EXCLUSIVO: Diagnósticos vão ajudar na recuperação de áreas degradadas em Alta Floresta, Carlinda e Colíder, no Mato Grosso

Danielle Jordan / AmbienteBrasil

A degradação chega a 70 mil hectares em locais de nascentes e matas ciliares, de acordo com diagnósticos ambientais elaborados pelo Instituto Centro de Vida (ICV). Os municípios de Alta Floresta, Carlinda e Colíder, no Mato Grosso, foram apontados com grande degradação em Áreas de Preservação Permanente (APP’s).

Na região amazônica o percentual de cada propriedade que pode ser desmatado é de 20%, segundo o coordenador adjunto do ICV, Laurent Micol, “nesses municípios o índice varia de 50 a 80% mais”, diz. “A paisagem fica descaracterizada e a degradação provoca um grande risco podendo, em alguns casos, transformar o ambiente a tal ponto que torna o local impróprio até para a produção”.

A degradação das APP’s e das matas ciliares pode gerar problemas de disponibilidade de águas nessas regiões, de acordo com Micol. Somente para a recuperação desses locais é necessário o plantio de mais de 300 milhões de árvores. “Agora a gente sabe exatamente o que está acontecendo e o que pode ser feito para resolver a questão”, conclui.

O levantamento foi realizado a partir de imagens obtidas por sensoriamento remoto e técnicas de geoprocessamento para produzir informações detalhadas sobre a cobertura vegetal, nascentes, cursos d’água, Áreas de Preservação Permanente e microbacias hidrográficas. Os municípios estão dispostos a recuperar as áreas apontadas, segundo Micol, a prioridade será a recuperação de nascentes e matas ciliares.

O ICV e outras entidades vão colaborar com as prefeituras repassando as técnicas corretas de plantio. “Conhecemos casos de proprietários que compraram mudas em viveiros por conta própria, mas não deu certo. Não conseguiram controlar o capim”, explica Micol, “existem técnicas direcionadas que permitem chegar ao resultado de forma mais eficaz”.

Em 2008 o município de Alta Floresta foi incluído na lista dos mais desmatados do Ministério do Meio Ambiente. A metade de sua área total foi desmatada, de acordo com o estudo. Apenas 49% das 6,5 mil nascentes estão preservadas.

Carlinda tem 56% das suas áreas de APP’s degradadas. Das 1,8 mil nascentes, 74% está em área devastada. Em Colíder a situação é semelhante. Da área total do município, 71% está desmatada. Quase 90% das sub-bacias tem 75% ou menos de cobertura florestal. Pela legislação a área de floresta deveria ser de 80% nessa localidade, por se tratar de região pertencente ao bioma Amazônia.