O futuro do consumo

“Eu aprendi desde criança a valorizar o que a natureza me dava e sempre trouxe isso comigo”. A frase do chef de cozinha Ramon Simões resume bem a relação do restaurante Armazém do Reino, situado há sete anos no Rio Vermelho, com o consumo consciente, um dos princípios da sustentabilidade.

Administrado juntamente com a esposa, Gabriela Dantas, o estabelecimento encanta os frequentadores logo na entrada, graças às árvores e às plantas que propiciam uma sensação térmica agradável. Em seu interior, cadeiras e mesas são feitas com materiais reutilizados. Além disso, os temperos e ervas utilizados na preparação dos pratos são colhidos em uma horta própria, que conta com o auxílio de uma composteira de resíduos.

“Também trabalhamos com a redução do consumo de eletricidade, água, otimização dos produtos e sistematização da produção”, conta  Ramon,  formado em Gestão Ambiental.

Sem usar gordura e ao adotar o conceito de desperdício zero, o empresário consegue produzir uma comida saborosa e ecologicamente sustentável. Os produtos orgânicos, adquiridos por meio de produtores locais, contribuem para a redução dos impactos gerados pelo armazenamento e transporte que teriam se comprados nos supermercados. “Devolver ao mundo o que utilizamos do mundo é um de nossos objetivos”, destaca Gabriela.

A administradora ressalta que, muitas vezes, os clientes já procuram o restaurante por terem conhecimento de suas práticas ecológicas.  Igor Campos e Lívia Pugliese são um exemplo, o casal foi ao local pela primeira vez na última sexta-feira. “Foi a minha primeira experiência com esse tipo de filosofia, que remete a algo ancestral, de preservação da terra, do alimento como sagrado”, relata Igor.

Empresas ‘verdes’

Eduardo Garrido, analista técnico do Sebrae Bahia, observa que as empresas têm buscado se diferenciar, elegendo produtos com uma pegada mais ecoeficiente, evitando comprar com fornecedores que realizem testes em animais, ou buscando reduzir o uso de sacolas de plástico ao optar pelo reuso de materiais, caixas, sacolas e embalagens. “A implementação da Logística Reversa pode ser adotada para oferecer vantagens para o cliente. A compra de fornecedores locais pode ser inclusive explorada como um nicho de negócio”, sugere Eduardo Garrido.

Para o especialista, ao mesmo tempo em que novos produtos, serviços e marcas são lançados, emerge um consumidor mais consciente. “Este público pensa antes de comprar, analisa os processos de fabricação, a origem da matéria-prima, a qualidade dos produtos e serviços, o destino dos rejeitos e quais as condições a que colaboradores estão sujeitos e se realmente precisam comprar aquele produto ou contratar determinado serviço”, pondera o analista técnico do Sebrae.

Em tempos de mudanças climáticas bruscas e escassez de recursos naturais básicos, a exemplo da água potável, o chamado consumo consciente é um tema que ganha cada vez mais importância. “O consumidor tem um grande poder em mãos, embora nem sempre tenha consciência disso. Por meio de suas escolhas cotidianas de consumo, ele pode contribuir para gerar os melhores impactos no meio ambiente, na economia, na sociedade e no seu próprio bem-estar”, defende Helio Mattar, diretor presidente do Instituto Akatu, uma das principais organizações do país voltadas para este tema.

Biotimização

Empreendimentos de grande porte também desenvolvem iniciativas ambientalmente corretas. Em março deste ano, o Salvador Shopping inaugurou um Terraço Verde, projeto de 1.500 m2, que conta com a produção de fertilizante livre de produtos químicos, a partir de resíduos orgânicos recolhidos da praça de alimentação do próprio shopping – tecnologia conhecida como biotimização.

A lista de hortaliças já em fase de produção inclui itens como coentro, rúcula e alho-poró, todos sem qualquer tipo de agrotóxico. São ingredientes que os 25 restaurantes parceiros costumam utilizar em suas receitas. Um dos pontos de destaque da iniciativa é o consumo consciente da água utilizada na rega das mudas, que é 100% proveniente de reaproveitamento da chuva.

O poder público também pode contribuir para o consumo consciente. Em Salvador, os alunos da rede pública municipal consomem produtos provenientes da agricultura familiar, como itens de hortifrúti, farinha de milho, leite em pó e café. A aquisição dos alimentos é feita por meio de cooperativas de Salvador e região, que representam os produtores.

A compra de produtos da agricultura familiar é normatizada pelas resoluções nº 4 e 26 do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). “Em 2017 foram investidos cerca de R$ 4 milhões pela prefeitura de Salvador nesse tipo de aquisição”, informa a nutricionista Emília Coelho, coordenadora de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal da Educação (Smed). Em breve, o órgão divulgará a data do próximo processo de obtenção.

FEIRAS ORGÂNICAS QUE FUNCIONAM EM SALVADOR

Nordeste de Amaralina. R. Reinaldo de Matos, 95. Sábado, 17h às 22h. Domingo, 6h às 14h

Stella Maris. Pça do Conjunto Petromar. Sábado, 6h às 12h

Jardim Cajazeiras R. Juracy Trindade, 127. Domingo, 7h às 13h

CAB.  Centro Administrativo da Bahia. Terça, 7h30 às 13h30. Quinta, 7h30 às 13h30 e 11h às 16h.

Vitória Av. Sete de Setembro, 2.340. Quinta, 14h às 18h

Santo Antônio Além do Carmo  Rua do Passo, 62. Sábado, 7h às 13h

Barra Rua Afonso Celso, 277. Sábado, 8h às 12h

Ondina Pça das Artes, Campus  Ufba. Sexta, 8h às 14h

Pituba  Av. Antonio Carlos Magalhães, 1.430. Quinta, 5h às 8h

Itaigara Pça Ana Lúcia Magalhães, 680. Quarta, 6h30 às 10h

Você é um consumidor consciente?

Seis perguntas básicas que toda a sociedade deve fazer antes, durante e depois de adquirir qualquer produto ou serviço

1  Por que comprar?

2  O que comprar?

3  Como comprar?

4  De quem comprar?

5  Como usar?

6  Como descartar?

Fonte: Correio 24 horas

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