{"id":124854,"date":"2016-04-30T00:00:31","date_gmt":"2016-04-30T03:00:31","guid":{"rendered":"http:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/?p=124854"},"modified":"2016-04-29T23:41:46","modified_gmt":"2016-04-30T02:41:46","slug":"pesquisadores-buscam-no-canada-metodologia-para-analisar-contaminacao-em-rios","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/localhost\/clipping\/2016\/04\/30\/124854-pesquisadores-buscam-no-canada-metodologia-para-analisar-contaminacao-em-rios.html","title":{"rendered":"Pesquisadores buscam no Canad\u00e1 metodologia para analisar contamina\u00e7\u00e3o em rios"},"content":{"rendered":"

Dentro de uma semana a trag\u00e9dia de Mariana (MG) completar\u00e1 seis meses. Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem, da mineradora Samarco, causou a morte de 19 pessoas, provocou destrui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa e poluiu a bacia do Rio Doce. De l\u00e1 pra c\u00e1, muitos estudos foram feitos, mas uma pergunta ainda n\u00e3o foi claramente respondida: qual o real impacto do epis\u00f3dio para a qualidade da \u00e1gua e dos peixes?<\/p>\n

Estudos da Marinha e do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), que atestaram a exist\u00eancia de altos n\u00edveis de metais pesados no Rio Doce, n\u00e3o conseguiram mostrar se a contamina\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada ao rompimento da barragem. Al\u00e9m disso, a pesca foi proibida em diversos pontos da bacia, a pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. Trata-se de uma medida de precau\u00e7\u00e3o j\u00e1 que, segundo os promotores, n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas seguras sobre a qualidade dos peixes para o consumo humano.<\/p>\n

O cen\u00e1rio de d\u00favidas fez com que um grupo de pesquisadores brasileiros viajasse ao Canad\u00e1 para conhecer uma metodologia de an\u00e1lise dos rios que leva em conta dois fatores: a import\u00e2ncia de observar os indicadores biol\u00f3gicos e n\u00e3o apenas os f\u00edsicos e qu\u00edmicos, e a necessidade de uma pesquisa regular, que n\u00e3o seja feita somente ap\u00f3s os desastres. Ao longo das \u00faltimas semanas, eles se reuniram com servidores da Ag\u00eancia Ambiental Canadense e pesquisadores da Universidade de Alberta, na cidade de Edmonton.<\/p>\n

No estado de Alberta, a comitiva brasileira tamb\u00e9m visitou o Rio Athabasca que, em outubro de 2013, foi polu\u00eddo pelo rompimento da barragem de uma mina de carv\u00e3o. Cerca de 680 metros c\u00fabicos de rejeitos atingiram o leito e escoaram por at\u00e9 mil quil\u00f4metros. Posteriormente, na cidade de Vancouver, o grupo conheceu de perto as consequ\u00eancias de outra trag\u00e9dia, ocorrida em 2014, desta vez envolvendo uma mina de cobre e ouro. A recupera\u00e7\u00e3o dos rios contou com a colabora\u00e7\u00e3o da metodologia de an\u00e1lise canadense. De volta ao Brasil nessa quinta-feira (28), os pesquisadores trazem na bagagem uma nova aposta: monitoramentos mensais dos peixes e dos sedimentos que se depositam no fundo do rio.<\/p>\n

“No Brasil, estamos acostumados a avaliar somente o contaminante. Pegamos amostras das \u00e1gua e dos peixes e dizemos se ali h\u00e1 contamina\u00e7\u00e3o acima do permitido pela legisla\u00e7\u00e3o. Mas isso n\u00e3o \u00e9 suficiente. Precisamos de indicadores biol\u00f3gicos ou indicadores de efeito, isto \u00e9, analisar o comportamento dos contaminantes, do ambiente e dos seres que nele habitam. Porque um contaminante pode estar acima dos limites legais e n\u00e3o estar causando efeito nenhum. E o contr\u00e1rio tamb\u00e9m pode ocorrer, de um contaminante dentro dos padr\u00f5es estabelecidos estar causando algum impacto”, explicou o ecologista e toxicologista Fernando Aquinoga.<\/p>\n

