EXCLUSIVO: Biólogo marinho diz que “raias não atacam ninguém”

Mônica Pinto / AmbienteBrasil

O biólogo marinho Marcelo Szpilman, diretor do Instituto Ecológico Aqualung, ganhou notoriedade no meio ambientalista por sua defesa aos tubarões, animais, segundo ele, freqüentemente injustiçados por uma imagem errônea disseminada pela mídia.

Mas agora o especialista, membro da Comissão Científica Nacional da Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos – CBPDS –, expõe informações sobre a raia, espécie marinha que figurou na imprensa esta semana, por motivos trágicos.

Na segunda-feira 4, quando filmava cenas submarinas para um novo documentário, na praia de Port Douglas, na Austrália, o apresentador de TV australiano Steve Irwin, conhecido como “caçador de crocodilos”, foi morto por uma raia. Ferido no peito pelo animal, chegou a ser socorrido por paramédicos, mas acabou falecendo no local do acidente.

Szpilman questiona a manchete “Caçador de crocodilos morre ao ser atacado por raia”, usada por alguns veículos de comunicação. “Isso gera medos infundados”, disse ele a AmbienteBrasil. “As pessoas pensam que é mais um ´monstro marinho´”, completa, fazendo referência aos tubarões.

Para o biólogo, ao usar o termo “ataque”, se promove junto ao público leigo uma noção absolutamente errada a respeito do comportamento das raias e seus possíveis acidentes.

“Conhecido como ‘caçador de crocodilos’, Steve Irwin era famoso por se aproximar demais dos animais selvagens quando captava imagens para seus documentários”, lembra Szpilman, reafirmando que raias tendem sempre a fugir diante da aproximação de mergulhadores. Em sua avaliação, é provável que o animal a matar Irwin tenha sido “extremamente acuado”.

O diretor do Instituto Aqualung explica que grande parte das raias costuma passar quase todo o dia em repouso na areia, onde algumas se enterram. As espécies potencialmente perigosas possuem em sua cauda um aguilhão (às vezes mais de um ao mesmo tempo) que pode inocular uma potente peçonha.

Quando o animal está tranqüilo e em repouso, o aguilhão fica encostado paralelo à cauda, acondicionado em uma dobra membranosa e imerso em muco e peçonha produzidos pelas glândulas da epiderme. Ao ser perturbada ou estressada, a raia costuma dar violentas “chicotadas” com sua cauda. Nesse momento, seu aguilhão adquire uma posição perpendicular à cauda e, ao atingir sua vítima, provoca ferimentos profundos e graves com inoculação de peçonha.

“No entanto, quando não molestadas, as raias são totalmente inofensivas e incapazes de atacar ativamente quem quer que seja”, diz o biólogo. “Cerca de 99% dos acidentes com raia são provocados por pescadores que insistem em capturá-las, e no ato de dominá-las ou retirá-las da rede ou anzol, são atingidos pelo aguilhão, ou mergulhadores inconseqüentes que acham que podem acariciá-las ou molestá-las até o limite do insuportável, como se elas fossem um animal doméstico e bobo”.

Segundo ele, apenas 1% ocorre por acidente, quando alguém inadvertidamente, ao desembarcar de suas lancha na praia por exemplo, dá uma “pisada” em uma raia que esteja repousando na água rasa.

Marcelo Szpilman contou a AmbienteBrasil que recebeu mais de 200 e-mails aprovando sua defesa a estes animais.