Estudo que avalia papel de genes em ELA recebe prêmio de instituto brasileiro

Uma pesquisa francesa que busca entender o papel das mutações genéticas na esclerose lateral amiotrófica (ELA) recebeu, nesta quarta-feira (7), o Prêmio PG de Medicina Internacional em Dublin, na Irlanda. A premiação é concedida pelo Instituto Paulo Gontijo, organização brasileira que investe em pesquisas sobre a doença.

A ELA, que leva à perda progressiva dos movimentos e ainda não tem cura, é a doença neurodegenerativa que atinge o físico Stephen Hawking e que teve destaque graças ao Desafio do Balde de Gelo, campanha lançada em 2014 para arrecadar fundos para combater o problema. O prêmio foi entregue durante a abertura do 27º Simpósio de Esclerose Lateral Amiotrófica.

Entenda o estudo – O vencedor do prêmio, Edor Kabashi, desenvolveu modelos de peixe-zebra com mutações genéticas específicas para entender de que forma elas levam aos sintomas da doença.

Já existem vários genes identificados pela ciência como causadores de ELA em determinadas populações. Segundo Kabashi, esses fatores genéticos conhecidos são responsáveis por uma parcela de 5% a 10% dos casos da doença.

O que a equipe de Kabashi faz é desenvolver, por meio de manipulações genéticas, peixes-zebra (espécie também conhecida como paulistinha) que tenham esses genes relacionados à ELA, reproduzindo nos animais o que ocorre nessa parcela de pacientes.

“Isso nos permite postular qual é a relevância desses marcadores genéticos e como eles podem provocar degeneração dos neurônios motores na ELA”, explica Kabashi.

Por que o peixe-zebra? – A escolha do peixe-zebra como modelo para as pesquisas se deve principalmente ao fato de que o genoma do peixe-zebra é muito parecido com o genoma humano e quase todos os genes relacionados à ELA têm correspondentes nessa espécie.

“Além disso, esses vertebrados se desenvolvem rapidamente, criando unidades motoras funcionais em dois dias depois da fertilização. Finalmente, quando cruzam, um casal de peixe-zebra pode produzir centenas de ovos, acelerando nossos testes genéticos e funcionais”, diz o pesquisador.

Testes de drogas – O grupo de Kabashi já está usando esses modelos animais para testar drogas que podem ter efeito neuroprotetor contra a doença. Em colaboração com pesquisadores canadenses, uma dessas drogas, chamada pimozida, já passou a ser testada em pacientes depois de ter resultados positivos nos peixes-zebra e em camundongos. “Certamente esperamos que esses modelos simples nos ajudem a identificar futuras estratégias terapêuticas em ELA.” (Fonte: G1)

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