{"id":176526,"date":"2022-02-27T12:14:27","date_gmt":"2022-02-27T15:14:27","guid":{"rendered":"https:\/\/noticias.ambientebrasil.com.br\/?p=176526"},"modified":"2022-02-27T12:14:27","modified_gmt":"2022-02-27T15:14:27","slug":"por-que-o-custo-de-mitigar-as-mudancas-climaticas-nao-pode-ser-resumido-a-um-numero-certo-apesar-das-melhores-tentativas-de-alguns-economistas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/localhost\/redacao\/traducoes\/2022\/02\/27\/176526-por-que-o-custo-de-mitigar-as-mudancas-climaticas-nao-pode-ser-resumido-a-um-numero-certo-apesar-das-melhores-tentativas-de-alguns-economistas.html","title":{"rendered":"Por que o custo de mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o pode ser resumido a um n\u00famero certo, apesar das melhores tentativas de alguns economistas"},"content":{"rendered":"\n
Em novembro de 2019, antes do in\u00edcio da pandemia, voc\u00ea teria adivinhado o qu\u00e3o importante videoconfer\u00eancias como o Zoom seria na vida das pessoas apenas alguns meses depois?<\/p>\n\n\n\n
Esse \u00e9 o tipo de desafio que os economistas enfrentam quando tentam colocar um \u00fanico n\u00famero no custo de longo prazo de mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ou o custo de permitir que a temperatura global continue subindo. Os comportamentos humanos mudam \u00e0 medida que as pol\u00edticas p\u00fablicas mudam e novas tecnologias chegam e evoluem.<\/p>\n\n\n\n
Sou um microeconomista que investiga as causas e consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Quando penso no desafio da mudan\u00e7a clim\u00e1tica em 2040 e al\u00e9m, antecipo muitas \u201cinc\u00f3gnitas conhecidas\u201d sobre nosso futuro. Assim, fico surpreso ao ler estimativas precisas de custos clim\u00e1ticos como as publicadas recentemente pelos consultores econ\u00f4micos McKinsey & Co.<\/p>\n\n\n\n
A McKinsey estima o custo global da transi\u00e7\u00e3o de energia e outros setores para emiss\u00f5es l\u00edquidas zero at\u00e9 2050 em mais de 47 trilh\u00f5es de reais por ano. A seguradora Swiss Re estimou que n\u00e3o fazer nada reduzir\u00e1 o PIB global em at\u00e9 14%, ou cerca de R$ 118 trilh\u00f5es, at\u00e9 2050.<\/p>\n\n\n\n
N\u00fameros como esses s\u00e3o amplamente utilizados para incentivar a a\u00e7\u00e3o de governos, empresas e indiv\u00edduos. Os economistas concordam que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, se n\u00e3o for controlada, prejudicar\u00e1 as economias. Mas essas estimativas s\u00e3o produzidas usando modelos formais que apresentam muitas suposi\u00e7\u00f5es, qualquer uma das quais pode prejudicar a contabilidade, deixando as estimativas muito altas ou baixas.<\/p>\n\n\n\n
Embora as pessoas possam pensar que querem \u201cprecis\u00e3o\u201d, previs\u00f5es precisas aumentam o risco de transmitir muita certeza em um mundo em constante mudan\u00e7a. Aqui est\u00e1 o que acontece nos modelos econ\u00f4micos clim\u00e1ticos e por que a certeza n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o para proje\u00e7\u00f5es de custos futuros.<\/p>\n\n\n\n
Os modelos econ\u00f4micos clim\u00e1ticos buscam responder a v\u00e1rias quest\u00f5es de previs\u00e3o, como:<\/p>\n\n\n\n
Para responder a essas perguntas complexas, os economistas clim\u00e1ticos fazem uma s\u00e9rie de suposi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o \u201cembutidas\u201d em seus modelos matem\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n
Primeiro, os economistas devem prever a renda m\u00e9dia mundial por pessoa para cada ano no futuro.<\/p>\n\n\n\n
Os macroeconomistas enfrentaram desafios para prever o momento e a dura\u00e7\u00e3o das recess\u00f5es. Prever o crescimento econ\u00f4mico futuro ao longo de 30 ou 40 anos requer prever como a quantidade e a qualidade da for\u00e7a de trabalho mundial e nossa tecnologia evoluir\u00e3o ao longo do tempo. Prever o crescimento da popula\u00e7\u00e3o mundial tamb\u00e9m \u00e9 um exerc\u00edcio desafiador, pois o aumento da urbaniza\u00e7\u00e3o, o acesso das mulheres \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e as melhorias no controle de natalidade est\u00e3o associados a redu\u00e7\u00f5es na fecundidade.<\/p>\n\n\n\n
