10 casos de necrofilia observados em animais fofos

A natureza é incrível e majestosa na maior parte do tempo, mas também pode ser bastante perturbadora.

Diversas espécies possuem comportamentos que parecem violentos, absurdos ou nojentos para nós. Inclusive necrofilia. Se um ser humano necrofílico já nos causa espanto, imagine certos animais fofos como golfinhos e pinguins.

Se você acha que pode lidar com cenas fortes de bichinhos adoráveis não sendo nada adoráveis, continue a ler este artigo:

Corvos


Ocasionalmente, corvos acasalam com colegas mortos. E não somente de sua própria espécie: pesquisadores já observaram os pássaros tentando fazer sexo com pombos mortos.

Curiosamente, o ato é sempre acompanhado de agressão e ocorre principalmente durante a época de reprodução. Embora a razão para o comportamento seja desconhecida, os cientistas acreditamque pode ter algo a ver com as características conflitantes de um corvídeo morto – pode ser comida, pode ser um intruso ou pode ser um potencial parceiro sexual.

Uma minoria das aves pode simplesmente não ser capaz de processar esses estímulos conflitantes em seus cérebros, escolhendo uma mistura de respostas inadequadas a eles.

Cangurus

O mascote da Austrália é tão bonitinho, não é? Inclusive, em 2016, um macho roubou o coração da nação quando uma foto de seu “luto” por um colega morto se tornou viral:

Só há um problema: “Ótima foto dos cangurus, mas eu acho que foi fundamentalmente mal interpretada. O macho está claramente estressado e agitado, seus antebraços estão muito molhados depois de ele lamber-se para se esfriar. Ele também está sexualmente excitado: a evidência está atrás do escroto [sim, em marsupiais, o pênis está localizado atrás do escroto]”, explicou Mark Eldridge do Museu Australiano. “Este é um macho tentando fazer uma fêmea se levantar para que ele possa acasalar com ela”.

Certo, então…

Patos


Patos são geralmente adoráveis, mas suas vidas sexuais são quase sempre um show de horrores. Como um incidente observado pelo biólogo holandês Kees Moeliker, do Museu de História Natural de Roterdã, alguns anos atrás.

Ele ouviu um estrondo alto contra uma das janelas do museu. Quando olhou para fora, notou um pato macho por perto de um outro macho, morto. O vivo passou então a se ocupar de uma forma bastante enfática com o morto, se é que você me entende. Por 75 minutos.

Quando Moeliker começou a ficar entediado, recolheu o pato morto e o congelou para estudo posterior. “Eu sabia que tinha visto algo especial, mas levei seis anos para decidir publicar um artigo”, contou em uma palestra TED Talks. “Depois de seis anos, meus amigos e colegas me pediram para publicar, então publiquei ‘O primeiro caso de necrofilia homossexual em patos selvagens’”.

estudo ganhou o “Ig Nobel Prize” em Biologia de 2003.

Sapos


Se houvesse um prêmio para “melhor necrofílico do mundo animal”, o pequeno sapo brasileiro da espécie Rhinella proboscidea seria o vencedor, sem dúvida nenhuma.

Os cientistas descobriram que ele é capaz de extrair ovos de uma fêmea morta, e fertilizá-los com sucesso. O macho fica em cima do corpo inerte da fêmea, aperta sua barriga para fazer sair os ovos, e os fertiliza. O comportamento foi chamado de “necrofilia funcional” e descrito em um artigo de 2012.

Nunca foi observado em outra espécie. O que não é uma coisa triste.

Pinguins


O comportamento bizarro foi observado no adorável pinguim-de-adélia pela primeira vez na década de 1910. Na época, chocou tanto o biólogo George Murray Levick, membro da Expedição Terra Nova de 1910-13, que foi retirado do registro oficial e mantido em segredo por quase 100 anos.

Parece que a posição de um pinguim morto e a posição de uma fêmea pronta para acasalar parecem perturbadoramente semelhantes.

“O que está acontecendo não é de forma alguma análogo à necrofilia no contexto humano. Os machos veem um posicionamento que causa uma reação sexual. Eles não estão distinguindo entre fêmeas vivas que estão aguardando [a reunião de acasalamento] na colônia, e pinguins mortos do ano anterior, que por acaso estão na mesma posição”, explicou o ornitólogo Douglas Russell, do Museu de História Natural de Londres, à BBC em 2012.

Leões marinhos


O leão-marinho-da-nova-zelândia é uma criatura majestosa e adorável, o que torna muito desconcertante o fato de que foi observado tentando copular com uma foca fêmea morta em 1973.

