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09 / 07 / 2005 Circo procura “pais adotivos” para leão

O destino de um leão de um circo, que está em Irati (PR), na Região Sul do estado, mobiliza a população da cidade. Até amanhã (10), ele terá alimentação e abrigo garantidos, mas, a partir de segunda-feira, não se sabe o que será feito dele.

Lion é um leão de seis anos, com 200 quilos, que chegou a Irati juntamente com o circo há uma semana. Depois que seu domador deixou o picadeiro, o dono do circo não sabe o que fazer com o animal, que consome diariamente 15 quilos de carne.

Desde que o circo manifestou sua intenção em doá-lo, a organização não-governamental (ONG) Amigo Bicho busca em todo o Brasil um local para abrigar Lion. O prazo está se esgotando. Amanhã (10), o circo deixa a cidade e ninguém sabe o que será feito com o leão.
Por enquanto, a busca é infrutífera. Nenhum zoológico ou abrigo em território nacional tem condições de ficar com o animal. De acordo com a coordenação nacional do Ibama, existem no Brasil hoje 80 casos como o do leão de Irati. A ONG paulista Rancho dos Gnomos, que abriga animais abandonados, até se dispôs a cuidar do leão circense, mas só se houver uma ajuda empresarial.

Segundo a presidente da ONG, Sílvia Pompeu, o rancho precisaria fazer mais uma jaula para deixar o animal. “A alimentação e os cuidados depois a gente consegue, mas não temos condições de construir um local para ele.” O rancho já abriga 12 leões e um tigre, também abandonados por circo.

Lion ocupa hoje uma jaula de aproximadamente 1,5 metro por 2 metros. É alimentado diariamente pela população de Irati, que buscou ajuda no comércio da cidade. Os 15 quilos de carne consumidos pelo leão diariamente são doados. Somente com isso, o animal dá uma despesa de aproximadamente R$ 600 semanais. Visualmente, Lion não apresenta sinais de maus-tratos, mas segundo Sílvia somente o fato dele ter vivido durante seis anos enjaulado já é sinal de irregularidade. Segundo ela, todos os animais de circo que chegam ao rancho vêm debilitados. “A gente equilibra o animal, mas não recupera nunca”, afirma.

A ONG Animal Bicho entrou em contato com o Ibama, buscando auxílio para o caso. Segundo a presidente da organização, Andréa de Oliveira Leite, não houve sucesso. A reportagem procurou o órgão e foi informada de que o responsável pelo caso estava viajando e só retornaria na segunda-feira (11). Para Sílvia, a responsabilidade sobre o destino de Lion deve ser da prefeitura. Ela cita um caso recente que ocorreu no interior de São Paulo, em que um dono de circo abandonou um animal e o Ibama responsabilizou a prefeitura. Segundo ela, isso pode abrir um precedente para o caso em Irati. (Érica Busnardo / Gazeta do Povo)


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