Batizado em homenagem a ‘Guerra nas Estrelas’, gibão Skywalker ganha status de nova espécie

Cientistas classificaram como uma nova espécie um primata que vive em florestas do sudoeste da China.

O gibão vinha sendo estudado há alguns anos, mas novas pesquisas confirmaram que ele é diferente de todas as outras espécies conhecidas.

Ele foi batizado de gibão hoolock Skywalker porque o nome chinês do animal significa “movimento celeste”, o que inspirou a homenagem ao sobrenome dos protagonistas da série de filmes Guerra nas Estrelas.

A descoberta foi publicada na revista especializada American Journal of Primatology. E os cientistas esperam que ajude a preservar os primatas e outras espécies das florestas da região.

“Muitas espécies estão desaparecendo ou foram extintas por causa da perda de habitat, a caça indiscriminada e o crescimento populacional humano”, disse à BBC Sam Turvey, da Zoological Society of London, e que fez parte do estudo.

“É um privilégio, então, ver algo tão especial e raro como um gibão na copa das árvores de uma floresta tropical chinesa. Especialmente quando esses gibões são uma nova espécie que a ciência antes não reconhecia.”

Os gibões hoolock existem em Bangladesh, Índia, China e Mianmar. Passam a maior parte de suas vidas no alto das árvores e raramente descem ao chão. Mas a equipe de cientistas, liderada por Fan Peng-Fei, da Universidade Sun Yat-sen, na China, suspeitou que os animais estudados na província chinesa de Yunnan eram incomuns.

Os hoolock têm sobrancelhas e barbas brancas, mas os gibões chineses tinham aparência diferente.

Além disso, suas canções, usadas para se relacionar com outros gibões e para marcar território, também tinham sons diferentes das de outras espécies.

Partindo disso, os cientistas fizeram comparações físicas e genéticas para confirmar que os primatas chineses eram uma espécie diferente.

Eles receberam até um nome científico específico – Hoolock tianxing.

Turvey falou sobre as dificuldades de estudar os animais, que vivem em regiões remotas da reserva de Gaoligongshan.

“Você precisa atingir 2,5 mil metros de para encontrar os gibões – essa é o ponto em que a floresta é mais densa, pois tudo na parte mais baixa já foi derrubado. Depois, é preciso acordar de madrugada para tentar localizá-los na copa das árvores”, explicou o britânico.

“E quando você ouve os guinchos deles, você precisa correr pela lama, em meio à neblina, por centenas de metros, para tentar alcançá-los.”

Os cientistas estimam que haja 200 gibões Skywalker na China – e alguns vivendo na vizinha Mianmar, embora o tamanho da população seja desconhecido. Esses primatas correm risco de extinção.

“O número baixo de espécimes e as ameaças que enfrentam nos fazem pensar que eles devam ser classificados como espécie ameaçada”, afirma Turvey.

A notícia da descoberta dos gibões despertou o interesse de ninguém menos que o ator Mark Hamill, que faz o papel de Luke Skywalker na saga de Guerra nas Estrelas.

Pelo Twitter, Hamill disse estar “orgulhoso de ter um cavaleiro Jedi das selvas com seu sobrenome”. (Fonte: G1)

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