Em 1979, um artigo sobre o caso foi publicado pelo pesquisador Graham J. Wilson, com a seguinte descrição: “Quando observados pela primeira vez, eles estavam em contato corporal. O leão-marinho sentou-se momentaneamente e gentilmente cutucou a foca várias vezes. Poucos minutos depois, montou a foca e realizou várias estocadas pélvicas, ao mesmo tempo em que gentilmente cutucava sua cabeça e pescoço com a boca. Após cerca de 10 minutos, ele ficou perturbado com a minha presença, agarrou a foca pela nuca e entrou na água. Nadou lentamente para o mar, segurando-a sob a água”.

Para piorar tudo, o cientista concluiu que a foca foi possivelmente morta durante uma tentativa anterior de cópula.

Lagartos teiú


Várias espécies de lagarto são conhecidas por cortejar fêmeas mortas, mas um caso particular se destaca: o do teiú brasileiro.

O herpetólogo Ivan Sazima observou não um, mas dois lagartos machos diferentes tentando copular com o mesmo cadáver de uma fêmea.

O primeiro fez sua experiência quando o corpo ainda estava fresco. Depois de cerca de cinco minutos, desistiu do ato, assustado por um bando de gansos que surgiu nas proximidades.

Na tarde seguinte, o corpo já havia começado a inchar e cheirar mal, o que não impediu um segundo macho, menor, de fazer uma nova tentativa. Sazima chegou enquanto ele já estava no ato, o qual continuou por cerca de uma hora antes de finalmente desistir.

Sazima afirma que as fêmeas dessa espécie são normalmente imóveis e complacentes durante o acasalamento, e que os feromônios sexuais no corpo do cadáver podem ter sido mais poderosos do que o cheiro de putrefação. “Seja qual for a causa, parece ser o primeiro registro de uma fêmea de lagarto morta que atraiu machos diferentes por dois dias consecutivos”, escreveu em um artigo.

Saguis


Este caso é realmente triste. Saguis comuns, um tipo de macaco nativo do Brasil (estou começando a ficar preocupada com a predominância brasileira dessa lista), são animais que geralmente formam duplas monogâmicas.

Em um incidente particular, a fêmea de um casal que estava junto há vários anos caiu de uma árvore e morreu. O macho ficou absolutamente fora de si. Em seguida, ele se envolveu em vários comportamentos, abraçando-a, farejando-a, perseguindo outros macacos, sentando-se ao lado dela e tentando copular com ela. Também emitiu chamadas de alarme normalmente usadas quando um predador está próximo.

Alguns desses comportamentos – como a tentativa de copular – podem ter sido relacionados ao estresse, em vez de serem compassivos. Mas o animal também pode ter ficado excitado pela posição da fêmea deitada no chão. Como o sagui deixou seu grupo depois de alguns meses e nunca mais foi visto, parece que havia pelo menos algum luto realmente envolvido em sua reação.

Lontras


A lontra é um dos animais mais fofos do mundo, especialmente porque sabe ficar boiando de mãos dadas com seus coleguinhas adoráveis. Infelizmente, também é capaz de terríveis ações.

Em um artigo de 2010, a veterinária Heather Harris e sua equipe documentaram um comportamento verdadeiramente perturbador: eles relataram 19 casos de lontras envolvidas no que chamaram de “comportamento sexual interespecífico”.

Pelo menos três diferentes lontras marinhas foram observadas assediando, arrastando, vigiando e copulando com focas por até sete dias após sua morte. Algumas das carcaças foram recuperadas para autópsia, e os cientistas notaram ferimentos profundamente desagradáveis.

O artigo notou ainda que o caso não era inédito. No passado, uma lontra macho foi vista segurando uma fêmea debaixo d’água até seu corpo ficar imóvel, e depois copulando repetidamente com sua carcaça. Dez meses mais tarde, o mesmo macho foi observado com a carcaça de outra fêmea.

Vamos parar por aqui, ou você ficará tentado a jogar sua lontra de pelúcia fora.

Golfinhos


Em maio de 2000, dois golfinhos machos foram observados guardando e investigando a carcaça de uma fêmea ao longo de dois dias. Tentativas realizadas por cientistas de recuperar o corpo foram recebidas com agressão, enquanto os machos se revezavam para ir à superfície respirar.

Quando a carcaça foi virada de barriga para cima pelas correntes oceânicas, os machos foram observados iniciando o contato barriga-a-barriga – a posição de cópula. Ereções também foram vistas. Os animais ainda cheiravam a área genital e o peito da carcaça.

Os cientistas que documentaram a cena bizarra abstiveram-se de tirar conclusões, observando apenas que um “fator sexual” não poderia ser descartado. Que gentis.

Fonte: Hypescience