Banco quer financiar agricultura que suporte mudança climática ao máximo

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAfD) destacou nesta terça-feira (27) sua intenção de financiar projetos agrícolas que sejam capazes de suportar ao máximo os eventos extremos relacionados com a mudança climática.

O responsável de Meio ambiente deste banco multilateral, Abdoulaye Dagamaissa, afirmou em um ato na Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) que têm como prioridade apoiar a agricultura inteligente para o clima no continente africano, particularmente vulnerável a esse fenômeno.

“Queremos assegurar que as infraestruturas agrícolas desenhadas contem com a maior magnitude possível de secas e inundações”, afirmou Dagamaissa, que acrescentou que também estão promovendo programas de resiliência específicos no Sahel e no Chifre da África.

O BAfD pretende mobilizar US$ 5 bilhões anuais até 2020 para financiar ações de adaptação e mitigação perante a mudança climática, o que inclui investimentos em agricultura e em gestão florestal.

Os principais bancos multilaterais, entre eles o BAfD, destinaram em 2015 US$ 81 bilhões para combater este fenômeno.

Enquanto isso, existem dúvidas sobre a forma na qual estão sendo manejados esses tipos de recursos em nível global, segundo o líder da equipe encarregada do clima no Departamento britânico para o Desenvolvimento Internacional, Josceline Wheatley.

“Não tenho certeza de que a oferta e a demanda desses fundos estejam se encaixando”, disse na mesma conferência Wheatley, para quem a grande quantidade de recursos disponíveis não se reflete igualmente nos projetos.

Wheatley citou um estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) para o qual os países desenvolvidos mobilizaram em 2014 até US$ 62 bilhões em fundos públicos e privados destinados a apoiar ações climáticas nos países em desenvolvimento.

As economias avançadas se comprometeram a mobilizar US$ 100 bilhões anuais até 2020 e contam com o Fundo Verde para o Clima para canalizar uma parte das novas ajudas multilaterais com esse propósito.

O britânico pediu uma melhora do acesso aos recursos bancários, ter instituições “críveis” capazes de tramitar essas finanças e avançar em indicadores que permitam medir um conceito tão amplo como o da resiliência à mudança climática para controlar que os investimentos sejam efetivas.

No meio do debate sobre a aplicação o Acordo de Paris de mudança climática, o número de países comprometidos com ele segue aumentando e já foi assinado por 61, que representam 47,7% das emissões globais de gases do efeito estufa.

O pacto assinado no ano passado na capital francesa entrará em vigor 30 dias depois que pelo menos 55 países que no total somem 55% das emissões tenham ratificado o mesmo. (Fonte: Terra)

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