A popula\u00e7\u00e3o global aumentou de 2,5 bilh\u00f5es de pessoas em 1950 para 7,8 bilh\u00f5es em 2020, mas a taxa de crescimento flutua e a popula\u00e7\u00e3o tem crescido a um ritmo mais lento nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n Em segundo lugar, eles devem fazer um palpite informado sobre quais tecnologias existir\u00e3o no futuro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas fontes de gera\u00e7\u00e3o de energia e \u00e0 energia que usamos no transporte. Se eles puderem estimar o n\u00edvel futuro da popula\u00e7\u00e3o mundial, o n\u00edvel de renda e a tecnologia, poder\u00e3o medir a quantidade extra de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa que o mundo produz a cada ano.<\/p>\n\n\n\n Terceiro, eles usam um modelo de ci\u00eancia do clima para estimar o risco extra de mudan\u00e7a clim\u00e1tica causado pela produ\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Isso \u00e9 normalmente medido pelo aumento da temperatura m\u00e9dia da superf\u00edcie do mundo.<\/p>\n\n\n\n Quarto, eles devem se posicionar sobre como a produ\u00e7\u00e3o de nossa economia futura ser\u00e1 afetada pelo aumento do risco de mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Idealmente, esses modelos tamb\u00e9m nos dizem como a libera\u00e7\u00e3o de mais emiss\u00f5es de gases de efeito estufa aumenta a probabilidade de cen\u00e1rios de desastres.<\/p>\n\n\n\n Ao combinar todas essas equa\u00e7\u00f5es com suas respectivas suposi\u00e7\u00f5es, uma equipe de pesquisa gera um \u00fanico n\u00famero, como: O mundo enfrentar\u00e1 mais de R$ 118 trilh\u00f5es em danos devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se n\u00e3o tomarmos medidas s\u00e9rias para mitigar as emiss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Os economistas estimam as futuras emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa multiplicando o produto nacional bruto global previsto \u2013 o valor total de bens e servi\u00e7os \u2013 pela m\u00e9dia de emiss\u00f5es por d\u00f3lar do produto nacional bruto.<\/p>\n\n\n\n Se o mundo conseguir acabar com o uso de combust\u00edvel f\u00f3ssil, este \u00faltimo n\u00famero pode ser pr\u00f3ximo de zero. A inova\u00e7\u00e3o e a implanta\u00e7\u00e3o de tecnologias de baixo carbono \u2013 pense em ve\u00edculos el\u00e9tricos e fazendas solares \u2013 podem mudar significativamente os custos e benef\u00edcios que os economistas est\u00e3o tentando quantificar.<\/p>\n\n\n\n Muitos fatores determinam esse caminho de avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, incluindo o investimento em pesquisa e desenvolvimento. A pol\u00edtica internacional tamb\u00e9m nem sempre leva em considera\u00e7\u00e3o os modelos econ\u00f4micos clim\u00e1ticos. Por exemplo, se a China optar por se tornar mais insular, aumentar\u00e1 seu consumo de carv\u00e3o porque a na\u00e7\u00e3o \u00e9 dotada de carv\u00e3o? Por outro lado, a China poderia optar por usar seu estado poderoso para empurrar o setor de tecnologia verde para criar um mercado de exporta\u00e7\u00e3o futuro em expans\u00e3o que esverdeie a economia mundial?<\/p>\n\n\n\n Uma compara\u00e7\u00e3o do custo m\u00e9dio nivelado da gera\u00e7\u00e3o de energia em escala de utilidade, sem subs\u00eddios, mostra como a nova energia solar e e\u00f3lica onshore se tornou menos cara do que a gera\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o. Os custos est\u00e3o em d\u00f3lares americanos por megawatt-hora.<\/p>\n\n\n\n Modelos matem\u00e1ticos econ\u00f4micos resumem o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em uma \u00fanica equa\u00e7\u00e3o de \u00e1lgebra chamada \u201cfun\u00e7\u00e3o de dano clim\u00e1tico\u201d. No meu livro \u201cAdapting to Climate Change\u201d (Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas), forne\u00e7o v\u00e1rios exemplos de por que essa fun\u00e7\u00e3o est\u00e1 mudando continuamente e, portanto, \u00e9 muito dif\u00edcil de prever.