‘Cultura da destruição do meio ambiente em AL é muito grande’ diz especialista

Professor alerta que mau uso e descarte de lixo podem afetar distribuição de água em Alagoas, e alerta para mudança de hábitos (Foto: Jonathan Lins/G1)

Professor alerta que mau uso e descarte de lixo podem afetar distribuição de água em Alagoas, e alerta para mudança de hábitos (Foto: Jonathan Lins/G1)

cultura da destruição do meio ambiente em Alagoas é muito grande”. A afirmação é do biólogo Jorge Luiz Lopes da Silva, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). O alerta neste 1º de agosto não é à toa, a data é considerada pela ONG norte americana Global Footprint como o “Dia da Sobrecarga da Terra”, quando a humanidade terá utilizado mais recursos naturais do que a Terra pode repor em um ano.

Isso significa que todas as árvores, toda a água, o solo fértil e os peixes que teríamos para consumir em um ano, foram esgotados em apenas 8 meses. Para a ONG, cada cidadão tem sua parcela de responsabilidade nesse resultado.

Em Alagoas não é diferente. Em entrevista ao G1, o biólogo e professor universitário diz que os alagoanos continuam explorando de maneira inadequada os recursos naturais, o que provoca um impacto muito forte no meio ambiente no estado.

O consumo de água e o desmatamento no estado podem trazer consequências graves à população, como problemas de abastecimento, poluição e infertilidade do solo em algumas regiões.

A instituição diz ainda que o esgotamento dos recursos se acelerou por causa do consumo excessivo e do desperdício de comida. O Wild World Fund (WWF), vinculado à ONG, afirma que, para satisfazer as necessidades atuais de toda a população, seria preciso quase dois planetas Terra.

“Só com relação à água, por exemplo, o consumo é muito alto e o desperdício é ainda pior. Nós já passamos por um período de risco muito sério de abastecimento de Maceió e região Metropolitana em 2016, por conta da seca. Voltou a chover com regularidade em 2017 e neste ano, por sorte, mas é um risco que se corre com o mau uso”, afirma o professor.

Ele ressalta que outro fator que vêm afetando a água e também a fertilidade do solo são as mudanças nas culturas agrícolas.

O desmatamento também é responsável por esses efeitos. Um levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) mostra que a derrubada da vegetação de Mata Atlântica cresceu 2.243% no estado.

“Hoje temos cerca de 4% de Mata Atlântica em Alagoas. Perdemos espaço para o gado de corte, a cana-de-açúcar, e, agora, boa parte dessas áreas estão sendo substituídas por eucalipto. É a mudança de uma cultura para outra. Não há projetos efetivos para proteger as nascentes, a natureza. É trocar seis por meia dúzia”, questiona o especialista.

Desmatamento tem provocado problemas ao solo e à fauna nativa da Mata Atlântica em Alagoas; problema se repete no semiárido do estado (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Desmatamento tem provocado problemas ao solo e à fauna nativa da Mata Atlântica em Alagoas; problema se repete no semiárido do estado (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

No semiárido do estado, a situação é a mesma. É o que explica outro professor universitário, Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Processamento de Imagens de Satélite (Lapis), da Ufal.

“Nos últimos 15 anos tem ocorrido um desmatamento muio grande na região. A falta de cobertura vegetal tem provocado uma maior exposição do sol, aumentando as temperaturas, matando a vida microscópica do solo e deixando o solo pobre. É algo semelhante ao que acontece nas cidades, onde tiram vegetação e colocam asfalto”, explica Barbosa.

Soluções

O professor Jorge Luiz diz que para evitar um novo colapso de água ou a falta de outros recursos, é preciso mudar hábitos e, principalmente, educar as novas gerações.

“O poder público tem muita responsabilidade nessa situação, mas também é preciso mudar o comportamento da população. Se você não educar, nada acontece”, alerta.

Para ele, são as futuras gerações que têm o poder de mudar esse cenário. É preciso discutir os problemas ambientais com os jovens.

“Não vamos mudar isso só aplicando multas, fazendo campanhas, porque no primeiro descuido dos governos, as pessoas vão lá e repetem os velhos hábitos’, conclui o professor.

Fonte: G1 Alagoas

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