Em artigo publicado nesta quinta-feira (27) no jornal “Nature Scientific Reports”, pesquisadores alemães afirmam que o urso polar Knut, que morreu em 2011 no zoológico de Berlim, sofria de encefalite do anti-NMDA receptor. O diagnóstico faz de Knut o primeiro caso reportado de não-humano com a doença, afirma o artigo.
O urso Knut ficou famoso mundialmente por ter sido rejeitado pela mãe em 2006. Foi adotado, cuidado e alimentado com mamadeira por um funcionário do zoo que se tornou praticamente sua mãe postiça. Ele morreu aos 4 anos de idade em março de 2011, afogado em tanque no qual era mantido no cativeiro do zoológico de Berlim.
Após a sua morte, análises patológicas revelaram que o urso sofria de encefalite (inflamação no cérebro), o que causou as convulsões que levaram à sua morte. No entanto, na época as pesquisas sobre a causa – bactéria, virus ou parasita – da encefalite não foram conclusivas e foi reportado diagnóstico de “encefalite de etiologia desconhecida”.
Ao usar critérios de diagnósticos aplicados em pacientes humanos, Harald Prüss, Alex Greenwood e equipe de pesquisadores concluíram que Knut sofria de encefalite do anti-NMDA receptor, uma doença autoimune que é a forma não-infecciosa da doença mais comum em humanos.
Os autores detectaram no líquido cefalorraquidiano de Knut altas concentrações de anticorpos que se ligam especificamente no receptor NMDA, encontrado em células nervosas. Nos testes, esses anticorpos se ligaram a partes de cérebros de ratos, de maneira quase idêntica ao padrão de encefalite anti-NMDA em pacientes humanos. Os cientistas sugerem que esses anticorpos podem ter causado a encefalite que resultou na morte de Knut e que a doença pode ser encontrada em mamíferos, além dos humanos.
Knut foi o primeiro urso polar a ser mantido em cativeiro após 30 anos no zoológico da capital alemã. O mamífero chegou a ser capa da revista “Vanity Fair” em 2006, quando os criadores do local resolveram adotá-lo.
A primeira aparição pública de Knut, em março de 2007, foi uma atração que atraiu as câmeras de todo o mundo. Ele gerou milhões de dólares para o zoo em merchandising e venda extra de entradas. (Fonte: G1)