Poluição por microplásticos atinge até a Antártica, alerta estudo

Nem as regiões mais remotas e pristinas da Terra estão a salvo da poluição por plásticos. Um novo estudo produzido pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, em parceria com a ONG ambientalista Greenpeace, relata a contaminação de amostras de neve e água da Antártica por micropartículas de polímeros sintéticos.

Medindo menos de 5 milímetros de diâmetro, as micropartículas plásticas são uma das maiores ameaças ambientais emergentes da atualidade, segundo a ONU. Sua ampla dispersão pelos ecossistemas marinhos e dificuldade de degradação põem em risco a saúde dos organismos que habitam os oceanos, e afetam toda a cadeia alimentar.

A origem dessa poluição ainda não é conhecida. Outros estudos são necessários para monitorar e traçar o caminho dos resíduos plásticos até a região. Eles podem vir de várias fontes, como navios, estações de pesquisa científica e ainda por meio das correntes marítimas.

O estudo é parte de uma campanha global para criar o maior santuário marinho ao redor das águas da Antártica e proteger o frágil ecossistema da região dos efeitos das mudanças climáticas e de atividades de pesca predatória.

No começo do ano, os pesquisadores passaram três meses coletando amostras de neve e água nas regiões mais remotas da Antártica e constataram que a maior parte delas continham traços de contaminação por microplásticos.

A análise foi realizada nos laboratórios da Universidade de Exeter: das 8 amostras de água analisadas, sete continham fibras de materiais plásticos, incluindo o famoso poliéster, muito empregado na produção de tecidos e malhas, seguido do polipropileno, empregado na produção de embalagens e artigos descartáveis.

Também foram encontras microfibras de náilon, que, por sua elasticidade, é bastante utilizado na fabricação de roupas esportivas e de banho.

Navio do Greenpeace na Antártica.

Navio do Greenpeace na Antártica. (Christian Aslund/ Greenpeace/Divulgação)

Contaminação química

Sete das nove amostras de neve coletadas durante a mesma expedição continham ainda compostos tóxicos conhecidos como PFCs, sigla de produtos químicos perfluorados.

Compostos PFCs, também chamados de PFASs, são usados para fabricar artigos com características impermeabilizantes e antiaderentes, como panelas não aderentes (de teflon), tecidos, tapetes, revestimentos de embalagens e de cosméticos.

Em 2015, um grupo de 200 cientistas publicou um consenso  alertando para os riscos que os PFCs representam para a saúde, como sua capacidade de “imitar” hormônios e, até mesmo, interferir na síntese desses mensageiros químicos do corpo.

Tais compostos químicos podem viajar milhares de quilômetros carregados pelas correntes atmosféricas, até se depositar em neve ou chuva, caindo bem longe de seus locais de origem.

“Os resultados mostram o quão pervsasivo pode ser o impacto das atividades humanas”, disse o Greenpeace em comunicado.

De norte a sul do planeta, não há fronteiras para a poluição plástica. Estudo publicado recentemente a Nature relata que cada litro de gelo marinho do Oceano Ártico contém até 12.000 partículas microplásticas.

Nem mesmo o ponto mais profundo dos oceanos escapa. Em outros estudo, pesquisadores alertaram para a presença de resíduos de materiais plásticos, incluindo uma sacola plástica, na Fossa das Marianas, um abismo que atinge mais de 11 quilômetros de profundidade no Pacífico.

Fonte: Exame

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