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18 / 12 / 2008Desmatamento da Mata Atlântica aumentou nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória
Mônica Pinto / AmbienteBrasil (*)
A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) anunciaram ontem os dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica de 2005 a 2008 referentes às regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória (ES).
Para surpresa da entidade do terceiro setor, o que se verificou foi um aumento expressivo do desmatamento nos últimos três anos, contrariando a queda na taxa entre 2000-2005. Juntas, essas regiões desmataram 793 hectares de Mata Atlântica, equivalente a cerca de 990 campos de futebol iguais ao do Maracanã.
Cabe lembrar que a Lei da Mata Atlântica foi sancionada pelo presidente Lula, em dezembro de 2006, justamente com a missão principal de proteger o bioma, entre os mais ameaçados do país pela pressão antrópica.
“A gente vem fazendo um trabalho grande de conscientização, existia a Lei e vínhamos monitorando uma queda na taxa de desmatamento, por isso o aumento nos surpreendeu”, disse a AmbienteBrasil Márcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento da SOS Mata Atlântica, na expectativa de que estes números sirvam como um alerta à sociedade.
Segundo Márcia, os principais alvos deste alerta são os prefeitos e vereadores que assumem novos mandatos a partir do ano que vem, além dos executivos e parlamentares reeleitos. Por esse motivo, a Fundação decidiu antecipar a divulgação desse levantamento parcial, posto que apenas em maio de 2009 serão tornados públicos os dados completos do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica.
A região metropolitana de São Paulo foi a campeã de desmatamento em relação às outras duas regiões mencionadas. Nos últimos três anos, 437 hectares foram suprimidos, ou seja, nove vezes mais que no período de 2000 a 2005, quando o número foi de 48 hectares.
Em São Paulo, tirando-se o desmatamento oriundo da construção do Rodoanel, a metade restante foi observada na região da Cantareira, responsável pelo abastecimento de água de 55% da população da região metropolitana da capital. A taxa anual de desmatamento entre o período 2005-2008 aumentou 14 vezes comparado com o período de 2000-2005.
“Aquela água é de excelente qualidade e manter esse fluxo hídrico sadio é de fundamental importância”, registra Márcia.
Já na região metropolitana do Rio de Janeiro, o desmatamento dobrou, de acordo com a pesquisa. O número absoluto de supressão de floresta nativa na região é de 205 hectares nos últimos três anos, contra os 94 relatados entre 2000 e 2005. Os municípios de Itaboraí e Nova Iguaçu são os mais críticos, com desmatamentos no entorno da Reserva Biológica do Tinguá. A taxa anual de desflorestamento entre o período 2005-2008 aumentou 3,6 vezes comparado com o período de 2000-2005.
Os dados anunciados mostram que na região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo, 150 hectares foram suprimidos, sendo que 68 foram no município de Guarapari, enquanto no período anterior o número foi de 86 hectares.
Neste último levantamento não foram identificadas alterações em áreas de mangue e restinga, apenas em florestas nativas, o que resulta em uma maior fragmentação do Bioma. Foram computados nos números áreas de desmatamento a partir de três hectares, embora o sistema permita visualizar os desmatamentos com áreas menores.
O Atlas completo vai trazer os mapas de mais de 3,4 mil municípios onde ocorre Mata Atlântica. “Os prefeitos e vereadores terão um marco zero para o controle da atuação deles na proteção do bioma”, disse Márcia Hirota ao portal, antecipando que a SOS Mata Atlântica e o INPE passarão a anunciar o monitoramento a cada dois anos, e a cada quatro anos farão um balanço correspondente àquela gestão municipal ou estadual. Anteriormente, o estudo era feito de cinco em cinco anos.
(*) Com Assessoria de Comunicação da Fundação SOS Mata Atlântica.