maior atividade vulcânica é conhecida como Círculo de Fogo do Pacífico, uma grande zona de instabilidade geológica que se estende por mais de 40 mil quilômetros, do Sul do Chile à Nova Zelândia, passando por Japão e EUA.

O Brasil não registra vulcões ativos, embora sua formação geológica aponte para a presença de intensa atividade vulcânica na Região Amazônica há cerca de dois bilhões de anos. Os vulcões mais “jovens” identificados em solo brasileiro, com estabilidade que data de 60 milhões de anos, estão na região das cidades mineiras de Poços de Caldas e Araxá.

A seguir, o Acervo O GLOBO lista as dez erupções vulcânicas que provocaram maior número de mortes na História, conforme registradas por estudos e noticiadas pelo jornal:

1) TAMBORA (Indonésia) – Considerado o maior evento do gênero nos últimos dez mil anos, a erupção do vulcão, iniciada em 5 de abril de 1815, na ilha de Sumbawa, deixou mais de 70 mil mortos na região e seus arredores. As mortes se deram por ação direta da explosão ou por problemas subsequentes. A quantidade de matéria expelida chegou ao índice jamais registrado de 180 quilômetros cúbicos, e o período que se seguiu foi chamado de “ano sem verão”, marcado por extensa e prolongada barreira aos raios solares, alterações no clima global, falta de alimentos e doenças. Após a catástrofe, a montanha do vulcão ficou com praticamente metade de sua altura, formando uma enorme cratera que transformou-se em um lago.

2) KRAKATOA (Indonésia) – Em 27 de agosto de 1883, a explosão do vulcão deixou 36 mil mortos. Em termos de violência, foi considerada uma das piores explosões dos tempos modernos, equivalente a cerca de 30 bombas de hidrogênio, tendo sido ouvida na ilha de Sumatra, a cerca de dois mil quilômetros de distância. Jatos de cinzas, pedras e fumaça atingiram mais de 20 mil metros de altura; em seguida formou-se um gigantesco tsunami, devastando a região.

3) PELÉE (Martinica, no Caribe) – No século XX, o maior número de mortes após uma erupção foi registrado em 8 de maio de 1902, quando o vulcão cobriu de lava a localidade de Saint Pierre, ao norte da ilha caribenha, matando cerca de 30 mil pessoas.

4) ARENAS ou NEVADO DEL RUIZ (Colômbia) – Na erupção mais letal registrada na América do Sul, o vulcão localizado na Cordilheira dos Andes riscou do mapa a cidade de Armero em 13 de novembro de 1985, como o O GLOBO registrou dois dias depois, deixando quase 25 mil mortos. Apesar de não ter sido considerada uma das mais explosivas erupções, a condição geográfica do local facilitou o seu soterramento por avalanche de lava, entulhos e neve derretida.

5) ETNA (Sicília, Itália) – Estima-se que a mais violenta explosão do vulcão, que destruiu a cidade de Catania, em 8 de março de 1669, tenha deixado 20 mil mortos. Sua atividade é praticamente incessante há mais de dois milhões de anos. Em 1983, o governo italiano montou, sem sucesso, a Operação Etna, para tentar desviar o curso das lavas do vulcão, como mostrou a edição do GLOBO de 14 de maio daquele ano. Em dezembro de 1991, o vulcão registrou uma das maiores erupções de todos os tempos em termos de duração (473 dias, até abril de 1993) e de quantidade de lava (250 milhões de metros cúbicos). Mítico, o maior vulcão da Europa tornou-se personagem do livro da escritora, crítica de arte e ativista americana Susan Sontag, “O amante do vulcão” (1992).

6) HUAYNAPUTINA (Peru) – A erupção ocorrida em 19 de fevereiro de 1600 foi precedida e acompanhada por uma série de tremores de terra, deixando mais de 15 mil mortos. Cientistas acreditam que a grande quantidade de cinzas e gases tóxicos liberados na atmosfera e as barreiras à luz do Sol levaram a uma onda de doenças, fome e frio no Hemisfério Norte entre 1601 e 1603.

7) UNZEN (Japão) – Em 1792, a erupção do vulcão situado na península de Shimabara provocou uma avalanche e um tsunami que deixaram cerca de 15 mil mortos.

8) VESÚVIO (Itália) – Uma chuva de pedras e cinzas, seguida da propagação de gases tóxicos e uma onda de calor de quase 500 graus Celsius, matou e soterrou os habitantes da cidade de Pompeia em 79 d.C. Estima-se que tenham morrido entre 13 mil e 16 mil pessoas. Na cidade vizinha de Herculano, também devastada, mas que conseguiu evacuar sua população, teriam morrido 300 habitantes. O rico sítio arqueológico gerado pela tragédia, com corpos petrificados, é fonte de inesgotáveis estudos, despertando curiosidade do mundo inteiro. Nem mesmo a sétima arte escapou do fascínio provocado pela história da destruição de Pompeia: além de inúmeros documentários, foram produzidos longas de ficção que fizeram sucesso no cinema, como o clássico “Os últimos dias de Pompeia” (1959) e o contemporâneo “Pompeia” (2014).

9) LAKI (Islândia) – Em junho de 1783 e fevereiro de 1784, a erupção do vulcão deixou cerca de 12 mil mortos, incluindo vítimas da fome e epidemias subsequentes. Na ocasião, gases vulcânicos foram levados a outros países da Europa pelo ar e pela corrente do Golfo, matando pessoas por intoxicação, principalmente nas ilhas britânicas. Assim como nas grandes erupções, houve influência no clima global, com bloqueio dos raios de sol e danos à agricultura e ao cultivo do gado. Assolada pela fome, pelo frio e por doenças, a Islândia perdeu cerca de um quinto de sua população. O país, famoso por seus vulcões, esteve no centro do noticiário em maio de 2010, quando o quase impronunciável Eyjafjallajökull entrou em erupção, lançando toneladas de cinzas a uma altura de mais de oito mil metros. O episódio provocou o cancelamento de centenas de voos, levando caos aéreo ao Hemisfério Norte.

10) KELUD (Indonésia) – Embora não haja dados muito concretos, estima-se que entre 5 mil e 10 mil pessoas morreram após erupção do vulcão, localizado na ilha de Java, em 1586.

Fonte: O Globo