Projeto monitora aranha-marrom, uma das mais perigosas espécies, comum no sul do país

Neide Campos / AmbienteBrasil

Com o objetivo de avaliar, propor e desenvolver instrumentos de monitoramento e redução de populações da aranha-marrom (Loxosceles intermedia) em Curitiba e região metropolitana e novos sítios de infestação no interior do Paraná, está sendo desenvolvido o Projeto de Monitoramento e controle populacional de aranha-marrom (Loxosceles intermedia): Semioquímicos, limonóides de meliáceas e predadores naturais.

O projeto é financiado pelo CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico -, através do Pronex – Programa de Apoio a Núcleos de Excelência – e pela Fundação Araucária – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Paraná. O Pronex aranha-marrom, como está sendo chamado, envolve a Universidade Federal do Paraná, CPPI-SESA-PR – Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, / UTP – Universidade Tuiuti do Paraná / TECPAR – Instituto de Tecnologia do Paraná, UNICAMP Universidade Estadual de Campinas (SP), USP – Universidade de São Paulo, University of Califórnia (EUA) / Tokushima Bunri University (Japão), e mais recentemente vínculos com pesquisadores da Alemanha (Dr. Stefan Schulz) e Eslovênia (Dr. Andrej Korl).

O Pronex tem a coordenação do professor José Domingos Fontana, da Universidade Federal do Paraná. Iniciado em meados de 2004, o projeto pesquisou os vários predadores da espécie. Além dos naturais, foram testados inseticidas, pesticidas e repelentes de uso doméstico sugeridos pela população, como naftalina, pastilhas de formol, óleo de eucalipto, óleo de cravo e querosene.

Segundo o professor Eduardo Novaes Ramires, da Universidade Federal do Paraná e responsável pelas técnicas de manejo do projeto, a lagartixa (Hemidactylus mabouia) é uma predadora natural muito eficiente. “Uma lagartixa pode comer até doze aranhas por dia”, diz o professor. Ele explica que a elevação da temperatura em Curitiba tende a estabelecer esses animais de volta à cidade. “A lagartixa precisa de pelo menos 20º C de temperatura. O que acontecia é que, no frio, ela ficava muito inativa e morria de fome”.

Prova da eficiência da lagartixa é que no litoral paranaense, onde elas existem em abundância, o número de aranhas marrom é menor. Já os inseticidas e pesticidas encontrados no mercado são, em geral, de baixa eficiência. O aspirador de pó, do tipo utilizado para aspirar sólidos e líquidos, foi testado pelos pesquisadores e se mostrou muito eficiente na exterminação da aranha-marrom. Segundo o professor Ramires, testes mostraram que, se aspiradas quando o saco coletor de pó está pela metade, morrem instantaneamente todas as aranhas sugadas. Porém, o estudo mostrou que se o saco coletor estiver cheio, algumas aranhas podem sobreviver. Como há esse risco, recomenda-se que se coloque um pedaço de tela fina de tecido no bocal de aspiração, para evitar a saída das aranhas sobreviventes. A recomendação é que haja, pelo menos, duas aspirações minuciosas por ano em toda a casa.

Outro estudo mostrou que as aranhas-marrom são muito sensíveis ao calor, e a combinação certa de velocidade e temperatura de ar quente, jogada sobre a aranha, pode levá-la quase que imediatamente à morte. Os pesquisadores desenvolveram um aparelho que emite ar quente e pode ser usado em lugares de difícil acesso. O aparelho está em processo de registro de patente. “O calor destrói a musculatura das aranhas”, explica o professor.

O doutor Andrej Cokl, membro do Instituto Nacional de Biologia da Lubiânia, Eslovênia, e um dos maiores especialistas na comunicação acústica/vibracional em animais, está participando do projeto e retorna à Curitiba no próximo sábado (3), para dar continuidade aos trabalhos. Com o auxílio dele, os pesquisadores estão caracterizando os sinais acústicos e vibracionais envolvidos na comunicação das Loxosceles intermedia. Os pesquisadores, juntamente com a Secretaria do Estado de Saúde do Paraná, prepararam duas casas no município de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, para testar todos esses estudos.

Logo os resultados do projeto serão divulgados a população. “O trabalho de prevenção da aranha-marrom deve ser constante”, alerta Ramires.

Aranha-marrom – A Loxosceles intermedia é muito comum na região sul do país, principalmente no Paraná. Apesar do tamanho, em torno de quatro cm de diâmetro quando adulta, a aranha-marrom é uma das mais perigosas. A espécie tem pernas longas e finas e possui seis olhos. Sua teia é irregular e semelhante a algodão esfiapado. A aranha gosta de lugares escuros, quentes e secos. Possui hábitos noturnos e só pica quando é ameaçada, sem possibilidade de fuga, por isso os acidentes mais comuns acontecem quando a vítima espreme a aranha, normalmente na hora de vestir alguma roupa ou se deitar.

As aranhas-marrons saem para caçar insetos (como formigas, pulgas, traças, preferencialmente cupins) à noite. Durante o dia, normalmente ficam escondidas atrás de armários, quadros, entre livros ou qualquer lugar que não é muito mexido. No ambiente externo se esconde em cascas de árvores, folhas secas, buracos, telhas e tijolos, entre outros locais. Uma aranha pode viver até cinco anos e pode se reproduzir sete vezes em um ano. Para virar adulta, leva de oito meses a um ano.

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