Sedimentos e peixes<\/strong> – A bi\u00f3loga Tatiana Furley relatou que os pesquisadores canadenses envolvidos com a trag\u00e9dia do Rio Athabasca estudaram em detalhes os peixes e os sedimentos. “O sedimento no fundo do rio \u00e9 o dep\u00f3sito final do contaminante. Sua an\u00e1lise \u00e9 muito importante, pois ele interfere no comportamento do rio. Os crust\u00e1ceos comem esse sedimento e depois servem de alimentos aos peixes. Al\u00e9m disso, uma enchente pode, no futuro, movimentar os sedimentos e espalhar novamente o contaminante”, disse.<\/p>\n

Na metodologia canadense, a equipe respons\u00e1vel pelo estudo dos peixes precisa ir muito al\u00e9m da an\u00e1lise qu\u00edmica. N\u00e3o basta apenas coletar amostras para dizer se as esp\u00e9cies est\u00e3o contaminadas por metais pesados. Cada detalhe \u00e9 importante. “\u00c9 preciso observar os n\u00fameros da popula\u00e7\u00e3o, se os animais est\u00e3o saud\u00e1veis, se alimentando, se reproduzindo. Peixes refletem a qualidade da \u00e1gua do rio e uma an\u00e1lise precisa nos diz muita coisa. Devemos observar o f\u00edgado, os ovos, as g\u00f4nadas, o metabolismo. \u00c9 fundamental analisar se o estresse do ambiente est\u00e1 prejudicando o metabolismo. E fazer tamb\u00e9m uma compara\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es de uma parte do rio que sofreu impacto e de outra que n\u00e3o foi afetada”, acrescenta Fernando Aquinoga.<\/p>\n

Novo protocolo<\/strong> – Fernando Aquinoga e Tatiana Furley s\u00e3o pesquisadores da Aplysia, uma empresa especializada em avalia\u00e7\u00e3o e monitoramento ambiental. Ap\u00f3s o rompimento da barragem em Mariana, eles chegaram a fazer estudos no Rio Doce, contratados pela mineradora Samarco. Al\u00e9m dos dois, a comitiva brasileira contou tamb\u00e9m com o ocean\u00f3grafo Felipe Niencheski, professor da Universidade Federal de Rio Grande (Furg). Com base na experi\u00eancia que t\u00eam no Brasil e no que viram no Canad\u00e1, o grupo pretende sugerir novo protocolo a ser observado para pesquisas futuras da qualidade das \u00e1guas das bacias.<\/p>\n

“Precisamos come\u00e7ar a monitorar o corpo h\u00eddrico dos nossos rios. \u00c9 uma abordagem cem por cento preventiva. No Canad\u00e1, o Rio Athabasca tinha dados de 40 anos de medi\u00e7\u00e3o. E a\u00ed podemos comparar o antes e o depois. Se fizermos estudos de forma regular, uma eventual trag\u00e9dia ser\u00e1 menos custosa para os governos, as empresas e as popula\u00e7\u00f5es. Os impactos podem ser mais facilmente contorn\u00e1veis”, afirmou Felipe Niencheski. Um projeto piloto est\u00e1 sendo elaborado pela Aplysia para adaptar a metodologia canadense com base nas esp\u00e9cies brasileiras. Com o apoio do governo do Esp\u00edrito Santo, inicialmente seriam analisados tr\u00eas rios capixabas: Benevente, Jucu e Santa Maria da Vit\u00f3ria.<\/p>\n

De acordo com Tatiana Furley, o grupo tamb\u00e9m quer disseminar o conhecimento e envolver mais pesquisadores. “Estamos falando de uma metodologia que exige parceria de v\u00e1rios atores. Reside a\u00ed o sucesso canadense. Por meio de um diagn\u00f3stico mais preciso do tamanho real do problema, conseguimos desenhar um plano de como atuar, por quanto tempo e que \u00f3rg\u00e3os precisam ser envolvidos em a\u00e7\u00f5es de longo e m\u00e9dio prazo”. (Fonte: Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

A metodologia de an\u00e1lise dos rios leva em conta dois fatores: a import\u00e2ncia de observar os indicadores biol\u00f3gicos e n\u00e3o apenas os f\u00edsicos e qu\u00edmicos, e a necessidade de uma pesquisa regular, que n\u00e3o seja feita somente ap\u00f3s os desastres. <\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[331,200],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124854"}],"collection":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124854"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124854\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}