EXCLUSIVO: Usar lâmpadas fluorescentes é uma decisão em prol do planeta

Mônica Pinto / AmbienteBrasil

Diversos países vêm implantando políticas de substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes. Essa intervenção pública no que, a princípio, seria decisão exclusiva de cada consumidor obedece a uma motivação importante: promover eficiência energética. A redução do consumo nesse campo tem impacto positivo sobre o meio ambiente, na medida em que são minimizadas – ou ao menos desaceleradas – as necessidades de geração de energia.

A Austrália, por exemplo, pretende interromper a venda de incandescentes até 2010 e proibir a comercialização de lâmpadas que não cumpram as metas de economia de energia. O Canadá deve banir a venda das lâmpadas tradicionais até 2012, como parte do plano de diminuir em 20% a emissão de gás do efeito estufa até 2020. Na Venezuela, o Governo substituiu 53 milhões de lâmpadas incandescentes por fluorescentes em mais de 95% dos domicílios. Já nos Estados Unidos, as ações acontecem isoladamente, em alguns Estados como a Califórnia, que trabalha para interromper a venda de incandescentes até 2012, além de Hawai e New Jersey, cujas legislações propõem substituir as lâmpadas tradicionais pelas fluorescentes em prédios públicos até 2010.

No Brasil, tramita no Congresso um Projeto de Lei proposto pelo deputado Arnon Bezerra (PTB/CE), de maio de 2007, que prevê a proibição da fabricação, importação e comercialização em todo o país de lâmpadas incandescentes a partir de 2010.

Não se sabe ainda para que lado caminha a proposta, a ser submetida ainda a várias Comissões da Casa, mas, além dela, contabilizam-se no país alguns esforços interessantes. No caso específico das lâmpadas fluorescentes compactas, desde 13 de dezembro passado, passou a ser obrigatória, na embalagem, a existência da etiqueta ENCE (Etiqueta Nacional de Conservação de Energia), acompanhada de um selo do Inmetro e do Procel, informando o consumidor sobre a luminosidade e a potência do produto, a fim de assegurar sua qualidade e nível de eficiência.

O Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), nascido em 1985 para combater o desperdício e reduzir os custos e os investimentos do setor, em 1993, instituiu o Selo Procel de Economia de Energia, que indica ao consumidor eletrodomésticos mais econômicos em termos de consumo de energia.

As distribuidoras de energia têm ainda um compromisso com a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) em investir uma porcentagem de seus faturamentos na compra e distribuição gratuita de lâmpadas fluorescentes compactas com Selo Procel para uso doméstico. Há também, dentro deste acordo, o compromisso de investirem parte do faturamento no programa Reluz (Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente), que realiza a troca do sistema de iluminação pública das prefeituras do Brasil.

O consumidor brasileiro, contudo, ainda tem relutância em aderir às lâmpadas fluorescentes, sobretudo em função de seu preço, mais caro em relação às tradicionais.

O que está por trás dessa resistência, porém, é a desinformação. Cerca de 80% mais econômica e com durabilidade dez vezes maior que a incandescente, o uso da fluorescente diminui a conta de luz. A troca de uma só lâmpada comum de 60W, modelo mais consumido nas residências brasileiras atualmente, por uma fluorescente de 15W, gera uma economia de R$ 2 em um mês. Embora a fluorescente tenha um custo médio de R$ 8, em quatro meses o consumidor recupera o investimento. O restante da vida útil da lâmpada, portanto, representa lucro.

Esses cálculos, que deveriam ser disseminados de uma maneira mais pulverizada pelo próprio governo, acabam divulgados apenas pelo setor fabricante de lâmpadas mais econômicas que, nesse caso, legisla saudavelmente em causa própria.

A empresa de iluminação Golden Plus, por exemplo, está empreendendo uma campanha por todo o país para conscientizar o consumidor sobre a vantagem de utilizar lâmpadas fluorescentes compactas em comparação com as incandescentes.

Pertencente ao Grupo Paulista Business, a companhia foi fundada em 90, inicialmente como importadora de produtos. Três anos depois, viu uma oportunidade no setor de iluminação, ingressou nesse mercado e criou a marca Golden Plus.

“A Golden Plus detectava uma possibilidade de crescer nesse setor, ao mesmo tempo em que a China entrava nesse campo com possibilidade de praticar preços aqui bem mais competitivos que o praticado pelas fábricas nacionais”, diz a AmbienteBrasil o diretor comercial da empresa, Ricardo Cricci.

“Uma vez que a substituição das incandescentes pelas lâmpadas eletrônicas é inevitável, é preciso que o consumidor entenda as vantagens nesta troca”, pondera ele. Com esse objetivo, a empresa está distribuindo folhetos e explicando os benefícios da fluorescente aos consumidores que passam pelos supermercados, casas de material de construção e de material elétrico espalhadas pelo país.

Mas com cerca de 50% dos lares brasileiros ainda usando lâmpadas incandescentes, muito há que ser feito para explicar à população sobre a importância da substituição por lâmpadas econômicas.

De qualquer maneira, aos poucos, essa conscientização vai se concretizando. O país já consome aproximadamente 11 milhões de lâmpadas fluorescentes por ano. “Só em 2007, o consumo das fluorescentes compactas no mercado brasileiro foi 20% a 25% maior em relação ao ano anterior, índice que deve continuar aumentando com a crescente preocupação das pessoas em relação à eficiência energética e à contribuição que cada um pode dar para reduzir os efeitos do aquecimento global”, acredita Cricci.

(Na foto da página inicial, a Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ), iluminada com tecnologia da Golden Plus)

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