Simulação: mudança climática matou os aliens e possivelmente vai nos extinguir também

De acordo com o astrofísico Adam Frank, a mudança climática pode ser o motivo pelo qual nunca encontramos aliens.

Quando uma civilização não sabe lidar com seus recursos naturais limitados, seu destino é certamente a extinção.

E os seres humanos podem estar fadados ao mesmo resultado.

Recursos limitados e civilização intensa em energia

Frank é professor de física e astronomia da Universidade de Rochester, em Nova York, nos EUA. Seu estudo traz uma visão antropogênica das alterações climáticas, ou seja, analisa grandes mudanças no clima causadas por seres humanos.

Usando modelos matemáticos baseados no desaparecimento de uma civilização real – os antigos habitantes da Ilha de Páscoa -, Frank e seus colegas simularam como várias civilizações alienígenas poderiam evoluir e se extinguir se exagerassem na conversão de seus recursos naturais limitados em energia.

“As leis da física exigem que qualquer população jovem, construindo uma civilização intensiva em energia como a nossa, tenha feedback sobre seu planeta”, disse Frank em um comunicado. “Ver a mudança climática neste contexto cósmico pode nos dar uma melhor visão do que está acontecendo conosco agora e como lidar com isso”.

Os resultados das simulações não são nada animadores. De quatro “cenários” prováveis para civilizações intensas em energia, três terminam em apocalipse. O quarto cenário – um caminho que envolve converter toda a energia a fontes sustentáveis – funciona apenas quando a civilização reconhece os danos que está causando ao planeta a tempo de reagir. “Mesmo se você faz a coisa certa, se você esperar muito tempo, você ainda pode ter o colapso da população”, sentencia Frank.

Simulações

Frank utilizou a antiga civilização da Ilha de Páscoa como modelo para suas simulações. Essa ilha da Polinésia oriental, localizada no sul do Oceano Pacífico, está situada a 3.700 km de distância da costa oeste do Chile.

“A Ilha de Páscoa apresenta um exemplo particularmente útil para nossos próprios propósitos, uma vez que é frequentemente tomada como uma lição para a sustentabilidade global. Muitos estudos indicam que os habitantes da Ilha de Páscoa esgotaram seus recursos, levando à fome e ao término da civilização”, explicou Frank em seu estudo.

Trabalhando a partir de equações anteriores que modelaram a queda da população da Ilha de Páscoa juntamente com o esgotamento de seus recursos, a equipe encontrou quatro possíveis “pontos finais” para uma hipotética civilização alienígena similarmente limitada por recursos naturais.

Os quatro possíveis fins

O primeiro cenário foi chamado de “quase extinção”, em que uma proporção significativa de uma população morre naturalmente, geralmente dentro de um curto período de tempo.

Nesse cenário, a população da civilização dispara durante um curto período de tempo e, à medida que os alienígenas consomem energia e expelem gases de efeito estufa, a temperatura do planeta também aumenta. A população atinge seu pico e, de repente, cai à medida que a elevação da temperatura torna a sobrevivência cada vez mais difícil. A população finalmente se estabiliza, mas com apenas uma fração da população.

“Imagine que sete entre dez pessoas que você conhece simplesmente morram rapidamente”, disse Frank. “Não está claro se uma civilização tecnológica complexa poderia sobreviver a esse tipo de mudança”.

O segundo cenário é chamado de “sustentabilidade”. Aqui, tanto a população do planeta quanto sua temperatura global sobem rapidamente, mas se estabilizam quando a civilização reconhece como sua gestão de recursos está afetando a natureza. Para chegar a um equilíbrio, a população precisa mudar de recursos que afetam muito o planeta (como o petróleo) para recursos mais sustentáveis (como a energia solar).

O terceiro e o quarto cenários são chamados de “colapso total” e “colapso total mesmo com a mudança de recursos”. Aqui, como no cenário de “quase extinção”, tanto a população do planeta quanto sua temperatura aumentam dramaticamente em um curto período. Mas, desta vez, quando as pessoas começam a morrer por falta de recursos básicos, não há sobreviventes. A diferença depende de quão sensível o ambiente é, e com que rapidez ele responde ao aumento da população.

Mesmo que a civilização perceba que está danificando o meio ambiente e tente adotar recursos sustentáveis, é tarde demais. Pode até ver uma desaceleração temporária no declínio da população, mas, eventualmente, ela se extingue. O dano está feito; a civilização está condenada.

Ainda dá tempo de agirmos?

Em outras palavras, a chave para ter um futuro sustentável em vez de um colapso total que leve a extinção completa está em quanto tempo uma civilização leva para perceber que está destruindo seu planeta, e em quão rápido age.

Segundo Frank, essa diferença deve motivar os humanos a levarem a mudança climática a sério. “Através do espaço e do tempo cósmico, haverá vencedores, que conseguiram ver o que estava acontecendo e mudar isso, e perdedores, que simplesmente não conseguiram se unir e sua civilização se foi. A questão é, qual deles queremos ser?”, conclui.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Astrobiology.

Fonte: Hypescience

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