{"id":120285,"date":"2015-10-30T00:00:52","date_gmt":"2015-10-30T02:00:52","guid":{"rendered":"http:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/?p=120285"},"modified":"2015-10-29T23:14:01","modified_gmt":"2015-10-30T01:14:01","slug":"ceramica-achada-no-interior-do-am-tem-ate-16-mil-anos-diz-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/localhost\/clipping\/2015\/10\/30\/120285-ceramica-achada-no-interior-do-am-tem-ate-16-mil-anos-diz-pesquisa.html","title":{"rendered":"Cer\u00e2mica achada no interior do AM tem at\u00e9 1,6 mil anos, diz pesquisa"},"content":{"rendered":"

Uma pesquisa arqueol\u00f3gica realizada na regi\u00e3o do lago Tef\u00e9, no Amazonas, identificou que os vest\u00edgios cer\u00e2micos encontrados na regi\u00e3o datam entre 400 e 1.530 anos depois de Cristo. Entre os materiais recolhidos na pesquisa do Instituto Mamirau\u00e1 e do Museu de Arqueologia e Etnografia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) est\u00e1 um conjunto de urnas funer\u00e1rias ind\u00edgenas, achadas durante a constru\u00e7\u00e3o de uma escola localizada na comunidade Tauary, na Zona Rural do munic\u00edpio de Tef\u00e9, em mar\u00e7o de 2014.<\/p>\n

De acordo com a pesquisadora Jaqueline Belletti, respons\u00e1vel pelo estudo, a data\u00e7\u00e3o foi feita por meio de Carbono 14. O trabalho era, at\u00e9 ent\u00e3o, in\u00e9dito. “T\u00ednhamos apenas estimativas estabelecidas por compara\u00e7\u00e3o do material daqui com o material de outras partes da Amaz\u00f4nia. Hoje, sabemos que os materiais estiveram presentes no Lago Tef\u00e9 desde 400 at\u00e9 1.530 d.C., pelo menos. Isto quer dizer uma ocorr\u00eancia de mais de mil anos”, explica.<\/p>\n

A pesquisa de Jaqueline visava identificar a diversidade da Tradi\u00e7\u00e3o Pol\u00edcroma da Amaz\u00f4nia nos vest\u00edgios encontrados nos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos do Lago Tef\u00e9. Antes desse trabalho, as \u00faltimas pesquisas arqueol\u00f3gicas na regi\u00e3o foram na d\u00e9cada de 1950. As mais relevantes foram realizadas pelo arque\u00f3logo Peter Hilbert, que definiu as fases Caiamb\u00e9 e Tef\u00e9, que s\u00e3o diferentes grupos de ocupa\u00e7\u00e3o humana na regi\u00e3o. A fase Caiamb\u00e9 ocorreu possivelmente em toda regi\u00e3o do m\u00e9dio Solim\u00f5es e o per\u00edodo de ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 estimado entre 400 e 1200 d.C.. E a fase Tef\u00e9, estimada entre 400 e 1600 d.C..<\/p>\n

A Tradi\u00e7\u00e3o Pol\u00edcroma \u00e9 definida pelos arque\u00f3logos como uma tecnologia, ou um modo de fazer cer\u00e2micas das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas do passado. Algumas caracter\u00edsticas s\u00e3o pintura vermelha e preta sobre argila branca e decora\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas, que alteram a superf\u00edcie do pote.<\/p>\n

De acordo com Jaqueline, dois tipos de pe\u00e7as t\u00eam destaque nesse conjunto de vasos: “as urnas funer\u00e1rias antropomorfas, que remetem a uma figura humana, e os vasos com flange mesial, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de expans\u00e3o localizada pr\u00f3ximo ao meio do vaso e que circula toda sua circunfer\u00eancia”, afirmou.<\/p>\n

Esse modo de fazer cer\u00e2mica j\u00e1 foi encontrado nas calhas dos rios Napo, Ucayali, Solim\u00f5es, Japur\u00e1, Negro, Madeira e come\u00e7o do baixo Amazonas. “Em cada uma dessas \u00e1reas, os arque\u00f3logos encontram pequenas varia\u00e7\u00f5es locais nessa tecnologia que s\u00e3o chamadas ent\u00e3o de Fases. No m\u00e9dio Solim\u00f5es e Japur\u00e1 a cer\u00e2mica da Tradi\u00e7\u00e3o Pol\u00edcroma foi chamada de Fase Tef\u00e9”, disse Jaqueline.<\/p>\n

Outro resultado importante da pesquisa foi o ind\u00edcio de rela\u00e7\u00e3o entre diferentes grupos culturais que ocupavam a regi\u00e3o nesse per\u00edodo, evidenciado a partir das an\u00e1lises das cer\u00e2micas. Jaqueline ressalva que este tipo de rela\u00e7\u00e3o entre produtores da Tradi\u00e7\u00e3o Pol\u00edcroma e produtores de outras tradi\u00e7\u00f5es \u00e9 ainda hoje um assunto pouco trabalhado, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia do estudo.<\/p>\n

“Segundo as fontes etno-hist\u00f3ricas, essas redes de rela\u00e7\u00f5es entre diferentes grupos, que no lago Tef\u00e9 evidenciamos pela troca de elementos na produ\u00e7\u00e3o da cer\u00e2mica, eram muito extensas. Mas a morte e o deslocamento de popula\u00e7\u00f5es causados pela invas\u00e3o europeia levaram ao enfraquecimento e rompimento de muitas dessas redes”, disse a pesquisadora.<\/p>\n

A quantidade de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos localizados na regi\u00e3o tamb\u00e9m foi expandida pelo projeto. At\u00e9 ent\u00e3o, havia conhecimento de oito s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, entre a sede do munic\u00edpio e o lago. A equipe de pesquisadores identificou 14 s\u00edtios, al\u00e9m daqueles j\u00e1 registrados anteriormente, e tamb\u00e9m 11 \u00e1reas de ocorr\u00eancia por toda a regi\u00e3o do Lago Tef\u00e9, que s\u00e3o locais onde foram encontrados materiais arqueol\u00f3gicos pontualmente, sem serem caracterizados como s\u00edtios. <\/p>\n

“Na escava\u00e7\u00e3o, realizada nas comunidades da boca do Lago Tef\u00e9, coletamos, al\u00e9m de materiais cer\u00e2micos, que s\u00e3o os mais abundantes, materiais l\u00edticos (pedra), ossos de fauna, carv\u00f5es e amostras de solo. Tamb\u00e9m foi encontrado um sepultamento humano”, informou Jaqueline. (Fonte: G1)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

Estudo investigou pe\u00e7as encontradas na regi\u00e3o do lago Tef\u00e9. Em 2014, conjunto de urnas funer\u00e1rias foi achado em escola. <\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[80],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120285"}],"collection":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=120285"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120285\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=120285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=120285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=120285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}