<\/p>\n\n\n\n Por exemplo, muitas empresas est\u00e3o desenvolvendo sistemas de classifica\u00e7\u00e3o de risco clim\u00e1tico para educar os compradores de im\u00f3veis sobre os diferentes riscos clim\u00e1ticos futuros que partes espec\u00edficas de im\u00f3veis enfrentar\u00e3o, como inc\u00eandios florestais ou inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Suponha que essa ind\u00fastria emergente de classifica\u00e7\u00e3o de risco clim\u00e1tico fa\u00e7a progressos na identifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas menos arriscadas para se viver e os c\u00f3digos de zoneamento sejam alterados para permitir que mais pessoas vivam nessas \u00e1reas mais seguras. Os danos que os americanos sofrem com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas diminuiriam \u00e0 medida que as pessoas literalmente \u201cse mudassem para terrenos mais altos\u201d.<\/p>\n\n\n\n O modelador clim\u00e1tico confiante n\u00e3o pode capturar essa din\u00e2mica com \u00e1lgebra inflex\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n A Avalia\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica Nacional do governo dos EUA mostra amplas varia\u00e7\u00f5es quando estima os danos econ\u00f4micos aos principais setores, principalmente para cen\u00e1rios de altas emiss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Os modelos de economia clim\u00e1tica podem desempenhar um papel de \u201cPaul Revere\u201d \u2013 educando os formuladores de pol\u00edticas e o p\u00fablico sobre os prov\u00e1veis \u200b\u200briscos futuros. \u00c0 medida que os economistas constroem esses modelos, eles devem ser honestos sobre suas limita\u00e7\u00f5es. Um modelo que gera \u201ca resposta\u201d pode desviar os tomadores de decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n Por mais que todos possam gostar de uma resposta concreta sobre quanto custar\u00e1 a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e agir sobre ela, teremos que conviver com a incerteza.<\/p>\n\n\n\n Fonte: The Conversation \/ Matthew E. Kahn Os comportamentos humanos mudam. As pol\u00edticas mudam. Novas tecnologias chegam e evoluem. Todas essas mudan\u00e7as s\u00e3o dif\u00edceis de prever e afetam os custos futuros. <\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":2,"featured_media":176549,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4132],"tags":[4271,1565,5120,2679],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/176526"}],"collection":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=176526"}],"version-history":[{"count":17,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/176526\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":176560,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/176526\/revisions\/176560"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/media\/176549"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=176526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=176526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=176526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<\/a>
A \u201carte\u201d de prever emiss\u00f5es futuras<\/h4>\n\n\n\n
A queda dos custos das energias renov\u00e1veis<\/h4>\n\n\n\n
<\/a>
Previs\u00e3o dos impactos futuros das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/h4>\n\n\n\n
Como a Avalia\u00e7\u00e3o Nacional do Clima mostra as estimativas de custo<\/h4>\n\n\n\n
<\/a>
Previs\u00e3o sob incerteza<\/h4>\n\n\n\n
Tradu\u00e7\u00e3o: Reda\u00e7\u00e3o Ambientebrasil \/ Maria Beatriz Ayello Leite
Para ler a reportagem original em ingl\u00eas acesse:<\/em> https:\/\/theconversation.com\/why-the-cost-of-mitigating-climate-change-cant-be-boiled-down-to-one-right-number-despite-some-economists-best-attempts-176432<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"