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25 / 05 / 2002 ESPECIALISTAS VÃO DISCUTIR NO PARANÁ FORMAS DE SALVAR OS MICOS-LEÕES

Especialistas do Brasil e do exterior se reúnem entre os dias 27 e 29 de maio em Paranaguá (PR) para traçar estratégias que possam livrar os micos-leões da extinção. Nas florestas remanescentes da Mata Atlântica brasileira, habitam as únicas quatro espécies do gênero existentes no mundo: mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia),

mico-leão-da-cara-dourada (L. chrysomelas), mico-leão-preto (L.chrysopygus) e mico-leão-da-cara-preta (L. caissara). Esta última existe apenas no Estado do Paraná. Todas as espécies de micos-leões encontram-se ameaçadas.



"Entre os principais fatores que quase provocaram o extermínio dos micos-leões brasileiros estão a destruição das florestas de Mata-Atlântica - reduzidas a apenas quatro por cento da cobertura original - e o tráfico de animais silvestres. O hábito de criar esses animais como bichos de estimação também contribuiu no passado para por em risco a sobrevivência dos micos", explica José de Anchieta dos Santos, diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.



O instituto é o anfitrião dos especialistas que formam o Comitê Internacional para Recuperação e Manejo dos Micos-Lões. De caráter consultivo, o comitê é composto por representantes de diversos zoológicos do Brasil e do exterior, além de renomados primatólogos e pesquisadores e organizações não governamentais que trabalham gratuitamente como consultores técnicos

para o Governo brasileiro na recuperação dos micos-leões.



A distribuição dos micos-leões no Brasil se dá da seguinte forma: mico-leão-dourado (Rio de Janeiro), mico-leão-da-cara-dourada (Bahia), mico-leão-preto (São Paulo) e mico-leão-da-cara-preta (Paraná).



Em cada uma dessas regiões, o comitê coordena ações que têm o objetivo de conservar os habitats, desenvolver pesquisas científicas e programas de reintrodução. O comitê também apóia iniciativas voltadas para a educação ambiental e a capacitação profissional.



Nos últimos anos, os projetos conservacionistas apoiados pelo comitê foram responsáveis pela estabilização do decréscimo populacional dos micos-leões em todo o país. No caso do mico-leão-dourado houve aumento populacional.



Atualmente, a população dos micos-leões é estimada da seguinte maneira: mico-leão-dourado (1.000 indivíduos), mico-leão-da-cara-dourada (entre 6 e 15 mil), mico-leão-preto (cerca de 1.000) e mico-leão-da-cara-preta (400).



De acordo com José de Anchieta, o Ibama participa ativamente do trabalho de conservação dos micos-leões com o apoio à criação de Unidades de Conservação nas regiões onde ainda existem essas espécies. O exemplo mais importante é a Reserva Biológica União, no Estado do Rio de Janeiro, berço do mico-leão-dourado. Com 3.126 hectares, a Rebio União é praticamente toda coberta por vegetação de Mata Atlântica. A reserva foi criada em 1998 a partir da compra de fazendas da região pelo Ibama, que administra a reserva e a disponibiliza para pesquisadores brasileiros e estrangeiros e ONGs.

(Agência Brasil)




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