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30 / 11 / 2003 LEONARDO BOFF DIZ QUE O HOMEM É UM ANALFABETO AMBIENTAL

O téologo e humanista Leonardo Boff, integrante da Comissão de Honra da Conferência Nacional do Meio Ambiente, iniciou nesta sexta-feira (28) sua participação oficial no evento conclamando a todos pelo esforço em perseguir os quatro princípios que considera básicos para o alcance da vida sustentável na Terra: solidariedade, precaução, responsabilidade e alfabetização ambiental.

Para Boff, autor da Teoria da Libertação e ex-frei, o ser humano precisa incorporar uma nova visão sobre o planeta, levando em conta que não é habitante exclusivo do mundo em que se vive. "Não temos o monopólio sobre a biosfera, aqui vivem plantas e animais, há o solo. Respeitar tudo isso chama-se desenvolvimento sustentável", afirmou. Para ele, o homem só alcançará sustentabilidade quando entender a Terra como um prolongamento do próprio corpo.

O princípio da precaução é fundamental na questão ecológica, na visão do teólogo, porque em todas as atividades humanas há uma relação entre risco e benefício que se não for computada pode ser destrutível. Boff defendeu a liberdade à pesquisa porque acredita que quanto mais conhecimento se acumula mais universalização de informações o homem terá. Ele classificou a raça humana de analfabetos ambientais e disse que sonha, como no passado divulgava a Carta dos Direitos Humanos em praça pública, junto com d. Paulo Evaristo Arns, há vários anos, em divulgar uma cartilha ecológica que contenha princípios básicos da sustentabilidade e da alfabetização ecológica.

Lembrando Arns novamente, o teólogo enfatizou a fraternidade como elemento fundamental para a vida na Terra, seja do ponto de vista ambiental e social. "Eu perguntei certa vez ao frei como nós iríamos ajudar as pessoas e ele me respondeu que era simples. Bastava que pensássemos nelas como crianças que ainda são, mas cujos pés estão mais cansados. Acho que assim, se queremos ajudar alguém, temos que ajudar cuidando dele, fazendo uma história com ele, porque assim terminaremos irmãos pela vida inteira e teremos nos ajudado a nós mesmos", finalizou.

Leonardo Boff o representante brasileiro na elaboração da Carta da Terra, documento que deu seqüência a outro com o mesmo nome e cuja redação foi proposta na Rio-92, mas substituído pela Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. A Carta da Terra da Conferência das Nações Unidas, realizada no Rio de Janeiro, tinha por objetivo servir de base ética e moral para a Agenda 21, mas não houve consenso entre os países sobre seu conteúdo e o documento sequer foi escrito. O secretário geral da conferência, Maurice Strong e o presidente da Cruz Verde Internacional, o ex-presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, lançaram, então, em 1996, a nova iniciativa da Carta da Terra, na Costa Rica.

O documento final foi publicado no dia 14 de maio de 2000 e teve a participação de 100 mil pessoas de 46 países. Agora, a comissão internacional da Carta da Terra quer que as Nações Unidas (ONU) reconheçam seu conteúdo e a publiquem com idêntico valor ao da Declaração dos Direitos Humanos, publicada em 1948. Para Boff, a Carta da Terra é o documento que expressa o novo estado de consciência da humanidade, de que a Terra não é só o lugar onde habita o ser humano, "mas o ser humano é a própria Terra".

Boff lançou nesta sexta-feira à noite o livro Terra América, escrito em parceria com Marco Antônio Miranda. O livro, com fotos e textos, revela uma expedição que saiu de Petrópolis (RJ) para conquistar os Andes, atravessando florestas, rios, desertos e cidades históricas até chegar ao Pólo Norte. (Agência Brasil)


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