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08 / 06 / 2005 Encontro em BH reuniu especialistas para elaboração do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Muriquis

Aconteceu em Belo Horizonte, de 1 a 2 de junho, a 3ª Reunião do Comitê para Conservação e Manejo dos Muriquis. Com a colaboração de pesquisadores convidados, o Comitê deu início à elaboração do Plano de Ação Nacional para Conservação dos Muriquis, que inclui tanto o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), um dos 25 primatas mais ameaçados do mundo, quanto o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), em perigo de extinção, segundo a lista da fauna brasileira.


“Esta iniciativa é pioneira e promete maior eficácia no trabalho de todos os envolvidos com essas espécies. Na medida em que permite a união de especialistas e entidades que atuam pela conservação do Muriqui numa perspectiva global e não pontual, esse encontro e os resultados e informações discutidos aqui irão nos auxiliar em tomadas de decisão mais acuradas e na proposição de ações de manejo mais efetivas nas áreas de ocorrência desses primatas”, afirma Luis Paulo Pinto, diretor do programa da Mata Atlântica da Conservação Internacional.


A previsão é a de que o plano seja concluído em 2006 e o documento deve conter um leque de ações relevantes para a conservação dessas espécies. “O Plano irá contemplar, entre outros aspectos, propostas para criação de áreas protegidas, operações de fiscalização - principalmente aquelas relacionadas à inibição da caça -, inventários de populações pouco conhecidas, além de estudos de genética e a determinação dos indivíduos restantes na natureza”, informa Marcelo Marcelino, do Centro de Proteção de Primatas Brasileiros, do IBAMA. Segundo ele, os dados mais recentes indicam a existência de cerca de 900 a 1.000 indivíduos de muriquis-do-norte e entre 1.100 e 1.300 muriquis-do-sul.


Unidades de Conservação


Além do Plano de Ação, o Comitê saiu da reunião com algumas recomendações, que incluem a realização de estudos para a criação de Unidades de Conservação para proteção das populações do muriqui no Paraná e de algumas populações no estado de São Paulo; um encontro de chefes de Unidades de Conservação onde ocorrem as espécies, para definição de ações comuns; bem como a elaboração de um programa de cativeiro integrado ao Plano de Ação. Esse programa irá definir as instituições que serão mantenedoras de espécimes em cativeiro, tendo sido indicadas o Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, a Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte, o Zoológico de Sorocaba e o Criadouro Conservacionista de Juquitiba.


Durante o encontro, os especialistas também propuseram a definição de um protocolo específico para destinação de exemplares de muriquis apreendidos e referendaram proposta do Ibama para ampliação do Comitê. Assim, o Comitê passa a incluir a espécie de guariba Alouatta guariba guariba, primata criticamente ameaçado de extinção, passando a chamar-se Comitê para Conservação e Manejo dos Atelídeos da Mata Atlântica.


Estiveram presentes no encontro representantes do Ibama - vinculados à Coordenação de Proteção das Espécies da Fauna, ao Centro de Proteção de Primatas Brasileiros e às Gerências Executivas dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná -, Conservação Internacional, Fundação Biodiversitas, Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, Universidade Federal do Espírito Santo, Universidade de Wisconsin (EUA), Universidade Federal de Minas Gerais e da Universidade Estadual de Minas Gerais. O encontro foi uma iniciativa do Ibama, com o apoio da Conservação Internacional.

(Fonte: Assessoria de Imprensa do Centro de Proteção de Primatas Brasileiros do Ibama)


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