Dois peixes-boi amazônicos são resgatados no Pará

Dois peixes-boi amazônicos (Trichechus inunguis) foram resgatados no Pará, na semana passada. Os animais, que eram recém-nascidos e machos, foram encontrados nas proximidades de Santarém, no Pará, e levados ao CAAM – Centro Agroextrativista da Amazônia, onde o Centro Mamíferos Aquáticos do Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis mantém uma unidade de reabilitação de peixes-boi em parceria com o Conselho Nacional dos Seringueiros e o Ibama local, que realizou o resgate.

Com mais esses dois animais, sobem para cinco o número de peixes-bois resgatados que se encontram no CAAM, antes ocupado apenas por fêmeas e os dois filhotes devem permanecer por, no máximo, três anos no Centro até serem reintroduzidos.

No próximo mês será realizada a campanha “Dê Nome aos Bois”, nas comunidades ribeirinhas para batizar os novos filhotes. “Essa campanha visa conscientizar as novas gerações sobre a importância da conservação do peixe-boi amazônico, espécie classificada na lista oficial do Ibama como vulnerável à extinção”, explica a Coordenadora Nacional do Projeto Peixe-Boi Amazônico, Fábia Luna.

De acordo com a denuncia anônima feita ao escritório do Ibama de Oriximina (PA), os dois animais tiveram suas mães mortas. “Infelizmente a caça ao peixe-boi ainda não está extinta na Amazônia. Geralmente as pessoas pegam o filhote para poder atrair a mãe que, ao chegar perto, é morta e sua carne é usada para consumo próprio ou até mesmo para venda” afirma Fábia.

No artigo nº 29 da Lei 9.605/98 de Crimes Ambientais está previsto pena de detenção de seis meses a um ano e ainda, pagamento de multa, tanto para caça quanto para venda do animal. Por se tratar de uma espécie ameaçada de extinção a pena pode aumentar ainda e acrescida na metade.

O peixe-boi amazônico é um mamífero dócil que vive nos rios e igarapés da Bacia Amazônica. Quando adulto, ele se alimenta de plantas aquáticas, podendo pesar até 400 kg e medir três metros de comprimento. Sua respiração é feita através de pulmões, tendo que subir a superfície a cada três minutos, em média.

Um dos motivos para seu desaparecimento é a dificuldade com que a fêmea se reproduz: seu período de gestação dura 13 meses, em média, a cada três anos é gerado apenas um filhote e o animal só está apto para reproduzir por volta dos cinco anos de idade, quando atinge a maturidade sexual. O outro motivo da escassez do animal na natureza é o homem, que ainda insiste em caçá-lo indiscriminadamente, sendo essa, a principal causa do seu desaparecimento. (Luís Boaventura/ Ibama)