EXCLUSIVO: Um dos piores acidentes ambientais do Brasil – ocorrido no Paraná – completa cinco anos amanhã

Danielle Jordan / AmbienteBrasil

Um dos maiores acidentes ambientais da história do Brasil completa cinco anos neste dia 16. O rompimento de uma das adutoras da Refinaria Getúlio Vargas – Repar -, da Petrobras, no município de Araucária, a 24 quilômetros de Curitiba, deu origem a um vazamento em que aproximadamente 4 milhões de litros de óleo atingiram os rios Barigui e, posteriormente, o Iguaçu. O acidente somente foi detectado duas horas depois, levantando o alerta do despreparo das empresas quanto a esse tipo de ocorrência – e até mesmo em relação aos critérios envolvidos na Certificação ISO 14.000. (Veja mais detalhes no fim da matéria)

Na ocasião, uma força-tarefa uniu-se para dar suporte ambiental na região. Convidado pelo Ibama, Instituto Ambiental do Paraná – IAP – e Ministério Público, o Instituto Ecoplan coordenou as ações de 23 ONGs (brasileiras e argentinas) na operação batizada de “Resgate do Iguaçu”. Além de tentar conter o vazamento, as instituições atuaram na mobilização para resgate e recuperação da fauna intoxicada da região, além de apoiar a população do entorno dos rios. Para complementar o trabalho, foram realizadas expedições dando continuidade ao monitoramento das áreas. Até mesmo as que ficaram livres dos impactos diretos do vazamento foram vistoriadas.

Para Messala Alkmim, secretário-geral da Mandala Soma, entidade que integrou o resgate, o trabalho de organização das ONGs foi louvável. “Não podemos deixar esquecido o pronto atendimento”, diz. Apesar dos danos ambientais gravíssimos, Messala destaca um ponto positivo vivenciado na ocasião: “As ONGs viram que podem fazer um trabalho coordenado”.

No próximo dia 23, o acidente será lembrado com uma ação de recolhimento do lixo acumulado nas margens do Rio Iguaçu, saindo de Guajuvira até Balsa Nova. Segundo Messala , que em recente visita ao local constatou a quantidade incrível de lixo depositado, faltou uma continuidade do trabalho de conscientização, mostrando a importância tanto econômica, quanto ambiental, do rio. Para ele, ainda falta clareza quanto aos danos ambientais decorrentes do acidente. Com a iniciativa, espera-se fazer um levantamento geral da situação atual da região, além de relembrar o episódio comemorando o êxito dos trabalhos.

Relatório das ONGs:

De acordo com o relatório conclusivo das ONGs atuantes no Resgate do Iguaçu, realizado em 2000, entre os danos ambientais imediatos à água e à biota estão:

- contaminação aguda ou crônica da fauna e da flora aquática e terrestre, resultando na mortandande por intoxicação;

- o impedimento e abafamento da difusão do oxigênio para água causou a morte por asfixia de peixes, zooplâncton, bentos, fitoplâncton e da macroflora;

- comprometimento de recursos alimentares da fauna aquática;

- contaminação da água impedindo o abastecimento para alguns usos industriais e até mesmo para as populações ribeirinhas.

O relatório ainda apontou em sua conclusão algumas falhas listadas abaixo:

- o sistema informatizado, que controla a pressão e fluxo das transferências do produto, se mostrou-se ineficiente;

- a qualidade do treinamento das equipes de manutenção e monitoramento dos processos provou não ser adequada para este tipo de acidente (fluvial);

- colocou em dúvida questões sobre os critérios, empresas e pessoas envolvidas no processo de certificação da série ISO 14.000;

- não havia um sistema integrado de alerta para as autoridades e população nas áreas envolvidas (entorno).

De acordo com a assessoria de Imprensa da Petrobras, a empresa deve divulgar, nesta sexta-feira (15), um balanço do acidente nestes cinco anos.

Saiba mais:

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Legislação associada:

Dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional.

É aprovado o texto da Convenção Internacional sobre Responsabilidade Civil em Danos Causados por Poluição por óleo, concluída em Bruxelas, a 29 de novembro de 1969.

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