EXCLUSIVO: Mosca-dos-chifres é exemplo de espécie invasora a representar prejuízos na atividade pecuária

Redação AmbienteBrasil

As espécies exóticas invasoras podem causar inúmeros prejuízos à biodiversidade, economia, saúde, agricultura e pecuária. Para que os impactos sejam amenizados, faz-se necessário que se discutam propostas de políticas públicas acerca do tema, bem como seja apresentado um panorama da situação destas espécies no Brasil. Esses foram alguns dos objetivos do 1º Simpósio Brasileiro de Espécies Exóticas Invasoras, realizado na semana passada pelo Ministério do Meio Ambiente.

Com as discussões do simpósio, será mais fácil apontar maneiras de prevenção, controle e erradicação do problema das espécies invasoras, que prejudicam, por exemplo, os criadores de gado do país. Uma espécie exótica de mosca, a Haematobia irritans, incomoda tanto os bovinos que gera perdas significativas na produção. A chamada mosca-dos-chifres foi registrada no Brasil pela primeira vez no início da década de 80, em Roraima.

Para fazer o controle biológico da espécie invasora, foi importado dos Estados Unidos um besouro originário da África cujo nome científico é Digitonthophagus gazella. A iniciativa partiu do Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte – CNPGC, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, pois, de acordo com o pesquisador Ivo Bianchin, os besouros brasileiros não são tão eficientes para o combate à mosca-dos-chifres.

O benefício trazido pelo chamado besouro rola-bosta africano consiste no fato da espécie alimentar-se das fezes do gado, local onde concentram-se as larvas das moscas. “O besouro ajuda na aeração e incorporação da matéria orgânica no solo”, afirma Bianchin.

Mas o controle com os besouros, segundo o pesquisador, “não é o salvador da pátria”. Ele acredita que deve haver uma somatória de esforços por parte do produtor para que as moscas fiquem em nível aceitável.

Segundo Bianchin, a mosca Haematobia irritans está ganhando cada vez mais resistência com o uso indiscriminado de inseticidas. “Deve-se fazer o uso de produtos químicos de uma a duas vezes por ano, e deixar as formas de controle biológico – como a chuva, as formigas e o próprio besouro – tomarem conta da situação”, explica o especialista. Ele alerta que os inseticidas poluem o meio ambiente e matam as espécies responsáveis pelo controle biológico da mosca-dos-chifres.

Uma solução para amenizar o problema foi encontrada pelo produtor rural José de Lima, de Carneirinho, Minas Gerais. Lima é responsável por uma engenhosa invenção, que, segundo ele, dispensa o uso do veneno no combate às moscas que vivem em sua propriedade. Trata-se de uma estrutura escura por onde o gado passa, na qual alguns fios de borracha alcançam as costasdas rezes e espantam as moscas. Estas, atraídas por uma fresta de luz, entram em um compartimento do qual não conseguem sair, e ali morrem após três horas. “A proposta é fazer um sistema ecologicamente correto, pois a utilização de inseticidas contamina o leite, a carne, o solo e até mesmo o próprio produtor”, adverte o pecuarista.

De acordo com Bianchin, o método usado por Lima não é novidade e se chama armadilha de túnel. “O sistema é ideal para gado de leite, porém, não se aplica a gado de corte”, diz o pesquisador. Ele explica que o gado leiteiro pode tranqüilamente passar pela armadilha ao fazer a coleta do leite, algo que não ocorre com o gado de corte. Seria preciso acostumar animal por animal a passar nos túneis, algo não muito viável em se tratando de grandes rebanhos.