Diretor da ONG SOS Mata Atlântica critica política ambiental

Ao participar na quinta-feira (5) da comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto, o diretor da organização não-governamental (ONG) SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, criticou a política ambiental do governo. “É muito ruim”, afirmou, ao defender que o Brasil ainda precisa avançar no setor para ter mais o que comemorar nesta data. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, respondeu aos ataques do ambientalista.

O ambientalista criticou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o programa de biodiesel e a expansão da cultura da cana-de-açúcar. “O PAC hoje é uma desgraça do ponto de vista ambiental. É uma licença para destruir. É preciso que o governo caia na realidade e veja que é fundamental valorizar as questões ambientais e não querer cortar caminho, como está fazendo.”

O ministro do Meio Ambiente rebateu às críticas do diretor da ONG. Minc também disse que não concorda com a avaliação de Mantovani sobre o PAC. “Discordo. Acho que é possível desenvolver o país sem destruir o meio ambiente”, defendeu.

Minc citou sua gestão à frente da Secretaria do Ambiente do Rio de Janeiro para argumentar que é possível conciliar grandes obras de infra-estrutura com preservação. “Dou sempre os exemplos dos licenciamentos ambientais que fizemos no Rio, que foram muito rigorosos, com padrões mais rigorosos que os nacionais. Vamos fazer o mesmo aqui.”

Mantovani condenou ainda a construção de novas hidrelétricas e disse que o governo, ao estimular o uso desse tipo de energia, não valoriza os avanços como o aumento da participação da biomassa na matriz energética. Em 2007, os derivados da cana-de-açúcar ultrapassaram a fonte hidráulica na geração de energia, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

“A gente acorda com o ministro (do Meio Ambiente, Carlos Minc) alucinado, falando em fazer mais três usinas nucleares. Isso não é mais PAC, isso já é má-fé com a sociedade. É preciso baixar a bola e ver que sustentabilidade começa com projetos sérios e não com esses devaneios de desenvolvimento a qualquer custo”.

Segundo o diretor da ONG, durante a gestão da ex-ministra Marina Silva, o licenciamento ambiental chegou a ser usado para justificar a “incompetência” de ministros. “Na verdade, o licenciamento ambiental nunca atrapalhou. O governo sempre passou por cima e fez a obra. Quando o ministro era incompetente e não conseguia fazer uma estrada, colocava na conta do licenciamento”, afirmou Mantovani. (Fonte: Agência Brasil)