Delta do Parnaíba ganhará plano de Manejo

O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, participou, no sábado (13/05), de uma série de atividades na Reserva Extrativista (Resex) Delta do Parnaíba, localizada entre os estados do Maranhão e do Piauí. Na ocasião, o ministro se comprometeu a dar prioridade aos pedidos da comunidade, entre eles, a realização do plano de manejo e a ampliação da área da Resex, além de apoio ao projeto de fortalecimento do turismo de base comunitária “Projeto Riquezas do Delta”.

“É uma grande alegria participar deste evento. Eu criei essa Resex na minha primeira gestão como ministro do Meio Ambiente, no ano de 2000. Tenho uma história com esse local. Eu ajudei a criar a reserva e, agora, quero dar prioridade aos estudos para ampliação da área”, destacou Sarney Filho.

O ministro informou que já existem os recursos para o plano de manejo da Resex. No entanto, o primeiro passo é consultar, tanto as populações que vivem na área de proteção, como as que vivem no entorno. “Uma determinação minha no ministério é que nenhuma unidade de conservação seja criada, ou nenhum plano de manejo seja feito, sem que as populações diretamente afetadas sejam ouvidas. Todo o plano será feito com a participação efetiva da comunidade”, anunciou.

A gestora da Resex, Tatiana Rehder, destacou a importância do uso múltiplo do território para a garantia e manutenção da sustentabilidade na região durante o encerramento do Primeiro Encontro de Pescadores e Pescadoras da Resex Marinha do Delta do Parnaíba, realizado na comunidade de Canárias, no município de Araioses (Maranhão), segunda maior ilha do Delta.

Um dos exemplos citados por Rehder é trabalhar para que a comunidade possa receber mais benefícios do turismo que acontece na região do Delta do Parnaíba. “A gente tem artesanato, diversidade cultural e toda a história da pesca para mostrar, mas não estamos fazendo isso hoje. Queremos o turismo, mas de uma forma que valorize a cultura e o meio ambiente dessa região”, informou.

O evento contou com a participação de representantes da academia, ONGs e lideranças locais, além do presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ricardo Soavinski, que reforçou que a visita à região é essencial para a gestão das unidades de conservação.

“Em primeiro lugar, para conhecer, na prática, o trabalho desenvolvido em campo. Em segundo, esse tipo de iniciativa dá um estímulo para todos. É uma questão de reconhecimento e participação, ver o dia a dia, como é o trabalho técnico, ouvir a comunidade e as demandas”, disse Soavinski.

Ainda durante a visita à comunidade, Sarney Filho e Ricardo Soavisnki participaram de uma ação para recuperação de área de manguezal degrada na Ilha das Canárias. Cerca de 2 mil pés de seriba (espécie comum em mangues) foram plantados nos limites da Resex.

A atividade faz parte de uma iniciativa da própria comunidade e conta com apoio do ICMBio, da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e das organizações não governamentais Comissão Ilha Ativa e Rare.

Ao participar do plantio das mudas, o ministro Sarney filho explicou que, nas localidades onde o Programa Bolsa Verde foi implantado, o desmatamento é menor do que em áreas em que ele ainda não existe. “Aqui mesmo, na Resex do Delta do Parnaíba, todo programa de plantio do manguezal foi feito por beneficiários do Bolsa Verde, principalmente por mulheres. O Bolsa não é um programa meramente social, é um programa ambiental e está diretamente ligado a unidades de conservação de sustentabilidade ”, disse.

O idealizador do projeto, Francisco das Chagas Rodrigues, integrante do Grupo de Assessoramento Técnico do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Espécies Ameaçadas e de Importância Socioeconômica do Ecossistema Manguezal (PAN Manguezal), explicou que a proposta surgiu após observar várias áreas na região que estavam sem vegetação nativa, degradadas.

Rodrigues teve a ideia de convidar mulheres beneficiárias do Programa Bolsa Verde para ajudá-lo a reflorestar essas áreas. “É isso que temos feito. Esta é a terceira atividade de plantio, mas gostaria de contar com pessoas de toda a comunidade e não apenas dos beneficiários do Bolsa Verde. Mas, enquanto houver áreas degradadas e gente disposta a plantar, continuarei a lutar”, contou.

A pescadora Maria Iracélia Lima de Carvalho, 31 anos, esteve à frente desse terceiro mutirão. Ela fez a mobilização e incentivou toda a população a participar da atividade. Segundo Iracélia, embora a região seja muito rica em biodiversidade, a população vive de maneira bastante humilde. “Com a chegada do Bolsa Verde, as pessoas começaram a se preocupar mais com a questão da natureza. O programa nos trouxe benefícios econômicos e mais consciência ambiental para a população”.

Maria Iracélia acrescentou que o plantio e a preocupação com o meio ambiente são extremamente importantes. “O que nós estamos fazendo aqui irá refletir diretamente na vida dos nossos filhos no futuro. O mangue protege o camarão, o caranguejo. É do mangue que tiramos o nosso sustento”, enfatizou. Para a pescadora, é muito bom poder contribuir para a natureza. “Espero que essa experiência possa ser passada de pai para filho e que possamos todos proteger nossa ilha”, concluiu.

O MMA é o órgão responsável por coordenar, executar e operacionalizar o Bolsa Verde, programa que apoia a superação da pobreza em unidades de conservação de uso sustentável, incentivando a conservação do meio ambiente e valorizando as comunidades que ajudam a manter a floresta em pé.

O programa concede R$ 300, a cada três meses, a famílias em situação de extrema pobreza que desenvolvem atividades de conservação.

O Delta do Parnaíba banha os estados do Maranhão e do Piauí e ao se aproximar do mar, abraça mais de 75 ilhas. É o único delta em mar aberto das Américas, um santuário de reprodução e alimentação de peixes, caranguejos, mariscos, lagostas e camarões. Os manguezais, praias e estuários deste território garantem a reprodução e alimentação da vida marinha, desempenhando papel fundamental no equilíbrio ecológico da região.

Aproximadamente dez mil famílias vivem da pesca artesanal até os dias de hoje na região do Delta, utilizando técnicas tradicionais, o que justificou a criação da Resex Marinha Delta do Parnaíba.

Mais de 2.800 famílias vivem nas ilhas que ficam dentro dos limites da Reserva, cujo objetivo é proteger os meios de vida, a cultura destas populações, assegurar o uso sustentável e a proteção dessa riqueza biológica e genética.

Além da pesca e da cata do caranguejo, os moradores das comunidades praticam outras atividades tradicionais como a coleta de mariscos, retirada da carnaúba, agricultura familiar e artesanato. (Fonte: MMA)

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