Califórnia enfrenta pior incêndio florestal da história

USA Wald- und Buschbrände Feuer wüten im Norden Kaliforniens, Mendocino (Getty Images/AFP/N. Berger)

O maior incêndio florestal da história da Califórnia deve durar até o fim de agosto, afirmaram as autoridades locais nesta terça-feira (07/08). As altas temperaturas e ventos dificultam o trabalho de milhares de bombeiros, que lutam para apagar oito grandes focos espalhados pelo estado e que estão fora de controle.

Em todo o estado, as chamas já deixaram 11 mortos, destruíram 143 edifícios e ameaçam outras 9,3 mil estruturas. Um total de 432 caminhões de bombeiros, 15 helicópteros e cerca de 14 mil agentes combatem o fogo, incluindo reforços vindos da Austrália e Nova Zelândia.

O incêndio florestal que começou há dez dias na região de Mendocino se transformou no pior da história da Califórnia após ter arrasado 117.639 hectares de terra, uma área equivalente ao tamanho de Los Angeles e superior aos 113.800 hectares que foram devastados nos condados de Ventura e Santa Barbara pelo incêndio Thomas, em 2017.

Incêndio florestal em Mendocino, na Califórnia

Caminhão de bombeiro quase desaparece entre a fumaça em Mendocino

Até agora apenas um terço do fogo na região de Mendocino, que tem dois focos (Ranch e River), foi contido pelos bombeiros. Esse é o maior incêndio entre os oitos do estado. Somente neste condado, 3,9 mil pessoas trabalham no combate às chamas.

“Quebramos um recorde. Este é um daqueles recordes que você não gostaria de ver”, disse ao jornal local Los Angeles Times o subdiretor do Departamento Florestal e de Proteção contra Incêndios da Califórnia (Cal Fire), Scott McLean.

Em Mendocino, duas pessoas morreram, 75 residências foram destruídas e milhares de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas. Segundo autoridades, o impacto não foi maior por o fogo se espalhar em região remota.

Incêndio em Mendocino, na Califórnia

Animais selvagens também são afetados pelas chamas na Califórnia

Os bombeiros esperavam conter as chamas deste incêndio na próxima semana, mas, diante da previsão de temperaturas que podem chegar a 43°C nos próximos dias e ventos fortes, a estimativa foi postergada para o fim deste mês.

“Estamos à mercê do vento”, reconheceu o capitão Thanh Nguyen, porta-voz do Cal Fire no condado de Lake. “Tragicamente, toda esta área está realmente seca, e é muito difícil extinguir as chamas”, acrescentou.

O aumento vertiginoso do tamanho do incêndio nos últimos dias, que aconteceu à noite, quando as chamas geralmente se acalmam, surpreendeu até mesmo os bombeiros. “Ele se propaga de forma extremamente rápida, é muito agressivo e perigoso”, disse McLean.

USA Wald- und Buschbrände Feuer wüten im Norden Kaliforniens, Mendocino

Bombeiros trabalham para conter os incêndios florestais na Califórnia

Os incêndios levaram o governador da Califórnia, Jerry Brown, a declarar estado de emergência para os condados de Riverside, Shasta e Mariposa, no final de julho. Pouco depois, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou situação de “grande desastre” no estado, mostrando que o governo federal está pronto para fornecer assistência adicional no combate aos fogos.

Os focos de incêndios na Califórnia já arrasaram cerca de 230 mil hectares. O incêndio Carr, perto da cidade de Redding, culminou com a morte de sete pessoas e destruiu mais de mil casas. Segundo bombeiros, quase metade do incêndio foi contido.

Outro grande incêndio, o Ferguson, deixou dois mortos e levou ao fechamento de parte do parque nacional Yosemite. Bombeiros disseram que 38% desse incêndio foi contido.

Segundo os especialistas, anos de seca criaram as condições ideais para que os incêndios florestais em grande escala se alastrassem em um ritmo mais rápido. Dos cinco maiores incêndios florestais na história do estado, quatro ocorreram após o ano de 2012.

Bombeiros luta contra foco de incêndio na Califórnia

Bombeiros lutam contra oito grandes focos de incêndio na Califórnia

De acordo com dados do Cal Fire, o ano passado teve uma das temporadas de incêndios mais devastadores para este estado, com 46 mortos e cerca de 559 mil hectares consumidos por aproximadamente 9 mil fogos florestais, que destruíram ainda 10,8 mil estruturas.

Incêndios ocorrem com frequência no verão europeu e norte-americano, mas cientistas afirmaram que as mudanças climáticas estão piorando a situação.

Temperaturas elevadas e tempo seco também causaram incêndios na Suécia, em Portugal, na Espanha, e na Grécia, onde ao menos 91 pessoas morreram. Na região de Leiria, os piores incêndios florestais da história de Portugal mataram 64 pessoas em junho do ano passado. As chamas arderam por cinco dias, em meio a uma onda de calor.

Fonte: Deutsche Welle

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