Mônica Pinto / AmbienteBrasilConforme
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EXCLUSIVO: Primatas sob ameaça de extinção são tema de encontro em Sergipe, desde abril de 2004, o Centro de Proteção de Primatas Brasileiros do Ibama (CPB/Ibama) coordena o desenvolvimento do Projeto Guigó, executado em parceria com a Superintendência Estadual do Ibama em Sergipe, a Universidade Federal de Sergipe – UFS -, e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales dos Rios São Francisco e Parnaíba - Codevasf.
Em março deste ano, estas Instituições firmaram um Acordo de Cooperação Técnica para potencializar as atividades do Projeto Guigó, que tem por objetivo implementar um conjunto de ações para a conservação do macaco guigó (
Callicebus coimbrai) e de seus habitats.
Atualmente, as atividades deste projeto estão ordenadas em três linhas de ação. A primeira é o desenvolvimento de estudos para ampliar o conhecimento científico sobre o guigó e seus habitats. O mapeamento das populações remanescentes da espécie, que já possibilitou conhecer mais de trinta áreas de sua ocorrência e as principais ameaças a que estão expostas, além de realizar a primeira estimativa do número de indivíduos na natureza (500 a mil), continua sendo realizado.
Outros estudos em andamento estão caracterizando os habitats em que o guigó vive, detalhando seu comportamento e alimentação, e desvendando sua variabilidade genética.
A segunda linha de ação refere-se à proteção das áreas de ocorrência da espécie. “Um dos principais avanços é o reconhecimento de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), algumas das quais estão em fase final de tramitação, e representam as primeiras áreas protegidas que abrigam o guigó, por iniciativa de seus proprietários”, diz o biólogo Leandro Jerusalinsky, analista ambiental do Centro de Proteção de Primatas Brasileiros – CPB – do Ibama.
Segundo ele, encontra-se em estudo a criação de Unidades de Conservação, tanto federais, quanto estaduais e municipais no território de Sergipe. Além disso, áreas com ocorrência confirmada da espécie estão recebendo especial atenção no processo de fiscalização.
A terceira linha de ação aponta para a inclusão das comunidades no processo de conservação do guigó. Estão sendo viabilizados diagnósticos junto às comunidades localizadas no entorno de áreas de ocorrência da espécie, procurando compreender suas relações.
Também está sendo trabalhada a recomposição de áreas com guigós juntamente com a sustentabilidade econômica, partindo da implementação de viveiros comunitários e da apicultura.
“Com este conjunto de ações em desenvolvimento já é possível verificar avanços significativos na atuação institucional voltada à conservação do guigó e seus habitats”, diz Leandro.
“Entretanto, como alguns dos estudos requerem um tempo maior para evidenciar seus resultados, e outros ainda estão em planejamento, espera-se que estes avanços ainda venham a gerar um salto maior na proteção desta espécie criticamente ameaçada”, antecipa.
SOBRE O MACACO GUIGÓ O guigó é o último primata descoberto na Mata Atlântica. É uma das mais recentes espécies de primatas neotropicais reconhecidas pela Ciência, descrita em 1999 pelos pesquisadores S. Kobayashi e Alfredo Langguth.
O
Callicebus coimbrai ocorre em reduzidos remanescentes de mata no estado de Sergipe e norte da Bahia.
Atualmente, o guigó é reconhecido como uma das espécies de primata mais ameaçadas de todo o continente americano, constando entre as 26 espécies de primatas da Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (Ibama/MMA) e considerada “Criticamente em Perigo” pela Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), que reconhece apenas 10 espécies no Brasil nesta condição.
A perda de habitat é a principal causa para o risco de extinção da espécie, situação que é agravada pela prática da caça e pelo corte seletivo de madeira que diminui a qualidade dos habitats remanescentes e acentua a pressão para o declínio de suas populações.
(Fonte: Centro de Primatas Brasileiros / Ibama)
Foto da página inicial: Leandro Jerusalinsky