EXCLUSIVO: Ibama declara guerra ao caramujo-gigante-africano no Brasil

Redação AmbienteBrasil

O Ibama, através da Instrução Normativa número 73, lançada na semana passada, proibiu a criação e comercialização de moluscos terrestres da espécie Achatina fulica, bem como de seus ovos. A IN também se aplica aos demais moluscos exóticos introduzidos ou criados sem a autorização do órgão ambiental federal competente.

De acordo com o biólogo e coordenador geral de Fauna do Ibama, André Deberdt, o caramujo da espécie Achatina fulica, também conhecido como caramujo-gigante-africano, é nativo do Nordeste da África, e foi introduzido ilegalmente no país na década de 80, como uma alternativa para a criação de escargot. “Com a insatisfação dos criadores e fugas acidentais, os moluscos foram se dispersando. Hoje, eles estão em praticamente todos os estados do país”, afirma Deberdt.

Assim, o que inicialmente seria capaz de representar um ganho para a economia, a partir do interesse gastronômico que a espécie poderia despertar, tornou-se, na prática, um grande problema. O também chamado falso-escargot não vingou comercialmente e o gigante-africano, agora, concorre com as espécies nativas e ocupa ambientes urbanos e rurais de forma agressiva. Segundo Deberdt, os caramujos exóticos atacam culturas agrícolas e pomares, e já são considerados uma praga. “A reprodução desses moluscos é rápida, e eles resistem bem às variações climáticas”, diz o biólogo. Por esse motivo, é difícil controlar a proliferação da espécie.

O Achatina fulica é classificado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) como uma das 100 piores espécies exóticas invasoras no mundo.

Estuda-se a possibilidade de que o caramujo – também chamado de acatina – venha a transmitir uma doença, a angiostrongilíase, que pode ser abdominal ou meningoencefálica. A primeira pode resultar em morte por perfuração intestinal e hemorragia abdominal. Já a segunda, que ataca o cérebro, possui como sintomas dor de cabeça forte e constante, rigidez na nuca e distúrbios do sistema nervoso. A doença é transmitida através do contato com o muco do caramujo. Entretanto, André Deberdt assegura que não existem casos confirmados no Brasil da doença.

Para que o caramujo não procrie e se espalhe ainda mais pelo país, a IN autoriza os órgãos ambientais federais, estaduais e municipais, bem como as organizações não governamentais com experiência na área, a implementar medidas de controle, coleta e eliminação das acatinas. Além disso, o Ibama estipulou um prazo de 60 dias, a partir da data de publicação do documento – 22 de agosto – para que os criadores entreguem ao órgão os exemplares de Achatina fulica. “Quem descumprir a lei pagará uma multa de 5 mil a 2 milhões”, avisa Deberdt.

O Núcleo de Estudos do Comportamento Animal – NEC, do curso de Biologia da PUC do Paraná, estuda desde 2002 as acatinas, com uma abordagem mais local sobre a espécie. “Primeiramente, vamos a campo e procuramos os locais de ocorrência do molusco, o que come, como interage e a sua quantidade”, afirma Marta Fischer, bióloga, professora e pesquisadora. Após colhidas as informações, estudos são feitos em laboratório, para avaliar dados como a fertilidade dos caramujos, por exemplo. As pesquisas já resultaram na publicação de quatro trabalhos e hoje voltam-se, justamente, à busca de formas de controle da proliferação do molusco.

Marta alerta para a grande confusão que é feita comumente no litoral do Paraná entre os caramujos-gigantes-brasileiros e os caramujos-gigantes-africanos: “Por falta de informação, acabam matando o caramujo do Brasil, que está em extinção”, lamenta a bióloga, pregando, como melhores caminhos, a educação ambiental e a separação dos indivíduos por um profissional capacitado. A diferença entre as duas espécies está na cor: a acatina é mais escura que o caramujo brasileiro.

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Legislação associada:

Dispõe sobre a proibição, em todo o território brasileiro, da criação e da comercialização de moluscos terrestres da espécie Achatina fulica, também conhecida como acatina, caracol-africano, falso-escargot ou rainha-da-África, bem como de seus ovos

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