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19 / 05 / 2003 PLANO MESTRE PODE SALVAR MICOS-LEÕES-PRETOS DA EXTINÇÃO

Os especialistas que trabalham com os micos-leões-pretos no Brasil se reúnem nesta terça-feira (20), em Bauru, no interior de São Paulo, para tomar uma importante decisão: definir quais são os acasalamentos necessários entre os indivíduos dessa espécie mantidos em cativeiro para que o país tenha uma reserva genética representativa da população selvagem desses animais. O objetivo é assegurar a sobrevivência da espécie, considerada criticamente ameaçada de extinção.

Atualmente, os micos-leões-pretos (Leontopithecus chrysopygus) se resumem a mil indivíduos em vida livre e mais cento e dois mantidos nos zoológicos de Brasília, São Paulo, Bauru e Centro de Primatologia do Rio de Janeiro e alguns zoológicos internacionais. Coordenada pelo IPE - Instituto de Pesquisas Ecológicas, a reunião contará com a participação do Ibama, responsável pelo Comitê Internacional para a Conservação e Manejo dos Micos Leões.

No caso dos micos-leões-pretos, as esperanças para a sobrevivência da espécie dependem da elaboração e da adequada execução de um "plano-mestre" para o manejo dos indivíduos em cativeiro. O plano está sob a responsabilidade do primatólogo Cláudio Pádua, diretor científico do IPE. Um dos principais aspectos apontados no plano é a necessidade de deslocamento entre os mantenedores de animais representativos do ponto de vista da variabilidade genética da população remanescente.

A estratégia é basicamente a mesma usada com outros animais silvestres ameaçados de extinção, ou seja, realizar o maior número de cruzamentos possível entre os micos mantidos em cativeiro de modo a formar um banco genético que possa servir de fonte para futuras reintroduções na natureza.

Sobreviventes do que restou da Mata Atlântica do interior de São Paulo, os micos-leões-pretos enfrentam vários perigos para sobreviver. Apesar do esforço de várias instituições e do trabalho dos pesquisadores, o fato de haver uma pequena população os torna ainda mais vulneráveis. Desmatamentos clandestinos, tráfico ou mesmo incêndios florestais podem dizimar os últimos animais selvagens. Por isso, o empenho dos cientistas em ampliar ao máximo a representatividade genética da espécie.

Mata Atlântica

Os micos-leões são nativos da Mata-Atlântica. Nas florestas remanescentes, habitam as únicas quatro espécies existentes no mundo: mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), mico-leão-da-cara-dourada (L. chrysomelas), mico-leão-preto (L. chrysopygus) e mico-leão-da-cara-preta (L. caissara). Todas elas encontram-se ameaçadas de extinção.

Entre os principais fatores que quase provocaram o extermínio dos micos-leões brasileiros estão a destruição das florestas de Mata-Atlântica, reduzidas a apenas quatro por cento da cobertura original, e o tráfico de animais silvestres. O hábito de criar esses animais como bichos de estimação também contribuiu para pôr em risco a sobrevivência dos micos.

A distribuição dos micos-leões no Brasil se dá da seguinte forma: mico-leão-dourado (Rio de Janeiro), mico-leão-da-cara-dourada (Bahia), mico-leão-preto (São Paulo) e mico-leão-da-cara-preta (Paraná). Em cada uma dessas regiões o comitê coordena ações que têm o objetivo de preservar os micos através de programas de conservação dos habitats, pesquisas científicas e programas de reintrodução. O comitê também apóia iniciativas voltadas para a educação ambiental e a capacitação profissional.

Nos últimos anos, os projetos conservacionistas apoiados pelo comitê foram responsáveis pela estabilização do decréscimo populacional dos micos-leões em todo o país. No caso do mico-leão-dourado houve aumento populacional. Atualmente, a população dos micos-leões é estimada da seguinte maneira: mico-leão-dourado (1.000 indivíduos), mico-leão-da-cara-dourada (entre 6 e 15 mil), mico-leão-preto (cerca de 1.000) e mico-leão-da-cara-preta (400).
(Ibama)


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