{"id":148147,"date":"2018-10-31T01:03:18","date_gmt":"2018-10-31T03:03:18","guid":{"rendered":"http:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/?p=148147"},"modified":"2018-10-31T00:04:14","modified_gmt":"2018-10-31T02:04:14","slug":"terra-perdeu-60-de-seus-animais-silvestres-em-44-anos-diz-relatorio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/localhost\/clipping\/2018\/10\/31\/148147-terra-perdeu-60-de-seus-animais-silvestres-em-44-anos-diz-relatorio.html","title":{"rendered":"Terra perdeu 60% de seus animais silvestres em 44 anos, diz relat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"
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Um levantamento divulgado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) nesta ter\u00e7a-feira (30) indica que o estilo de vida dos humanos tem impactado diretamente os ecossistemas e a vida selvagem do planeta. As popula\u00e7\u00f5es de vertebrados silvestres, como mam\u00edferos, p\u00e1ssaros, peixes, r\u00e9pteis e anf\u00edbios, sofreram uma redu\u00e7\u00e3o de 60% entre 1970 e 2014 devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<\/div>\n
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O ‘Relat\u00f3rio Planeta Vivo’ \u00e9 baseado no acompanhamento de mais de 16.700 popula\u00e7\u00f5es de 4 mil esp\u00e9cies, utilizando c\u00e2meras, an\u00e1lise de pegadas, programas de investiga\u00e7\u00e3o e ci\u00eancias participativas.<\/p>\n<\/div>\n
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Um dos indicadores mostra que o impacto crescente do lixo pl\u00e1stico nos oceanos interfere na qualidade de vida de v\u00e1rias esp\u00e9cies, entre elas, as aves marinhas. Na d\u00e9cada de 1960, apenas 5% das aves tinham fragmentos de pl\u00e1stico no est\u00f4mago. Hoje, o \u00edndice \u00e9 de 90%.<\/p>\n<\/div>\n
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“Preservar a natureza n\u00e3o \u00e9 apenas proteger os tigres, pandas, baleias e animais que apreciamos (…). \u00c9 muito mais: n\u00e3o pode haver um futuro saud\u00e1vel e pr\u00f3spero para os homens em um planeta com o clima desestabilizado, os oceanos sujos, os solos degradados e as matas vazias, um planeta despojado de sua biodiversidade”, declarou o diretor da WWF, Marco Lambertini.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n
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O Brasil \u00e9 destaque no relat\u00f3rio. A floresta amaz\u00f4nica se reduz cada vez mais, do mesmo modo que o Cerrado, diante do avan\u00e7o da agricultura e da pecu\u00e1ria.<\/p>\n<\/div>\n
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\nDesmatamento na comuidade Ariri, em Macap\u00e1 \u2014 Foto: Dema\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n
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Por ano, uma \u00e1rea equivalente a 1,4 milh\u00e3o de campos de futebol de \u00e1rea verde desaparecem do mapa por causa do desmatamento. J\u00e1 as \u00e1ereas de pastagens abandonadas em todo o pa\u00eds por quem cria gado equivalem a duas vezes o estado de S\u00e3o Paulo – 50 milh\u00f5es de hectares, segundo o estudo.<\/p>\n<\/div>\n
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“Se chegarmos a 25% do desmatamento da Amaz\u00f4nia \u2013 e j\u00e1 estamos em 20% \u2013 a gente j\u00e1 vai chegar ao chamado ponto sem retorno, a gente n\u00e3o vai conseguir recuperar o equil\u00edbrio da floresta amaz\u00f4nica. Estamos perto deste limite”, diz Gabriela Yamaguchi, diretora de engajamento da WWF Brasil em entrevista ao\u00a0Bom Dia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n
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Em n\u00edvel mundial, apenas 25% dos solos est\u00e3o livres da marca do homem. Em 2050, isto cair\u00e1 para apenas 10%, segundo pesquisadores.<\/p>\n<\/div>\n
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Sem florestas, os animais, como tatu-bola, correm o risco de extin\u00e7\u00e3o. Mas, os cuidados com a preserva\u00e7\u00e3o indicam que \u00e9 poss\u00edvel reverter quadros, como o da popula\u00e7\u00e3o de on\u00e7as pintadas, que teve a popula\u00e7\u00e3o recuperada em 30%.<\/p>\n<\/div>\n
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<\/p>\nOn\u00e7as-pintadas s\u00e3o flagradas em habitat natural. \u2014 Foto: Mario Nelson Cleto\/On\u00e7afari<\/figcaption><\/figure>\n
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O declive da fauna afeta todo o planeta, com regi\u00f5es especialmente prejudicadas, como os Tr\u00f3picos. Na \u00e1rea do Caribe e Am\u00e9rica do Sul, os dados apontam um quadro “aterrador”: um declive de 89% em 44 anos.<\/p>\n<\/div>\n
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Am\u00e9rica do Norte e Groenl\u00e2ndia sofreram as menores redu\u00e7\u00f5es da fauna, com 23%. Europa, Norte da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio apresentaram um declive de 31%.<\/p>\n<\/div>\n
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A primeira explica\u00e7\u00e3o \u00e9 a perda dos habitats devido \u00e0 agricultura intensiva, \u00e0 minera\u00e7\u00e3o e \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o, que provocam o desmatamento e o esgotamento dos solos.<\/p>\n<\/div>\n
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‘Nossa oportunidade’<\/strong><\/p>\n<\/div>\n
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“O desaparecimento do capital natural \u00e9 um problema \u00e9tico, mas tamb\u00e9m tem consequ\u00eancias em nosso desenvolvimento, nossos empregos, e come\u00e7amos a ver isto”, assinalou Pascal Canfin, diretor-geral do WWF Fran\u00e7a.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n
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“Pescamos menos que h\u00e1 20 anos porque as reservas diminuem. O rendimento de alguns cultivos come\u00e7a a cair. Na Fran\u00e7a, o trigo est\u00e1 estancado desde os anos 2000. Estamos jogando pedras em nosso pr\u00f3prio telhado”.<\/p>\n<\/blockquote>\nGarrafa de pl\u00e1stico \u00e9 encontrada na barriga de peixe em Arraial do Cabo, no RJ \u2014 Foto: Leonardo Motta<\/figcaption><\/figure>\n
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Os economistas avaliam os “servi\u00e7os devolvidos pela natureza” (\u00e1gua, poliniza\u00e7\u00e3o, estabilidade dos solos e etc.) em US$ 1,25 trilh\u00e3o anuais.<\/p>\n<\/div>\n
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A cada ano, o dia em que o mundo j\u00e1 consumiu todos os recursos que o planeta pode renovar anualmente chega mais cedo. Em 2018 foi em 1\u00ba de agosto.<\/p>\n<\/div>\n
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“O futuro das esp\u00e9cies n\u00e3o parece chamar a aten\u00e7\u00e3o suficiente dos l\u00edderes” mundiais, alerta a WWF, que defende “elevar o n\u00edvel de alerta” e provocar um amplo movimento, como se fez pelo clima. “Que todo o mundo compreenda que o status quo n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o”.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n
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“Somos a primeira gera\u00e7\u00e3o que tem uma vis\u00e3o clara do valor da natureza e do nosso impacto nela. Poderemos tamb\u00e9m ser a \u00faltima capaz de inverter esta tend\u00eancia”, advertiu a WWF, que pede uma a\u00e7\u00e3o antes de 2020, “um momento decisivo na hist\u00f3ria”. “Uma porta sem precedentes se fechar\u00e1 r\u00e1pido”.<\/p>\n<\/blockquote>\n